segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Igreja Católica nos Estados Unidos

          Nos Estados Unidos há 68.503.456 católicos (22% da população americana). Foram batizadas em 2010, 857.410 crianças, 43.279 adultos e foram recebidos na comunhão católica 75.724 pessoas vindas de outras denominações religiosas que professaram a fé. 
          As circunscrições eclesiásticas são: 33 arquidioceses de rito latino, 145 dioceses de rito latino, 16 dioceses de rito oriental, 2 arquidioceses de rito oriental, 1 exarcadao para os síros-malancares, 1 ordinariato militar, 2 arquieparquias orientais, 2 metrópolis orientais.
           A Igreja Católica conta com 18 cardeais (entre ativos e eméritos). Os bispos são 450 (270 ativos e 180 eméritos), os padres são 40.788, sendo 27.614 sacerdotes diocesanos e 13.174 sacerdotes religiosos. O número de seminaristas é de 5.131, sendo 3.319 diocesanos e 1.812 religiosos. Os seminários diocesanos são 100 e os seminários religiosos masculinos são 158. Foram ordenados 581 padres em 2007.
Os diáconos permanentes são 17.165.
           Os religiosos com votos são 58.724 religiosas e 4.737 religiosos não sacerdotes.
           A Igreja mantém um total de 2.119.341 alunos em suas escolas elementares e segundo grau. São 5.889 escolas elementares educando 1.507.618 alunos. As escolas de segundo grau são 1.205 com 611.723 alunos. Os colégios e universidades são 234 com 768.541 estudantes. As escolas especiais para alunos com deficiências são 66 com 6.329 alunos. As escolas públicas recebendo educação religiosa atingem 3.145.424 alunos nas escolas elementares e 689.552 nas de segundo grau.
           A Igreja Católica possui 561 hospitais que atendem 86.525.713 pacientes, 380 outras instituições de saúde atendendo 6.332.721 pacientes, 1.593 casas especializadas com um atendimento de 1.600.986 pacientes e 358 residências de cuidado para crianças com 28.663 residentes. 
           A Igreja mantém 1.688 agências de caridade local e instituições servindo a 8.522.997 pessoas em necessidades.


Mapa das Dioceses Católicas nos Estados Unidos


 

Basílica Nacional da Imaculada Conceição, patrona dos Estados Unidos em Washington


 
Catedral da Imaculada Conceição em Denver


 
The Cathedral of St Paul, St Paul, Minnesota

Catedral de São Paulo, em Minneapolis

USA - St Louis MO - Catholic Cathedral Basilica of St Louis (12 Apr 2009)

Catedral de São Luis em Saint Louis


 
Saint Louis Cathedral across from Jackson Square is the oldest Catholic church that has seen continuous use in the US.

Catedral de São Luis em New Orleans

San Francisco Churches

Catedral da Assunçao de Nossa Senhora em San Francisco


Catedral de São Patrício em New York


Catedral de Nossa Senhora dos Anjos em Los Angeles




Dos Sermões de São Máximo de Turim, bispo, século V (Sermo 53,1-2.4: CCL 23,214-216)

Cristo é o dia




          "A ressurreição de Cristo abre a mansão dos mortos, os neófitos da Igreja renovam a terra e o Espírito Santo abre as portas do céu. A mansão dos mortos aberta devolve seus habitantes, a terra renovada germina os ressuscitados, o céu reaberto recebe os que para ele sobem.
           O ladrão sobre ao paraíso, os corpos dos Santos entram na cidade santa, os mortos retornam à região dos vivos. E de certo modo, pela ressurreição de Cristo, todos os elementos são elevados a uma dignidade mais alta.
            A habitação dos mortos restitui os que nela estavam detidos, a terra envia ao céu os que foram nela sepultados, o céu apresenta ao Senhor os que recebe em suas moradas. E por um único e mesmo ato, a paixão do Salvador retira o ser humano das profundezas, eleva-o da terra e o coloca no alto dos céus.
           A ressurreição de Cristo é vida para os mortos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Por isso, o santo profeta convida todas as criaturas para a festa da ressurreição de Cristo, exultando e se alegrando neste dia que o Senhor fez.
           A luz de Cristo é um dia sem noite, um dia sem fim. O Apóstolo nos ensina que este dia é o próprio Cristo, quando afirma:  A noite já vai adiantada, o dia vem chegando (Rm 13,12). Ele diz que  a noite já vai adiantada e não que ela ainda virá, a fim de compreendermos que a chegada da luz de Cristo afasta as trevas do demônio e dissipa a escuridão do pecado; com seu esplendor eterno ela vence as sombras tenebrosas do passadi e impede toda a infiltração dos estímulos pecaminosos.
           Este dia é o próprio Cristo. Sobre ele, o Pai, que é o dia sem princípio, faz resplandecer o sol da sua divindade. Ele mesmo é o dia que assim fala pela boca de Salomão. Fiz brilhar no céu uma luz que não se apaga (Eclo 24,6).
           Assim como a noite não pode absolutamente suceder ao dia celeste, também as trevas dos pecados não podem suceder à justiça de Cristo. O dia celeste brilha eternamente, e nenhuma obscuridade pode ofuscar o fulgor da sua luz. Do mesmo modo, a luz de Cristo resplandece e irradia a sua claridade, e sombra alguma de pecado pederá ofuscá-la, como diz o evangelista João: E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la (Jo 1,5).
           Portanto, irmãos, todos nós devemos alegrar-nos neste santo dia.Ningúem se exclua desta alegria universal, apesar da consciência de seus pecados; ninguém se afaste das orações comuns, embora sinta o peso de suas culpas. Por mais pecador que seja, ninguém deve neste dia desesperar do perdão. Temos a nosso favor um valioso testemunho: se o ladrão arrependido alcançou o paraíso, por que não alcançaria o cristão a graça de ser perdoado"?

 
   

Cristo Ressuscitado caminha com os discípulos a caminho de Emaús...



... e eles o reconheceram ao partir o pão.

São Guiberto, abade e confessor

           Sao Guiberto.jpgGuiberto nasceu em 892. Era filho de Lietoldo e de Osburga, ambos nobres e muito antigas famílias de Namur. Sigeberto de Gembloux, que lhe escreveu a vida, diz, referindo-se à fase da infância do santo.
           Era uma arvora que devia dar ótimos frutos e elevar-se nos adros da casa do Senhor tão altaneira como os cedros do Líbano, ao que ajuntou um comentador: "Assim, não podia de ter excelente raiz."
           De tanto pensar nas palavras do Evangelho, que diz que é "mais fácil um camelo passar pelo buraco duma agulha do que um rico entrar no reino dos céus", acabou por renunciar aos bens todos de que era possuidor e abraçou a pobreza a abraçou, com grande carinho, a pobreza, aquela pobreza tão querida de Nosso Senhor Jesus Cristo.
          Em 936, doou as terras que tinha em Gembloux a Deus, a São Pedro e ao mártir Exúpério, para que nelas fosse construído um mosteiro, mosteiro que, nem bem se erguera, logo principiou a ser muitíssimo procurado.
         O santo fundador adotou para a nova comunidade a regra de São Bento. Mas, humilde que era ao invés de se fazer abade da casa, sobre outro, Erluino, lançou aquele cargo, retirando-se para a abadia de Gorze, então gozando de grande renome, debaixo da direção do Abade Agenoldo.
         Em Gorze São Guiberto atirou-se com todo ardor que o consumia a todos os exercícios da penitência e da vida contemplativa. Caminhava ele tão rapidamente no estreito caminho que leva ao céu, que o demônio, agastado, procurou tirá-lo da senda certa. Denunciado ao imperador Otão I como culpado de ter lançado mão das terras de Gembloux, para ali fundar um mosteiro, ilegalmente, porque era feudo do império, foi obrigado a deixar a vida, que lhe corria doce amável, para comparecer diante de Otão.
        São Guiberto foi despreocupado. Pensando no dito do Evangelho, que aconselha: "Quando fordes citado entre dois reis, não penseis no que tereis de dizer, nem como o direis, porque vos será dado na hora", o santo, ao imperador falou calmamente e com muita simplicidade sobre o que fizera.
         Por tanta confiança na Providência, Deus o abençoou: Otão, todo convencido da boa ação de tão leal e sincero homem, ratificou o estabelecimento da nova fundação, indo ao cúmulo de, muito liberalmente, enriquecê-la de consideráveis privilégios. Desde então, o demônio, encolhido e decepcionado, jamais ensaiou outra arremetida, deixando o santo em paz.
         Quando faleceu o santo fundador de Gembloux, os monges daquela casa se sentiram esmagados por imensa dor. E, já que não o tiveram consigo em vida, determinaram tê-lo no mosteiro depois que se fora para Deus. Alguns monges, então, estabelecidos aquele ponto, partiram para Gorze. Ali chegando, exprimiram o desejo de ver sepultados entre eles os restos preciosos do amado fundador.
         O abade, comovido com o pedido, feito em lágrimas, concedeu a permissão para que transportassem o corpo de São Guiberto.
        Com muito carinho e muita unção, embalsamaram o corpo querido, depositaram-no num carro puxado por alguns bois, e partiram.
         Ora, a população de Gorze, vendo que lhe levavam aquele que tinham como santo e protetor, interpôs-se no caminho, envidando todos os esforços para que não se realizasse aquela trasladação.
          Poucos, muito poucos para resistir ao cerco que fizeram os de Gorze, os monges de Gembloux só tinham uma coisa a fazer, para que a viagem que haviam empreendido não redundasse no mais completo fracasso: rogar a Deus que os auxiliasse naquele embaraço. E, se pensaram, melhor o fizeram: quando os ânimos dos de Gorze se iam exarcebando, elevou-se tão violenta tempestade, fazendo-se terrivelmente escuro, que todos os exaltados, cheios de temor e confundidos, largaram a fugir, deixando o campo livre para os monges, que não esperaram um minuto para picar os bois e partir.
        Sepultado na igreja do mosteiro de Gembloux, inúmeros milagres, incontinenti, atestaram a santidade do santo, atraindo multidões ao seu túmulo.



Antiga Abadia de Gembloux, atualmente Universidade de Agronomia



Eglise Saint-Guibert (Vista exterior)

Igreja de São Guiberto


Espanha: diminui o respeito à liberdade religiosa?

            MADRI, sexta-feira, 18 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Entidades espanholas agem para demonstrar o crescimento das violações à liberdade religiosa no país. 
            A Associação Estatal de Advogados Cristãos (AEAC) denunciou à ONU 153 violações desse tipo registradas desde 2004.
           A presidente desta associação, Polonia Castellanos, apresentou no dia 16 de maio ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra, um relatório sobre os ataques à liberdade religiosa. 
           A AEAC denuncia o governo Zapatero por “violações reiteradas, persistentes e manifestas dos direitos humanos relacionados com a liberdade de religião ou de crença na Espanha”.
           Entre elas, figuram ataques a sacerdotes, imagens e igrejas católicas. Apontam-se ações como o fechamento ao culto da basílica do Valle de los Caídos, por parte do governo, no dia 6 de abril de 2010, agressões laicistas em várias capelas universitárias, a proibição de procissões, o apedrejamento de uma livraria em Madri. O relatório assinala ainda exposições e espetáculos ofensivos.
           Há inclusive insultos e ameaças a bispos, proferidas publicamente por grupos e entidades, com o convite a atear fogo na Conferência Episcopal, lançado durante um manifesto pró-aborto em setembro de 2009. 
           Citam-se ainda a declarações ofensivas de representantes do governo, de políticos e de altos cargos. 
           A associação pediu à ONU que investigue os fatos e sancione o governo espanhol no caso de responsabilidade provada.
           Segundo a AEAC, se a Espanha não tomar medidas contra as crescentes ondas de ataque laicista ou antirreligioso, poderá ver comprometido seu voto na Comissão de Direitos Humanos da ONU, medida que os denunciantes solicitaram.


Hostilidade

           O próprio Papa referiu-se à questão da liberdade religiosa na Espanha, no discurso que dirigiu no dia 16 de abril à nova embaixadora do país na Santa Sé, María Jesús Figa.
          Bento XVI assinalou que atualmente “não faltam formas, frequentemente sofisticadas, de hostilidade contra a fé, que se expressam às vezes renegando a história e os símbolos religiosos, nos quais se reflete a identidade e a cultura da maioria dos cidadãos”.
          Ele destacou que a liberdade religiosa não só é violada com a discriminação ou a profanação, mas também com o ato de denegrir ou fazer chacota.
         Bento XVI propôs uma visão diferente da religião, que a considere uma dimensão “inerente à dignidade da pessoa humana” e “uma arma autêntica da paz, porque pode mudar e melhorar o mundo”.


A Igreja Católica hoje na Espanha

76,4% dos espanhóis se consideram católicos, ou seja cerca de 36 milhões de pessoas.

Divisão eclesiástica da Espanha

File:Map Spain Diócesis.png

A geografia eclesialda Espanha se compoêm de:
14 províncias eclesiásticas (arquidioceses);
69 dioceses
1 arcebispado militar.

Há atualmente 2 cardeais, 14 arcebispos, 52 bispos diocesanos, 9 bispos auxiliares; além de 5 cardeais, 5 arcebispos, 25 bispos e 3 bispos auxiliares eméritos.
As arquidiocese e dioceses espanholas são:

Arquidiocese de Barcelona 
Arquidiocese de Burgos
Arquidiocese de Sevilha 
Arquidiocese de Granada
Arquidiocese de Tarragona 
Arquidiocese de Madrid
Arquidiocese de Mérida-Badajoz
Arquidiocese de Oviedo
Arquidiocese de Toledo
Arquidiocese de Pamplona
Arquidiocese de Santiado de Compostela
Arquidiocese de Valencia
Arquidiocese de Valladolid
Arquidiocese de Zaragoza
Arquidiocese Militar da Espanha


obispos

Paróquias, sacerdotes, religiosos e seminaristas
  • O número de paróquias no país atualmente é de 22.686;
  • O número de sacerdotes  nas dioceses espanholas é de 18.633;
  • Os religiosos  que realizam seus trabalhos na Igreja da Espanha são de 61.106 (49.640 religiosas, 11.466 religiosos). Há na Espanha 104 congregações masculinas e 303 congregações femininas;
  • O número de seminaristas maiores é de 1.227 e o de seminaristas menores, 1.292.

Trabalho missionário

            No ano de 2010 se encontram desempenhando trabalhos pastorais em outras terras um total de 107 bispos espanhóis, distribuídos em mais de 30 países em todo o mundo.
           O número total de missionários supera a casa dos 14 mil, dos quais, 3 mil são sacerdotes religiosos, 7.500 são religiosas, 1.500  religiosos não sacerdotes. Há também 900 padres diocesanos em missão , dos quais 345 trabalham na América Latina. A  todos eles ainda se unem  mais de 1.100 leigos atuando nas missões. 

Ação caritativa e social da Igreja na Espanha

            Um intensa ação caritativa e social é desenvolvida pelas instituições da Igreja  neste país:

  • 4.459 centros assistencias, com 2.764.719 pessoas atendidas
  • 12.415 associações que agrupam elevado número de fiés em atividades religiosas e culturais.

Prática sacramental

         Em 2009 foram batizadas 314.719 pessoas, 244.489 foram as Primeiras Comunhões e  91.386 casamentos na igreja.
  


domingo, 22 de maio de 2011

Santa Rita de Cássia


            Filha única, foi mãe, viúva, religiosa e estigmatizada. Nasceu em maio do ano 1381, um ano depois da morte de Santa Catarina de Siena. A casa natal de Santa Rita está perto de Cássia, entre as montanhas, a umas quarenta milhas de Assis, na Úmbria, região do centro da Itália que mais santos tinha dado à Igreja (São Benedito, Santa Escolástica, São Francisco, Santa Clara, Santa Ângela, São Gabriel, Santa Clara de Montefalco, São Valentim e muitos mais).
           Sua vida começou em tempo de guerras, terremotos, conquistas e rebeliões. Países invadiam países, cidades atacavam as cidades vizinhas, vizinhos lutavam com os vizinhos, irmão contra irmão. Os problemas do mundo pareciam maiores que a política e os governos eram capazes de resolver. Nascida de devotos pais, Antonio Mancini e Amata Ferri, que se conheciam como os "Pacificadores de Jesus Cristo", pois os chamavam para apaziguar brigas entre vizinhos.
          Eles não necessitavam de discursos poderosos nem discussões diplomáticas, somente apelavam a Jesus. Sentiam que somente assim se podem apaziguar as almas. Apesar da idade avançada de Amata (62 anos), nem por isso deixavam de confiar em Deus e foi assim que Deus, acredita-se, atendeu às suas preces: conta a história que um anjo apareceu a ela e lhe revelou que daria à luz uma menina que seria a admiração de todos, escolhida por Deus para manifestar a todos os seus prodígios.


A mais antiga representação de Santa Rita
Biografia
          Seus pais, sem ter aprendido a ler ou escrever, ensinaram a Rita desde menina tudo acerca de Jesus, a Virgem Maria e os mais conhecidos santos. Rita, como a Santa Catarina de Siena, nunca foi à escola para aprender a escrever ou a ler (A Santa Catarina foi, conforme se crê, dada a graça de ler milagrosamente por Jesus Cristo); para Santa Rita seu único livro era o crucifixo.
           Ela queria ser religiosa durante toda sua vida, mas seus pais, Antônio e Amata, avançados em idade, escolheram para ela um esposo, Paolo Ferdinando, o que não foi uma decisão muito sábia. Mas Rita obedeceu. Os católicos creem que quis Deus assim dar-nos nela o exemplo de uma admirável esposa, cheia de virtude, ainda nas mais difíceis circunstâncias.   
           Depois do matrimônio, seu esposo demonstrou ser bebedor, mulherengo e abusador. Ela padeceu no longo período de dezoito anos que viveu com seu esposo. Muitas vezes bebeu o "cálice da amargura" até a última gota, incontáveis foram os atos de paciência e resignação que praticou, as lágrimas ardentes que derramou. Injuriada sem motivo, não tinha uma palavra de ressentimento; espancada, não se queixava e era tão obediente que nem à igreja ia sem a permissão de seu brutal marido.
          A mansidão, a docilidade e a prudência da esposa, porém, suavizaram aquela rude impetuosidade, conseguindo transformar em manso cordeiro aquele leão furioso. Com que eloquência ensinava às suas vizinhas casadas o modo de manter a paz e a harmonia com seus esposos. Elas, admiradas por nunca terem visto divergências em casa de Rita, iam com frequência consolar-se com ela e expor os dissabores e ultrajes que recebiam de seus maridos.
         À imitação de Santa Mônica, Rita lhes respondia: "Lembrai que, desde o momento em que recebemos nossos esposos, como maridos, aceitamo-los como nossos donos e senhores, e assim lhes devemos amor, obediência e respeito, pois isso significa ser casadas! Notai que não tem menos culpa a mulher que fala mal de seu marido do que o marido que, com incorreto proceder, dá ensejo à mulher para que fale mal". Por isso, não permitia que em sua presença se murmurasse dos defeitos alheios. Por esse meio conseguiu desterrar de muitos o péssimo costume de falar mal dos outros.
         Encontrou sua fortaleza em Jesus Cristo, em uma vida de oração, sofrimento e silêncio. Tiveram dois gêmeos, os quais herdaram o temperamento do pai. Rita se preocupou e orou por eles. Depois de vinte anos de matrimônio e oração por parte de Rita, o esposo se converteu, pediu-lhe perdão e lhe prometeu mudar sua forma de ser. Rita perdoou e ele deixou sua antiga vida de pecado. Passava o tempo com Rita nos caminhos de Deus.
         Isso não durou muito, porque, enquanto seu esposo havia se reformado, não foi assim com seus antigos amigos e inimigos. Uma noite, Paolo não chegou em casa. Antes de sua conversão, isso não teria sido estranho, mas no Paolo reformado isso não era normal. Rita sabia que algo havia ocorrido. No dia seguinte, encontraram-no assassinado.
         Sua pena foi aumentada quando seus dois filhos, que eram maiores, juraram vingar a morte de seu pai. As súplicas não conseguiram dissuadi-los. Foi então que Santa Rita compreendeu que mais vale salvar a alma que viver muito tempo: rogou ao Senhor que salvasse as almas de seus dois filhos e que tirasse suas vidas antes que se perdessem para a eternidade por cometer um pecado mortal. O Senhor aparentemente respondeu a suas orações: os dois padeceram de uma enfermidade fatal.
          Durante o tempo de enfermidade, a mãe lhes falou docemente de amor e do perdão. Antes de morrer, conseguiram perdoar aos assassinos de seu pai. Rita esteve convencida de que eles estavam com seu pai no céu.

Entrada na vida religiosa

          Ao estar sozinha, não se deixou vencer pela tristeza e pelo sofrimento. Santa Rita quis entrar no convento com as irmãs agostinianas, mas não era fácil conseguir. Não queriam uma mulher que havia estado casada. A morte violenta de seu esposo deixou uma sombra de dúvida. Ela se voltou de novo a Jesus em oração. Ocorreu então o que se crê como um milagre. Uma noite, enquanto Rita dormia profundamente, ouviu que a chamavam: "Rita, Rita, Rita!" Isso ocorreu três vezes, na terceira vez Rita abriu a porta e ali estavam Santo Agostinho, São Nicolau e São João Batista, de qual ela havia sido devota desde muito menina.
          Eles lhe pediram que os seguissem. Depois de correr pelas ruas de Roccaporena, no pico de Scoglio, onde Rita sempre ia orar, sentiu que a levantaram no ar e a empurravam suavemente. Encontrou-se acima do monastério de Santa Maria Madalena em Cássia. Então caiu em êxtase. Quando saiu do êxtase, encontrou-se dentro do monastério, embora todas as portas estivessem trancadas. Ante aquele milagre, as monjas agostinianas não lhe puderam negar entrada.
          Finalmente aceita na ordem, consta que ali teria plantado uma roseira (ainda existente), que todos os anos dá flores em pleno inverno. É admitida e faz a profissão nesse mesmo ano de 1417, e ali passa quarenta anos de consagração a Deus.

Suas provações

           Durante seu primeiro ano, Rita foi posta à prova por suas superioras. Foi-lhe dada a passagem da Escritura do jovem rico para que meditasse. Um dia, Rita foi posta à prova por sua Madre Superiora. Para colocar à prova a obediência da noviça, a superiora do convento ordenou-lhe que regasse de manhã e à tarde um galho seco, provavelmente um ramo de videira ressequido e já destinado ao fogo. Rita não ofereceu dificuldade alguma e de manhã e de tarde, com admirável simplicidade, cumpria essa tarefa, enquanto as irmãs a observavam com irônico sorriso. Isso durou cerca de um ano, segundo algumas biografias da santa.
          Rita o fez obedientemente e de boa maneira. Uma manhã, a planta se havia convertido em uma videira com flores e deu uvas que se usaram para o vinho sacramental. Desde esse dia segue dando uvas.

Amor à Paixão de Cristo

           Rita meditava muitas horas na paixão de Cristo, meditava nos insultos, nos desprezos, nas ingratidões que sofreu em seu caminho ao Calvário. Durante a Quaresma do ano 1443, foi a Cássia um pregador chamado Santiago de Monte Brandone, que deu um sermão sobre a paixão de Cristo que tocou tanto a Rita que, a seu retorno ao monastério, pediu fervorosamente ao Senhor ser participante de seus sofrimentos na cruz.
          Dum modo especial exercitava-se na contemplação dos mistérios da Paixão e Morte de Jesus, a tanto chegou o seu amor na consideração das dores de Jesus que, um dia, prostrada aos pés do Crucificado, pediu amorosamente ao Senhor que lhe fizesse sentir um pouco daquela imensa dor que ele havia sofrido pregado na cruz. Conforme a história, da coroa que cingia a cabeça da imagem do Redentor, desprendeu-se um espinho, que se cravou na fronte da santa, causando-lhe intensíssimas dores até à morte.
         Aquela ferida era, na verdade, fonte de celestiais doçuras para a santa, mas, ao mesmo tempo, de desgosto para as religiosas, que não podiam suportar a vista daquela repugnante ferida, vendo-se, por esse motivo, obrigada a viver isolada de suas amadas irmãs. A santa aceitou isso como um novo favor do céu, ficando, assim, livre para tratar mais intimamente com Deus. Ali redobrou as suas penitências, os seus jejuns e as suas orações, esforçando-se em unir-se mais estreitamente com Jesus, seu celestial esposo.
          A maioria dos santos que têm recebido esse dom exalam uma fragrância celestial. As chagas de Santa Rita, sem dúvida, exalavam um odor pútrido, pelo que devia afastar-se das pessoas. Por quinze anos viveu sozinha, longe de suas irmãs monjas. O Senhor lhe deu uma trégua quando quis ir a Roma para o primeiro ano santo. Desapareceu o estigma de sua cabeça durante o tempo que durou a peregrinação. Tão pronto quanto chegou de novo a casa, o estigma voltou a aparecer e teve que se afastar de novo das irmãs.
         Em sua vida, teve muitas chamadas, mas ante tudo foi uma mãe tanto física como espiritualmente. Quando estava no leito de morte, pediu ao Senhor que lhe desse um sinal para saber que seus filhos estavam no céu. A meados de inverno, recebeu uma rosa do jardim perto de sua casa em Roccaporena. Pediu um segundo sinal. Desta vez recebeu um figo do jardim de sua casa em Roccaporena, ao final do inverno.
          Os últimos anos de sua vida foram de expiação. Uma enfermidade grave e dolorosa a deixou imóvel sobre sua humilde cama de palha durante quatro anos. Ela observou como seu corpo se consumia com paz e confiança em Deus.

As rosas de Santa Rita

           Durante a enfermidade, a pedido seu lhe apresentaram algumas rosas que haviam brotado de maneira prodigiosa no frio inverno em sua horta de Rocaporena. Ela as aceitou sorrindo como um dom de Deus.

A morte da santa

           Santa Rita percorreu o caminho da perfeição, a via purgativa, a iluminativa e a unitiva. Conheceu o sofrimento e em tudo cresceu em caridade e confiança em Deus. O crucifixo foi seu melhor mestre. "Chegou o tempo, minhas queridas irmãs, de sair deste mundo. Deus assim o quer. Muito vos ofendi por não vos ter amado e obedecido como era de minha obrigação, com toda minha alma vos peço perdão de todas as negligências e descuidos. Reconheço que vos tenho molestado por causa desta ferida da fronte, rogo-vos que tenhais piedade das minhas fragilidades. Perdoai minhas ignorâncias e rogai a Deus por mim, para que minha alma alcance a paz e a misericórdia da clemência divina."
            No convento, só se ouviam os soluços das freiras, mas o sino começou a tocar aparentemente sozinho, anunciando a sua partida deste mundo. Era o dia 22 de maio de 1457 e contava a santa 76 anos de idade. Era o fim de uma vida cheia de sofrimentos. As religiosas pensavam com horror no odor fétido de sua chaga, mas o seu rosto pálido começou a tomar viva cor, a ferida cicatrizou-se e de seu corpo começou a exalar um delicioso perfume.
           Uma das religiosas, Catarina Mancini, que tinha um braço paralítico, quis abraçá-la e assim o fez porque o seu braço ficou curado pela santa. As freiras revestiram o corpo com o hábito de sua ordem e o transportaram para a capela interior do mosteiro. A ferida do estigma na fronte desapareceu e em lugar apareceu uma mancha vermelha como um rubi, a qual tinha uma deliciosa fragrância.
           Devia ter sido velada no convento, mas pela multidão tão grande se necessitou da igreja. Permaneceu ali e a fragrância nunca desapareceu, até os dias atuais permanece e a todos encanta. Por isso, nunca a enterraram. O ataúde de madeira que tinha originalmente foi trocado por um de cristal e ficou exposto para veneração dos fiéis desde então. Multidões, todavia, acodem em peregrinação a honrar a santa e pedir sua intercessão ante seu corpo que permanece incorrupto.
Leão XIII a canonizou em 1900.

Grandes milagres

            Em Pergola, lugarejo da Úmbria, havia uma casa pertencente a uma das mais ilustres famílias da Itália, que, pela grande devoção que tinha a Santa Rita, fazia-lhe todos os anos a festa na igreja de Santo Agostinho. Estavam casados há mais de dezoito anos, mas viviam tristes porque não tinham filhos. Recorreram a Santa Rita com fervorosas súplicas, para que lhes alcançasse de Deus o que lhe pediam. O Senhor atendeu a suas orações, dando-lhes dois filhos, que foram a consolação dos pais e a honra da família.
           Na cidade de Valença, no ano de 1688, Santa Rita restituiu a visão a uma menina cega de nascimento, no fim de uma novena que os pais da criança lhe fizeram.
            A Bernardino, filho de Tibério, restituiu Santa Rita a visão de um dos olhos, que tinha perdido por causa de uma ferida: entrando no sepulcro da santa, saiu livre do mal de que padecia.
            Uma mulher nobre, chamada Mateia de César, natural de Rocha, que era surda-muda desde a sua primeira idade, fez uma promessa a Santa Rita. Passou a ouvir e logo falou.
           Francisca, natural de Fucella, surda de cinco anos, pela intercessão de Santa Rita, conseguiu ouvir, após lhe rezar três Ave-Marias.
            No ano de 1457, um homem, natural de Ocone, tremendamente aflito de pedras nos rins, recorreu a Santa Rita e logo se viu livre de tão penoso mal.
            A mãe da menina Josefa Maria prometeu a Santa Rita vestir-lhe um hábito igual ao da santa se a livrasse de um terrível mal do coração. Concedeu-lhe a santa imediatamente a graça.
            Não é menor a graça que recebeu uma criança chamada Ana, cuja garganta foi atravessada por um alfinete, que lhe impedia a respiração. Sendo-lhe aplicada com grande fé uma estampa da santa , no mesmo tempo expeliu o alfinete pela boca.
           Lúcia tinha um filho de pés e mãos entrevados havia muitos anos: untou-os com azeite da lâmpada de Santa Rita e invocou o seu patrocínio; levantou-se o menino completamente são.
           No grande  terremoto que sofreram alguns lugares da Itália, em 12 de maio de 1730, contam que o corpo de Santa Rita levantou-se da urna em que estava e, suspenso no ar por espaço de várias horas, reprimiu o golpe do espantoso terremoto, que na cidade de Cássia não passou de ameaça. Esse fato foi confirmado pelo bispo do lugar e divulgado por toda a Europa.
           Outro espantoso fato ocorrido foi quando o superior da Ordem Agostiniana foi visitar o corpo de Santa Rita e o corpo se levantou da urna, suspenso no ar, em sinal de respeito ao superior da ordem.
             Essas maravilhas e outras muitas estão arroladas no processo de beatificação  de Santa Rita de Cássia.

Hagiológio

Muitos são os sinais sobrenaturais atribuídos a Rita de Cássia, descritos na  Hagiografia, além dos já indicados. Teria, na noite de sexta-feira da Paixão, recebido um dos espinhos da coroa de Cristo. Os crentes lhe atribuem outros milagres, ligados às frias terras montanhosas onde viveu, como o de que abelhas brancas teriam ornado seu berço e abelhas negras seu leito de morte.

Oração de Santa Rita de Cássia

(Santa Rita é invocada em especial para causas impossíveis)
Ó Poderosa e gloriosa Santa Rita, eis a vossos pés uma alma desamparada que, necessitando de auxílio, a vós recorre com a doce esperança de ser atendida por vós que tem o título de santa dos casos impossíveis e desesperados. Ó cara santa, interessai-vos pela minha causa, intercedei junto a Deus para que me conceda a graça de que tanto necessito (faça o pedido). Não permitais que tenha de me afastar de vossos pés sem ser atendido. Se houver em mim algum obstáculo que me impeça de alcançar a graça que imploro, auxiliai-me para que o afaste. Envolvei o meu pedido em vossos preciosos méritos e apresentai-o a vosso celeste esposo, Jesus, em união com a vossa prece. Ó Santa Rita, eu ponho em vós toda a minha confiança. Por vosso intermédio, espero tranqüilamente a graça que vos peço. Santa Rita, advogada dos impossíveis, rogai por nós.




Santuário de Santa Rita de Cássia


O corpo de Santa Rita de Cássia







Beato João Forest, sacerdote e mártir

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             João Forest, nasceu no ano de 1471, na região de Oxford e morreu em Londres no dia 22 de maio de 1538. Tornou-se frade franciscano menor em 1491. Estudou teologia na Universidade de Oxford, depois tornou-se confessor da Rainha Catarina de Aragão, primeira esposa do Rei Henrique VIII.
              Em  1531 os frades menores tornaram-se inimigos do rei pela sua oposição ao seu divórcio e seus movimentos em direção ao protestantismo.  
             No dia 8 de abril de 1538, Forest foi trazido diante de Thomas Cranner, arcebispo de Cantuária, da igreja anglicana, para renunciar sua rejeição em assumir na pessoa do Rei como Suprema Cabeça da Igreja da Inglaterra.
            O bispo Hugo Latiner, nomeado pelo rei, leu as crenças que João Forest deveria rejeitar: "que a  Santa Igreja Católica, era a Igreja de Roma, que o Papa não era o chefe da Igreja na Inglaterra". Forest rejeitou essa nova fé, e foi detido na prisão de Newgate junto  com outros frades, que o persuadiram a ficar longe de suas crenças romano-católica. De acordo com  o costune da época,  o Bispo Latimer foi indicado para pregar o sermão final no lugar da execução esperando que o frade João rejeitasse a fé católica, mas no fim João Forest foi queimado vivo até a morte,em Smithfield, Londres, no dia 22 de maio de 1538.
            Padre João Forest juntamente com outros cinquenta e três mártires ingleses foram beatificados pelo Papa Leão XIII em 9 de dezembro de 1886.

sábado, 21 de maio de 2011

São Clemente I, papa, Da Carta aos Coríntios, século I (Cap. 36,1-2; 37-38: Funk 1,107-109)

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            São Clemente I, também conhecido como Clemente Romano (em latim, Clemens Romanus), foi o quarto papa da Igreja Católica, entre 92 e 101. Nascido em Roma, de família hebraica, foi o sucessor de Anacleto I (ou Cleto) e autor da Epístola de Clemente aos Coríntios (segundo Clemente de Alexandria e Orígenes), o   primeiro documento de literatura cristã, endereçada à Igreja de Corinto. Ele foi o primeiro Papa Apostólico da Igreja.
           Discípulo de São Pedro, após eleito restabeleceu o uso da Crisma, seguindo o rito de São Pedro e iniciou o uso da palavra Amém cerimónias religiosas. É conhecido pela carta que escreveu para atender a um pedido da comunidade de Corinto, na qual rezava uma convincente censura à decadência daquela igreja, devida sobretudo às lutas e invejas internas entre os fiéis (consta que os presbíteros mais jovens teriam usurpado as prerrogativas dos mais velhos), estabelecia normas precisas referentes à ordem eclesiástica hierárquica (bispos, presbíteros, diáconos) e ao primado da Igreja de Roma, que se ressalta ainda mais pelo fato de São João Evangelista ainda estar vivo e não ter intervindo em tal crise.


Muitas veredas, um só caminho


           "Este é o caminho,caríssimos, onde encontramos nossa salvação: Jesus Cristo, o pontífice de nossas oferendas, nosso defensor e arrimo nas fraquezas.
            Por ele nossos olhos se voltam para as alturas dos céus; por ele contemplamos, como num espelho, o rosto puríssimo e sublime de Deus; por ele abrem-se os olhos de nosso coração; por ele a nossa inteligência, insensata e obscurecida, desabrocha para a luz; por ele quis o Senhor fazer-nos saborear a ciência imortal, pois sendo ele o esplendor da glória de Deus, foi colocado tão acima dos anjos quanto o nome que herdou supera o nome deles (cf. Hb 1,3-4).
            Combatamos, portanto, irmãos, com todas as forças, sob as suas ordens irrepreensíveis.
           Consideremos os soldados, que combatem sob as ordens dos nossos comandantes. Quanta disciplina, quanta obediência, quanta submissão em executar o que se ordena! Nem todos são chefes supremos, ou comandantes de mil, cem ou cinqüenta soldados, e assim por diante; mas cada um, em sua ordem e posto, cumpre as ordens do imperador e dos comandantes. Os grandes não podem passar sem os pequenos, nem os pequenos sem os grandes. A eficiência depende da colaboração recíproca.
           Sirva de exemplo o nosso corpo. A cabeça nada vale sem os pés, nem os pés sem a cabeça. Os membros do corpo, por menores que sejam, são necessários e úteis ao corpo inteiro; mais ainda, todos se harmonizam e se subordinam para salvar todo o corpo.
            Asseguramos, portanto, a salvação de todo o corpo que formamos em Cristo Jesus, e cada um se submeta ao seu próximo conforme o dom da graça que lhe foi concedido.
            O forte proteja o fraco e o fraco respeite o forte; o rico seja generoso para com o pobre e o pobre agradeça a Deus por ter dado alguém que o ajude na pobreza. O sábio manifeste sua sabedoria não por palavras, mas por boas obras; o humilde não dê testemunho de si mesmo, mas deixe que outro o faça. Quem é casto de corpo não se vanglorie, sabendo que é Deus quem lhe dá o dom da continência.
            Consideremos, então, irmãos, de que matéria somos feitos, quem éramos e em que condições entramos no mundo, de que túmulo e trevas nos fez sair aquele que nos plasmou  e criou, para nos introduzir no mundo que lhe pertence, onde nos tinha preparado tantos benefícios antes mesmo de termos nascido.
            Sabendo, pois, que recebemos todas estas coisas de Deus, por tudo lhe demos graças. A ele glória pelos séculos dos séculos. Amém.
 



Basílica de São Clemente, em Roma




São Simão, o Novo Teólogo (949-1022)


           Simão o Novo Teólogo é o último dos três santos da igreja Ortodoxa que teve o título de teólogo, embora o seu título de "novos", provavelmente para distingui-lo de outro Simeão contemporânea (os outros dois são João o Apóstolo e Gregório de Nazianzo). Simeão era um poeta que encarna a tradição mística hesicasta. Ele escreveu que os seres humanos podem e devem experimentar Deus diretamente. Suas obras influenciaram a controvérsia hesicasta do século XIV. Seu discípulo mais famoso foi Nicetas Stethatos,  seu assistente de células que também escreveu a sua vida.
          Ele nasceu na Galácia, Paphlagonia e seu pai preparou sua educação para a vida oficial em Constantinopla. Em seguida, foi designado como um cortesão no atendimento aos imperadores Basil e Constantino Porphyrogenitus. Ele abandonou sua vida como um cortesão se retirar para um mosteiro na idade de 27 sob o piedoso Simeão, Élder na Mosteiro Studion. Mais tarde ele se tornou abade do mosteiro de São Mammas de Constantinopla.
           A rígida disciplina monástica de Simeão, que visa irritou alguns no mosteiro. Um dia após o liturgia alguns dos monges atacaram e quase o matou. Depois que eles foram expulsos do mosteiro Simeão pediu que eles sejam tratados com leniência. Das autoridades da igreja também, Simeão sofreu severa oposição que encontraram seus trabalhos penosos o suficiente para impedi-lo de Constantinopla. Então, ele saiu e residiu no mosteiro de São Makrina em todo o Bósforo. Eventualmente, ele tornou-se um recluso.
Simeão não foi educado em Filosofia grega mas estava bastante familiarizado com a vida da igreja. Ele falou muitas vezes da experiência pessoal direta e de vez em quando atacou alguns estudiosos que ele via como fingindo ter um conhecimento que eles não têm.
          Algumas das obras Simeão inclui o seu Discursos Catequéticos, Hinos do Amor Divino e Três Discursos Teológicos.


Oração de São Simão, o Novo Teólogo


            "De lábios imundos, de um coração impuro, de uma língua profanada e de uma alma maculada acolhe a oração, ó meu Cristo. Não me repulses em virtudes de minhas palavras e de minhas ações, nem mesmo porque não sei mais rugir. Antes, concede-me de Te dizer em toda a confiança o que desejo, ó meu Cristo; ou ainda, ensina-me o que devo dizer e fazer.
            Eu Te ofendi mais que a pecadora, ela que conhecendo onde Te encontravas, compra mirra e ousa vir ungir os Teus pés, ó meu Cristo, meu Senhor e meu Deus. Assim como não a repulsaste ao dirigir-se a Ti de todo o seu coração, não me afastes também, ó Verbo; dá-me os Teus pés para que eu os tenha, para que eu os beije e ouse banhá-los com minhas próprias lágrimas, no lugar de uma mirra preciosa. Lava-me com minhas lágrimas, purifica-me por elas, redime os meus pecados, e concede-me o perdão, ó Verbo. Tu conheces a multidão de minhas maldades, Tu sabes as minhas dores e vê as minhas feridas. Mas Tu conheces também minha fé, levas em conta o meu bem querer, e ouves os meus prantos.
            Nada Te é oculto, ó meu Deus, meu Criador e meu Redentor. Tu vês todas as minhas lágrimas, uma por uma e a menor parte de cada uma delas. O ato ainda não concluído Teus olhos já o conhecem, e o que ainda não realizado, sobre o Teu livro, já se encontra inscrito. Vê a minha humilhação, vê qual é a minha labuta, perdoa todos os meus pecados, ó Deus de todas as coisas, afim de que eu comungue aos Teus veneráveis e puríssimos Mistérios, com um coração puro, um espírito pleno de temor e uma alma contrita; pois aquele que Te come e Te bebe com um coração sem mancha é vivificado e divinizado. Tu disseste, em efeito, ó meu Mestre, “Aquele que come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele”.
           A palavra de meu Mestre é inteiramente verdade. Aquele que participa a estes dons divinos e deificantes, seguramente não mais está só, antes con’Tigo, ó meu Cristo, Tríplice Luz que ilumina o mundo. Afim de que eu não esteja mais só e nem separado de Ti, ó Doador da Vida, meu sopro, minha vida, meu júbilo, salvação do mundo, eu me aproximo de Ti, como vês, em lágrimas e com uma alma contrita. Concede-me o perdão das minhas faltas e faz-me participar, sem incorrer de condenação, aos Teus Mistérios vivificantes e imaculados afim de que, segundo a Tua palavra, permaneças em mim, três vezes infeliz que sou e que o enganador, encontrando-me excluído de Tua graça, não me tome perfidamente afastando-me de Tuas palavras deificantes.
           Eis porque eu me prostro diante de Ti e Te suplico humildemente: assim como acolheste o Filho Pródigo e a Pecadora que se aproximavam de Ti, recebe-me a mim, impuro e pródigo, com um coração contrito, ó Misericordioso. Eu o sei, ó Salvador, que ninguém pôde ofender-Te e nem pecar como eu o fiz. Mas, sei também que nem a gravidade de minhas faltas, nem a multidão de meus pecados, podem ultrapassar a grande paciência de meu Deus, bem como o Seu extremo amor pelos homens.
           Aqueles que ardem de arrependimento, Tu os purifica e tornando-os resplandecentes pelo óleo de Tua compaixão; Tu os fazes participar à Tua luz, e comungar à Tua divindade em plenitude, o que ultrapassa toda inteligência angélica ou humana; eis que geralmente Te relacionas com eles como que com Teus verdadeiros amigos: o que me torna audacioso, dando-me asas, ó meu Cristo.
          Confiando na riqueza de Teus benefícios, com júbilo e com temor juntamente, eu que sou palha recebo fogo, e milagre estranho, torno-me indizivelmente coberto de orvalho, como outrora a sarça que queimava sem ser consumida. Eis porque eu Te dou graças com o meu espírito e o meu coração, com todos os meus membros, com a minha alma e a minha carne, eu me prostro diante de Ti, ó meu Deus, e Te magnífico, Te exalto e Te glorifico, Tu que és bendito, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém".


São Simão, o Novo Teólogo, rogai por nós!