terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Beato Timóteo Trojanowski, religioso e mártir


         Stanislaw Antoni nasceu 29 julho 1908, na aldeia de Sadlowo, na diocese de Plock, na Polônia.
         A precariedade da família levou-o a trabalhar a partir de uma idade precoce. Em 5 de Março de 1930 ele entrou no convento dos Frades Menores Conventuais e Niepokalanow.
        De janeiro de 1931 ele foi capaz de iniciar o seu noviciado com o nome de Tymoteusz. Toda a vida religiosa foi realizada em Niepokalanow, trabalhando no departamento de expedição da revista "Cavaleiros da Imaculada", no entreposto e fornecimento nell'infermeria, onde se dedicou aos doentes.
         Em 3 de Maio de 1937 comunicada ao seu superior a sua vontade de ir em uma missão "em qualquer lugar, qualquer hora, desde a vontade de Deus." Irmão disciplinado e fiel à sua vocação, tinha uma grande confiança por parte de seu famoso pai superior Kolbe.
          À eclosão da II Guerra Mundial em 1939, ele optou por permanecer Niepokalanow. Em 14 de Outubro de 1941 ele foi preso pela Gestapo com seis irmãos, incluindo um Bonifacy, e encarcerados na prisão de Varsóvia.
          Na prisão ele foi capaz de dedicar muito tempo à oração, dando coragem a outros e oferecer cada vez para um trabalho árduo. Em 8 de Janeiro de 1942 ele foi novamente deportado com Bonifacy entre o campo de concentração de Oswiecim com o número 25431.
         Foi originalmente destinado ao transporte de materiais de construção e, em seguida, de escavação e transporte de cascalho. Sempre suportou com grande coragem, a fome, o frio e trabalho árduo.
         Acometido de pneumonia, morreu em 28 julho 1942. Foi proclamado Beato pelo Papa João Paulo II em 13 de Junho de 1999 em Varsóvia, o grupo de 108 mártires polacos do nazismo.

Fonte: Arautos do Evangelho

Beato Daniel Aleixo Brottier



           Daniel Aleixo Brottier nasceu no dia 7 de setembro de 1876, na diocese francesa de Blois. Desde a infância revelou um caráter caridoso e profunda religiosidade. Ingressou no seminário em 1890, passando com tranqüilidade pelas ordenações menores, fazendo por um ano o serviço militar e se consagrando sacerdote aos vinte e três anos.
          Iniciou seu ministério lecionando no colégio eclesiástico, próximo de Paris, mas sentiu logo sua particular vocação para a vida missionária. Em 1902, ingressou na Congregação do Espírito Santo, na qual, emitiu seus votos perpétuos, um ano depois. Como padre espiritiano partiu para o distante Senegal, colônia francesa na África, onde deu vazão ao seu zelo missionário, de forma ímpar.
          Depois de três anos, adoeceu gravemente e teve de retornar em definitivo. Mas, não abandonou sua missão. Na França, fundou a obra do "Memorial Africano" com o objetivo de construir a catedral de Dakar, capital do Senegal. Para isto, com o apoio do bispo de Dakar, outro padre espiritiano, foi nomeado vigário geral de Dakar, com residência em Paris e diretor da Catedral-Monumento.
         Padre Daniel entrou com entusiasmo no jogo do seu bispo, e cumpriu sua tarefa. Organizou um secretariado, instalou um serviço de relações públicas, envolvendo no projeto um conjunto de personalidades, mas, sobretudo, emitiu uma alma para esta obra, de maneira que os cristãos da França não puderam ficar insensíveis. Depois de alguns meses de trabalho persistente, uma rede de amigos solidários se formou e se fixou, em todo o país.
          O trabalho foi interrompido durante a Primeira Guerra Mundial, em 1914, quando ele foi voluntário e se alistou como capelão militar nas linhas de frente. Por quatros anos, assistiu os moribundos, cuidou dos feridos, dando assistência espiritual a todos, oficiais e soldados. Capelão lendário, arrojado e ponderado, corajoso e prudente, amigo e confidente, no final da Guerra, foi condecorado como "Oficial da Legião de Honra" e da "Cruz de Guerra".
          A partir de 1919, padre Daniel retomou com toda energia o apostolado missionário e o projeto da Catedral de Dakar. Em 1923, decidiu fazer mais, fundou a Casa dos Órfãos Aprendizes de Autenil, passando a ser chamado "Pai dos Órfãos". Foi nomeado diretor da Casa pelo próprio Cardeal de Paris. À esta obra dedicou os últimos treze anos da sua vida. Educador nato, bondoso, conseguiu abrigar cerca de mil e quatrocentos jovens carentes e abandonados, sem nunca dispensar nenhum que batesse à sua porta. Fundou também a União Nacional dos Antigos Combatentes, tendo cerca de dois milhões de associados.
         Sua fé, sua oração, sua grande capacidade inventiva e de organização fizeram dele um apóstolo e "homem de empresa", inovador, atuante e contemplativo; foi um padre moderno, um religioso inserido no seu tempo. No dia 2 de fevereiro de 1936, a Catedral de Dakar foi consagrada e entregue aos senegaleses. Ele não esteve presente, muito doente, morreu vinte e seis dias depois, em Paris. O Papa João Paulo II, em 1984, declarou Beato, Daniel Aleixo Brottier, cuja festa marcou para o dia do seu transito.

Santo Osvaldo, bispo

          

          Osvaldo figura entre os grandes nomes católicos da Inglaterra e da Europa ao final do primeiro milênio. De origem dinamarquesa, ele era sobrinho de Oto, arcebispo da Cantuária e parente de Osil, arcebispo de York. Para abraçar a religião escolheu a vida de monge beneditino e, por isso, ingressou no convento de Fleury-sur-Lofre, na França.
           Entretanto, Osvaldo foi chamado por seu tio Oscil que, desejando fazer reformas em sua diocese, escolheu o sobrinho para encabeçá-las, por causa de seu senso de justiça e da generosidade para com os pobres.
           Assim, ele foi nomeado bispo de Worcester e uniu-se a dois outros religiosos da mesma estirpe da região: Dunstan, arcebispo de Cantuária e Eteluolde , bispo de Winchester. Desse modo, Osvaldo conseguiu restabelecer a disciplina monástica que levou a diocese de seu tio a recuperar o caminho correto dentro do cristianismo. Fundou dois mosteiros em Westburi, perto de Bristol e o mais influente, o de Ramsei.
           Por esta e muitas outras obras, o rei Edgar, o nomeou arcebispo de York, em 972. Osvaldo fundou ainda uma abadia de beneditinos em Worcester e desenvolveu muito o estudo científico nos mosteiros e conventos que dirigiu.
           Mas, ao mesmo tempo em que dava grande importância aos estudos terrenos, em nenhum momento se desprendeu das obrigações e regras espirituais, alcançando a graça de receber dons especiais e vivenciar muitos fatos prodigiosos. Consta que ele operou diversas graças em vida.
          No dia 28 de fevereiro de 992, como de hábito o bispo Osvaldo reproduzia durante a Quaresma a cerimônia do lava-pés e estava banhando ele próprio os pés de doze mendigos, quando morreu. O seu corpo foi transladado para uma nova sepultura na igreja de Santo Vulfistano, ele também bispo de Worcester de 1062 até 1095.

São Romano, monge e fundador


            Nascido no ano 390, o monge Romano era discípulo de um dos primeiros mosteiros do Ocidente, o de Ainay, próximo a Lion, na França. No século IV, quando nascia a vida monástica no Ocidente, com o intuito de propiciar elementos para a perfeição espiritual assim como para a evolução do progresso, ele se tornou um dos primeiro monges franceses.
            Romano achava as regras do mosteiro muito brandas. Então, com apenas uma Bíblia, o que para ele era o indispensável para viver, sumiu por entre os montes desertos dos arredores da cidade. Ele só foi localizado por seu irmão Lupicino, depois de alguns anos. Romano tinha se tornado um monge completamente solitário e vivia naquelas montanhas que fazem a fronteira da França com a Suíça. Aceitou o irmão como seu aluno e seguidor, apesar de possuírem temperamentos opostos.
             A eles se juntaram muitos outros que desejavam ser eremitas. Por isso teve de fundar dois mosteiros masculinos, um em Condat e outro em Lancome. Depois construiu um de clausura, feminino, em Beaume, no qual Romano colocou como abadessa sua irmã. Os três ficaram sob as mesmas e severas regras disciplinares, como Romano achava que seria correto para a vida das comunidades monásticas. Romano e Lupicino se dividiam entre os dois mosteiros masculinos na orientação espiritual, enquanto no mosteiro de Beaume, Romano mantinha contato com a abadessa sua irmã, orientando-a pessoalmente na vida espiritual.
           Consta nos registros da Igreja que, durante uma viagem de Romano ao túmulo de São Maurício, em Genebra, ele e um discípulo que o acompanhava, depois também venerado pela Igreja, chamado Pelade, tiveram de ficar hospedados numa choupana onde havia dois leprosos. Romano os abraçou, solidarizou-se com eles e, na manhã seguinte, os dois estavam curados.
            A tradição, que a Igreja mantém, nos narra que este foi apenas o começo de uma viagem cheia de prodígios e milagres. Depois, voltando dessa peregrinação, Romano viveu recluso, na cela de seu mosteiro e se reencontrou na ansiada solidão. Assim ele morreu, antes de seu irmão e irmã, aos 73 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 463.
           O culto de São Romano propagou-se velozmente na França, Suíça, Bélgica, Itália, enfim por toda a Europa. As graças e prodígios que ocorreram por sua intercessão são numerosos e continuam a ocorrer, segundo os fieis que mantêm sua devoção ainda muito viva, nos nossos dias.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Servo de Deus José Tous e Soler, sacerdote e fundador

           

            José Tous e Soler, sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e fundador da Congregação das Irmãs Capuchinhas da Mãe do Divino Pastor; nascido em 31 de Março de 1811 em Igualada (Espanha) e falecido em 27 de Fevereiro de 1871 em Barcelona (Espanha). Nascido em Igualada em 31 de Março de 1811  no seio de uma família profundamente cristã é o nono de doze irmãos. Em idade precoce sentiu a chamada de Deus e não se deixou atrás: opta por seguir a Cristo segundo a “forma de vida” de Francisco de Assis.
             Aos 15 anos, amadurecida sua opção, inicia o postulado na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Impulsionado pelo Espírito muda a vida acomodada de seu lar e o prestigio social que tinham alcançado os Tous, pela vida pobre, penitente e humilde dos capuchinhos.
             Em 18 de Fevereiro de 1827, vestido com o hábito franciscano, começa o Noviciado como frade menor capuchinho. Desde o Noviciado se distinguiu por sua distinta fidelidade à vida de noviço, com uma entrega generosa ao estudo e à oração. O Evangelho, Maria, são Francisco e o amor ao próximo modelou seu coração capuchinho. Em 19 de Fevereiro de 1828, Frei José de Igualada, é já capuchinho e começa seu caminho até ao sacerdócio. Seis anos de vida escondida, de oração, silêncio, de abnegada dedicação ao estudo de itinerância (Calella, Gerona, Valls, Vilanova), vividas no ambiente franciscano alegre e simples da comunidade capuchinha até receber a Ordenação Sacerdotal em Barcelona em 24 de Maio de 1834, aos 23 anos.
              Nesse ano foi destinado ao Convento de Santa Madrona. Mas transcorridos apenas dois meses, em 25 de Julho de 1835, a violência da revolução arrancou-o do convento. Junto com outros irmãos e por conselho de seus superiores, aceitou o exílio fora de Espanha. De povo em povo, ao estilo capuchinho daquele tempo, frei José percorreu a costa mediterrânea de França até Greccio (Itália). Mas Itália não foi o lugar adequado para viver seu exílio e em 1837 se instalou em Toulouse (França) exercendo o sacerdócio ministerial no Mosteiro das Beneditinas. Ali pôde dedicar tempo à contemplação e à adoração da Eucaristia e à ajuda espiritual das jovens do internato.
             Empurrado por seu zelo apostólico, regressava a Catalunha em 1843 para trabalhar na Igreja local, como sacerdote secular já que não estava autorizada a vida conventual. Viveu com seus pais enquanto desenvolvia o ministério sacerdotal em diferentes paróquias. A Eucaristia, a devoção a Maria, Mãe de Jesus Bom Pastor, a Associação de donzelas da menina e mártir santa Romana, foram os meios de que o Padre Tous se serviu para derramar a Paz e o Bem na juventude que o buscava para receber conselho e orientação.
            Os sentimentos de compaixão para com as crianças e jovens, que o Bom Pastor pôs no coração do Padre José, convergiam com os piedosos desejos das jovens Isabel Jubal, Marta Suñol e Remédio Palos: “Derramar no terno coração das crianças os santos pensamentos e devotos afectos que Deus lhes comunicava na oração”. Depois de amadurecer na oração e consultar o projeto, o Padre Tous aceitou orientá-las.
            Partindo da Regra de Santa Clara, adequa as Constituições capuchinhas da beata Maria Ángela Astorch para umas Capuchinhas Terceiras de Ensino. Se estabeleceram em Ripoll em Março de 1850 para iniciar a vida comunitária, e, em 27 de Maio abriam as portas da primeira escola. Os anos que lhe restam de vida, os dedica à atenção caritativa e prudente às Irmãs assim como às comunidades que se vão formando: São Quirico de Besora, Barcelona e Madrid.
            Em seus escritos às Irmãs aflora seu espírito capuchinho: as Irmãs “estão chamadas à vida mista de contemplação e ação”. Insiste em que só desde o “amor a Jesús” alimentado na oração, é possível “a união santa”; que só desde a “humildade” é possível a “obediência”; que o trabalho das Irmãs é sua única fonte de recursos; que “Maria os conduzirá a Jesús”, a forma de renovar a presença amorosa de Deus na vida; que é necessário viver desde a “fé e a confiança em Deus que já sabe o que nos convém”… E deixa a terra pelo Céu enquanto celebrava a Missa no convento de Barcelona. Era em 27 de Fevereiro de 1871.
           Em 19 de Dezembro de 2009 S.S. Bento XVI autorizou a promulgação do decreto que reconhece um milagre atribuído à intercessão do Servo de Deus José Tous, ainda está pendente se indique a data da beatificação.

Santa Ana Line, viúva e mártir

           

           Mártir inglesa, morreu em 27 de Fevereiro de 1601. Foi filha de William Heigham de Dunmow (Essex), cavalheiro de boa posição económica e um ardente calvinista. Quando ela e seu irmão manifestaram sua intenção de converter-se em católicos, ambos foram repudiados e deserdados por seu pai. Ana contraiu matrimónio com Roger Line, converso como ela, mas pouco depois de seu casamento, foi detido por assistir à missa. Após um breve espaço de tempo, foi posto em liberdade e se lhe permitiu ir para o exílio na Flandres, onde morreu em 1594.
            Quando o padre John Gerard estabeleceu uma casa de refúgio para sacerdotes em Londres, se pôs a cargo a senhora Line. Depois de escape do padre Gerard de la Torre em 1597, e ao mesmo tempo que as autoridades começavam a suspeitar que Line o ajudava, foi transferida a outra casa, mesma que converteu em centro de reuniões para os católicos vizinhos.
            No dia da Purificação (1601), o padre Francis Page, S.J., estava a ponto de celebrar missa no dito edifício, quando entraram caçadores de sacerdotes. O padre Page imediatamente tirou a vestimenta religiosa e se misturou com os demais; mas bastou a presença de um altar preparado para a cerimônia para prender a senhora Line.
            Foi julgada em Old Bailey em 26 de Fevereiro de 1601, e acusada segundo a acta 27 da rainha Isabel, quer dizer, por dar albergue a um sacerdote, ainda quando isto não pudesse provar-se. No dia seguinte foi levada à forca, e valentemente proclamando sua fé alcançou o martírio pelo que havia rogado. Seu destino o compartilharam dois sacerdotes, beato Mark Barkworth, O.S.B., e beato Roger Filcock, S.J., que foram executados ao mesmo tempo. Roger Filcock havia sido por muito tempo amigo e frequente confessor da senhora Line.
           Depois de entrar na universidade inglesa de Reims em 1588, foi enviado junto com outros em 1590 a colonizar o seminário de Santo Albán em Valladolid, e, uma vez que terminou ali seus cursos, foi ordenado e enviado à missão inglesa. O padre Garnett o fez passar um período de prova de dois anos para comprovar sua tempera antes de a admitir na Sociedade de Jesús. Ao ver que era fervente e valoroso, o admitiu finalmente. Já ia a cruzar até ao continente para cumprir seu noviciado quando foi preso por suspeitas de ser sacerdote e foi executado após um julgamento que mais parecia uma farsa. [

São Nicéforo, mártir

         

         Nicéforo era um cidadão de Antioquia, atual Síria, nascido no ano 260. Discípulo e irmão de fé do sacerdote Sabrício, tornaram-se amigos muito unidos e viveram nos tempos dos imperadores Eutiquiano e Caio.
           Não se sabe exatamente o porquê, mas Nicéforo cometeu algum mal com relação a Sabrício que nunca mais o desculpou. Pediu perdão muitas vezes, diga-se inclusive que ainda existem os registros desses seus pedidos. Mas, Sabrício nunca o concedeu, contrariando a própria religião cristã, da qual era sacerdote. Ele levou até o fim esta falta de solidariedade, apesar de Nicéforo ter chegado a se ajoelhar para implorar sua absolvição.
          Um dia, Sabrício foi denunciado e processado por ser católico e compareceu ao tribunal. Em princípio parecia disposto a qualquer martírio, cheio de coragem e determinação. Assumiu ser sacerdote cristão, recusou-se a sacrificar aos deuses pagãos e resistiu às mais bárbaras torturas. Mas, ao ser condenado à morte e receber a ordem de se ajoelhar para ter a cabeça cortada, aceitou render homenagens aos deuses pagãos em troca de liberdade. Nicéforo, que assistira ao julgamento e chegara a pedir novamente perdão ao padre, dizendo que com isso ele teria o apoio de Deus para enfrentar as dores que o aguardavam, escandalizou-se com a infidelidade do estimado sacerdote.
           Mesmo sem ter sido acusado ou convocado ao tribunal, Nicéforo apresentou-se de livre e espontânea vontade como cristão, disposto a morrer no lugar daquele que renegara sua fé em Cristo. Minutos depois, foi executado. Os registros e a tradição narram que sua cabeça rolou na arena e acabou depositada justamente aos pés do insensível sacerdote Sabrício.
          O Martirológio Romano registra outro santo com esse nome, que viveu mais de seis séculos depois e cuja atuação em defesa da unidade da Santa Mãe, a Igreja, não foi menos corajosa e eficiente. Por isso o culto à esse primeiro mártir permanece firme, vivo e constante ao longo do tempo

São Leandro de Sevilha, bispo

            

             Nasceu em Cartagena este grande Bispo da Espanha, defensor impertérrito dos interesses da Igreja. Como ele, foram canonizados seus irmãos Fulgêncio e Isidoro e sua irmã Florentina. Já na mocidade gozava Leandro fama de grande sábio. Este renome ainda cresceu com a entrada para a Ordem de S. Bento, em Hispalis.
             Cumpridor consciencioso de todos os deveres, em pouco tempo Leandro se tornou modelo de religioso perfeito. Morto o Bispo de Sevilla, foi ele eleito sucessor do mesmo. Reinava naquele tempo Leovegildo, fautor e protetor da seita ariana, e inimigo figadal dos católicos. Foi sempre a maior diligência de S. Leandro confirmar na fé os católicos e chamar os herejes ao aprisco do Bom Pastor.
             Grande consolação trouxe-lhe a conversão do príncipe real mais velho, Hermenegildo, que mais tarde, em testemunho da fé, sofreu o martírio. Os resultados estupendos que teve, na propaganda entre os hereges, mereceram-lhe o ódio profundo dos arianos, os quais, por diversas vezes tentaram matá-lo; se não conseguiram seu intento, foi por uma proteção divina visível. Sempre alcançaram do rei, amigo e fautor da seita, que   Leandro e o irmão Fulgêncio fossem desterrados do reino. Assim tiraram ao Bispo a possibilidade de trabalhar pessoalmente na diocese. Do desterro, porém, dirigia pastorais aos diocesanos, escrevia contra os arianos, desfazendo-lhes as doutrinas errôneas e refutando-lhes as sofísticas objeções.
             Decorrido algum tempo, Leandro foi repatriado. O rei vendo os milagres estupendos que se realizavam no túmulo de seu filho Hermenegildo, arrependeu-se do que tinha feito e estando para entregar a alma a Deus, recomendou ao segundo filho, Recaredo, respeito e obediência ao santo Bispo Leandro. Fez mais: Pediu a este pessoalmente que se interessasse pelos filhos e os instruísse nas verdades da religião. São Gregório Magno escreve que Leovegildo, apesar de ter reconhecido a verdade da religião Católica, não teve coragem nem na hora da morte, de fazer profissão desta mesma fé, receando provocar assim uma sublevação dos arianos. Recaredo converteu-se ao cristianismo, fez valer sua influência, no sentido de reconduzir também os súditos à Igreja-Mãe. A pedido de Leandro, o Papa Gregório Magno convocou um Concílio, no qual se fez representar pelo Bispo de Sevilla. Os trabalhos deste Concílio foram coroados de brilhante êxito. Numerosos súditos, leigos e clérigos, seguiram o exemplo do soberano e entraram no grêmio da Igreja Católica.
             Reconhecendo e aplaudindo o zelo apostólico de Leandro, a história conferiu-lhe mui merecidamente o título de “Apóstolo dos Godos”, sendo principalmente devido aos seus esforços, que estes povos foram arrebatados aos erros do heresiarca Ário. Gregório Magno, numa carta autógrafa a Leandro, deu expansão ao seu grande contentamento, pelo fato inesperado da conversão do povo, mas principalmente do rei. A este fez ver a necessidade da concordância que deve haver, entre as regras da religião e da vida prática. Grande era a veneração que São Gregório dedicava a São Leandro. Testemunham esta veneração as numerosas cartas que lhe dirigiu, e nas quais se recomendava às orações do santo Bispo. O Papa, sabendo que Leandro sofria de gota, escreveu-lhe o seguinte: “Como soube, Vossa Excelência é bastante martirizado pela gota. É o mesmo mal que me acompanha. Que havemos de fazer nas nossas dores, senão lembrarmo-nos dos nossos pecados e agradecer ao bom Deus? Pelas dores na carne seremos purificados dos pecados cometidos pela carne. Cuidemos, pois, que não aconteça passarmos deste sofrimento a outros tormentos ainda maiores”.
             Esta carta foi um consolo para Leandro, nos seus sofrimentos. Sentindo-se melhor, entregou-se de novo aos trabalhos apostólicos, ensinando os ignorantes, visitando os doentes, consolando e socorrendo os necessitados. Aos ricos recomendava a prática da caridade e aos pobres exortava para que tivessem paciência com a sorte que Deus lhes dera.
             Interesse particular dispensava aos convertidos; estes, por sua vez, o amavam como a um pai.
             Se antes da conversão lhe tinham amargurado a vida, pela rebeldia e o ódio, agora lhe prestavam filial respeito e obediência. Leandro pregava quase diariamente. Homem de oração, implantava nos corações de outros, particularmente nos dos religiosos, o amor à oração. Numa carta à irmã Florentina se encontram os mais belos e sábios ensinamentos sobre este assunto, como também sobre o desprezo do mundo.
             Após uma vida cheia de trabalhos, fadigas, dores e merecimentos, Deus chamou seu fiel servo ao eterno descanso. Leandro, contava 80 anos, quando, em 600, se despediu deste mundo. O corpo do Santo foi entregue na Igreja das Santas Justina e Rufina.

São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, religioso

           

            No dia primeiro de março de 1838 recebeu o nome de Francisco Possenti, ao ser batizado em Assis, sua cidade natal. Quando sua mãe Inês Friscioti morreu, ele tinha quatro anos de idade e foi para a cidade de Espoleto onde estudou em instituição marista e Colégio Jesuíta, até aos dezoito anos. Isso porque, como seu pai Sante Possenti era governador do Estado Pontifício, precisava a mudar de residência com freqüência, sempre que suas funções se faziam necessárias em outro pólo católico.
           Possuidor de um caráter jovial, sólida formação cristã e acadêmica, em 1856 ingressou na congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, ou seja, os Passionistas. Sua espiritualidade foi marcada fortemente pelo amor a Jesus Crucificado e a Virgem Dolorosa
           Depois foi acolhido para o noviciado em Morrovalle, recebendo o hábito e assumindo o nome de Gabriel de Nossa Senhora das Dores, devido à sua grande devoção e admiração que nutria pela Virgem Dolorosa. Um ano após emitiu os votos religiosos e foi por um ano para a comunidade de Pievetorina para completar os estudos filosóficos. Em 1859 chegou para ficar um período com os confrades da Ilha do Grande Sasso. Foi a última etapa da sua peregrinação. Morreu aos vinte e quatro anos, de tuberculose, no dia 27 de fevereiro de 1862, nessa ilha da Itália.
            As anotações deixadas por Gabriel de Nossa Senhora das Dores em um caderno que foi entregue a seu diretor espiritual, padre Norberto, haviam sido destruídas. Mas, restaram de Gabriel: uma coleção de pensamentos dos padres; cerca de 40 cartas testemunhando sua devoção à Nossa Senhora das Dores e um outro caderno, este com anotações de aula contendo dísticos latinos e poesias italianas.
           Foi beatificado em 1908, e canonizado em 1920 pelo Papa Bento XV, que o declarou exemplo a ser seguido pela juventude dos nossos tempos.
           São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, teve uma curta existência terrena, mas toda ela voltada para a caridade e evangelização, além de um trabalho social intenso que desenvolvia desde a adolescência. Foi declarado co-patrono da Ação Católica, pelo Papa Pio XI, em 1926 e padroeiro principal da região de Abruzzo, pelo Papa João XXIII, em 1959.
           O Santuário de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, é meta de incontáveis peregrinações e assistido pelos Passionistas, é um dos mais procurados da Itália e do mundo cristão. A figura atual deste Santo jovem, mais conhecido entre os devotos como o "Santo do Sorriso", caracteriza a genuína piedade cristã inserida nos nossos tempos e está conquistando cada dia mais o coração de muitos jovens, que se pautam no seu
exemplo para ajudar o próximo e se ligar à Deus e à Virgem Mãe.


Santa morte de um santo



os restos mortais de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores




Nossa Senhora das Dores



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Beato Vitor de Arcis, confessor

           Vítor nasceu no século VI em Troyes, na Campânia, França. Diz-se que, sete meses antes do nascimento, anunciou um possesso a sua futura santidade. Logo que o menino recebeu o batismo, mostraram-se nele marcas sensíveis da presença do Espírito Santo. Educado unicamente para Deus, não teve gosto senão pelas verdades celestiais, recebeu o sacerdócio e exerceu algum tempo o ministério de sacerdote. Mas, cedendo ao seu atractivo pela solidão, tudo abandonou a fim de se retirar para o território de Arcis, para junto duma aldeiazinha chamada Saturniae, junto dum rio.
           Passando o dia e a noite em oração, parecia não ter corpo; juntava à contemplação o exercício do jejum. A fama dos milagres obtidos por sua intercessão atraiu-lhe visitas numerosas, mesmo das pessoas mais ilustres. O rei de França, (Chilperico, Childerico ou Clotário II) , numa das suas caçadas, apresentou-se para o visitar e foi testemunha dum dos seus milagres; tendo-lhe o rei apresentado água numa bacia, o santo, ao que se diz, transformou com a sua bênção esta água em vinho.
           As graças extraordinárias, de que dispunha para a santificação dos outros, apenas lhe inspiravam sentimentos de profunda humildade. Morreu, ao que se diz, em 26 de Fevereiro , dia que foi escolhido para a celebração da sua festa.
          O corpo foi enterrado na cela de Saturniae. Construiu-se lá um oratório, que se tornou, por corrupção do nome, a capela de São Vittre. Em 837, os restos foram transferidos para a abadia de Montiramé (Moutier-Ramey), diocese de Troyes. Alguns séculos mais tarde, S. Bernardo compôs um ofício próprio em honra do Santo; daí resultou o aumento do culto

São Porfírio de Gaza, bispo

         

           Porfírio teve muitos fatos prodigiosos em sua vida que começou em Tessalônica, na Grécia, onde nasceu no ano 347. Ele já era formado nas ciências quando, aos trinta e um anos, decidiu viver no deserto de Scete, no Egito onde se tornou um eremita e ficou por cinco anos. Depois visitou os lugares santos de Jerusalém e se estabeleceu às margens do rio Jordão, por outros cinco anos. Nessa ocasião conheceu o discípulo Marcos e se juntou à ele na evangelização. Mas a caverna onde residia era tão insalubre que Porfírio ficou muito doente, tendo que voltar a Jerusalém.
          Recebeu então a notícia da morte dos pais, de quem tinha grande herança para receber. Mas, ele decidiu continuar pobre e mandou que todos os bens fossem divididos entre os pobres de sua terra natal. Depois, Porfírio teve um desmaio em Jerusalém e, de repente, viu-se frente a frente com Cristo crucificado, tendo ao seu lado o bom ladrão, Dimas. Jesus mandou que este levantasse Porfírio do chão, depois desceu Ele mesmo da cruz e deu-a ao santo, ordenando-lhe que cuidasse dela. Ao voltar do desmaio, Porfírio estava curado. A ordem recebida na visão foi aplicada por João, bispo de Jerusalém, que nomeou Porfírio como "guarda do santo lenho".
          As notícias sobre as graças e prodígios que aconteciam com ele se espalharam e os sacerdotes de Gaza, após a morte do bispo, pediram que Porfírio assumisse o posto. A sua modéstia o impedia de aceitar, mas tantos foram os pedidos e a insistente atuação dos pagãos idólatras era tão intensa na cidade, que ele acabou concordando. Existia em Gaza um grande templo para adoração das divindades pagãs. Os infiéis, sabendo da decisão de Porfírio de combatê-los, planejaram matá-lo. Entretanto, o bispo acabou vencendo todos os inimigos pela fé.
          Uma seca violenta assolou a região e os agricultores, desesperados, faziam muitos sacrifícios nesse templo, pedindo chuva aos deuses pagãos. Nenhuma gota de água caía do céu. Porfírio ordenou então, um dia de jejum. Depois comandou uma procissão de penitência à uma capela situada na periferia da cidade. Mal terminou a procissão, a chuva começou a cair, abençoada e insistente. A partir daí, a maioria dos pagãos passou a se converter.
           Porém, sobraram ainda alguns poucos pagãos para tramar a morte do bispo Porfírio. Aconteceu, porem, que o imperador também passou a ficar contra os pagãos e o bispo conseguiu autorização para derrubar o templo pagão que estava instalado na diocese de Gaza. Ficou na cidade apenas uma última estátua pagã, a da deusa Vênus. Certo dia, o bispo colocou-se diante dela e a estátua desmoronou sozinha, formando dezenas de pedaços. Era o que faltava para que mais pagãos se convertessem.
           A fama de santidade acompanhou o bispo Porfírio até sua morte, em 26 de fevereiro 420, aos setenta e três anos de idade, quando, depois dos vinte e cinco anos de episcopado, quase não havia pagãos na sua querida diocese de Gaza.

Santo Alexandre do Egito, bispo

         

           Alexandre que nasceu em 250, mereceu ocupar um lugar de destaque de primeiro plano no elenco dos grandes vencedores da fé cristã. Homem de profunda cultura, unida ao zelo e bondade, Alexandre foi eleito bispo em 312, para a importante sede da Igreja em Alexandria, no Egito.
           Um dos primeiros cuidados, deste bispo de sessenta anos, foi o da formação e da escolha dos religiosos entre homens de comprovada virtude. Deu início à construção da igreja de são Theonas, a maior da cidade e foi um dos protagonistas da luta contra a heresia de Ário, chamada ariana.
           Ário, que tinha sido ordenado sacerdote pelo bispo Aquiles, parece ter sido o responsável pela indicação e divulgação do nome de Alexandre para a nova eleição. Foi considerado um homem arrojado para a época, pois usava todos os meios possíveis de comunicação para a divulgação de suas idéias. Até que começou a espalhar entre os fiéis e religiosos uma doutrina que não concebia a divindade de Cristo. Considerava apenas o Pai como Deus, enquanto que Cristo não era divino, mas apenas um ser humano, superior aos demais.
          Este foi um árduo combate que a Igreja venceu, graças à fé inabalável de Alexandre, que percebendo a péssima influência de Ário, primeiro o repreendeu como um filho rebelde. Mas, depois, teve de usar o recurso extremo de um sínodo de bispos, que resultou na condenação daquela doutrina. Porém, o herege não se submeteu. Nem mesmo atendeu ao imperador Constantino, que também interferiu na controvertida questão religiosa, antevendo conflitos entre a população. Só então Alexandre insistiu com o papa e o imperador para a convocação o concílio de Nicéia, ocorrido em 325.
          Nessa importante reunião o bispo Alexandre, então já muito velho e enfermo, foi acompanhado por Atanásio, que ainda não era sacerdote. Este ainda adolescente, foi notado e apreciado pelo bispo, que o tomou sob sua proteção e o fez seu secretário.
          Quando voltou do concílio, Alexandre foi acolhido triunfalmente em Alexandria. Cinco meses antes de morrer em 26 de fevereiro de 328, ele dignou como sucessor naquela sede episcopal, o discípulo Atanásio, para acabar com a doutrina ariana. O culto de Santo Alexandre, patriarca da Alexandria, se difundiu sendo venerado no dia de sua morte.

Santa Paula Montal Fornés de São José de Calazans, religiosa e fundador

           

            Na vila de Arenys de Mar, perto de Barcelona, Espanha, nasceu Paula Montal Fornés em 11 de outubro de 1799, que no mesmo dia recebeu o batismo. Paula passou a infância e a juventude em sua cidade natal, trabalhando desde os 10 anos de idade, quando seu pai morreu. O seu lazer era a vida espiritual da sua paróquia, onde se destacou por sua devoção à Virgem Maria.
            Paula Montal, durante este período, constatou, por sua própria experiência, que as possibilidades de acesso à instrução e educação para as mulheres eram quase nenhuma. Um dia quando estava em profunda oração, se sentiu iluminada por Deus para desenvolver este dever. Decidiu deixar sua cidade natal para fundar um colégio inteiramente dedicado à formação e educação feminina.
            Paula Montal se transferiu para a cidade de Figueras, junto com mais três amigas de espiritualidade Mariana, e iniciou sua obra. Em 1829, ela abriu a primeira escola para meninas, com amplos programas educativos, que superavam o sistema pedagógico dos meninos. Era uma escola nova.
           Assim, Paula Montal com o seu apostolado totalmente voltado à formação feminina, se tornou a fundadora de uma família religiosa, inspirada no lema de São José de Calazans: "piedade e letras". Sempre fiel a sua devoção à Virgem Maria, deu o nome para a sua Congregação de Filhas de Maria. A estas religiosas transmitiu seu ideal de: "Salvar a família, educar as meninas no santo temor de Deus". E continuou se dedicando à promoção da mulher e da família.
           Em 1842, abriu o segundo colégio em sua terra natal, Arenys de Mar. Nesta época, Paula Montal decidiu seguir os regulamentos da Congregação dos Padres Escolápios, fundada por São José de Calazans com quem se identificava espiritualmente. Um ano após abrir sua terceira escola, Paula Montal conseguiu a autorização canônica para, junto com suas três companheiras, se tornar religiosa escolápia. Em 1847, a congregação passou a ser Congregação das Filhas de Maria, Religiosas Escolápias, que ano após ano crescia e criava mais escolas por toda a Espanha.
           Paula Montal deu a prova final de autenticidade, da coragem e da ternura do seu espírito modelado por Deus, em 1959. Neste ano, no pequeno e pobre povoado de Olesa de Montserrat, fundou sua última obra pessoal: um colégio ao lado do mosteiro da Virgem de Montserrat. Alí ficou durante trinta anos escondida, praticando seu apostolado. Morreu aos 26 de fevereiro de 1889 e foi sepultada na capela da Igreja da Matriz de Olesa Montserrat, Barcelona, Espanha.
           Solenemente foi beatificada em 1993, pelo Papa João Paulo II que posteriormente a canonizou em Roma, no ano de 2001. A mensagem, do século XIX, de Santa Paula Montal Fornés de São José de Calazans será sempre atual e fonte de inspiração para a formação das gerações do terceiro milênio cristão.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Beata Maria Adeodata Pisani, monja beneditina

           

         Nasceu em Nápoles (Itália) no dia 29 de dezembro de 1806. Era filha do nobre Benedetto Pisani, Barão de Frigenuini, nascido em Malta. No batismo recebeu o nome de María Teresa. Por causa de conflitos familiares - seus pais se separaram - foi educada por sua avó paterna, a Baronesa Elisabetta Mamo, que morava em Pizzofalcone (Nápoles). Na idade de dez anos, quando a avó morreu, foi internada em um colégio, onde recebeu uma boa formação humana e católica. Alí recebeu a Primeira Comunhão e a Confirmação.
           Em 1820-1821 seu pai, envolvido em um movimento liberal, foi preso e condenado a morte. Tendo sua pena sido comutada pelo exílio, voltou para sempre a Malta. María Teresa também se mudou para a ilha, mas para viver com sua mãe, na cidade de Rabat.
           Apesar de sua mãe desejar inseri-la na vida social, querendo que se casasse, María Teresa preferia levar uma vida isolada do mundo, entregue totalmente a uma profunda piedade e intensa oração, quase como se fosse monja. Só saia de casa para ir, diariamente, assistir a Santa Missa.
           Sua vocação religiosa despertou com a pregação de um frade franciscano que falou do Juízio Final. Esse sermão impressionou-a profundamente e enquanto rezava diante de uma imagem da Virgem do Bom Conselho, percebeu com certeza que era chamada a vida religiosa.
           Em 16 de julho de 1828, depois de superar a oposição de seus pais, ingressou no Mosteiro Beneditino de São Pedro, em Mdina, tomando o nome de María Adeodata. Em 8 de março de 1830 fez a profissão religiosa solene.
       Depois da profissão religiosa continuou vivendo na humildade e no sacrifício, virtudes que manifestara durante o noviciado. Nunca buscou cargos, embora tenha exercido todos. Por três vezes foi sacristã e enfermeira, ofícios de que gostava porque o primeiro lhe permitia estar em contato contínuo com Nosso Senhor, e o segundo porque podia servir melhor às suas irmãs de hábito. Foi porteira, embora este trabalho lhe fosse custoso porque dificultavam o silêncio e o recolhimento. Aproveitava esta oportunidade para ajudar os pobresl, aos quais, com a permissão da Superiora, reunia e catequizava.
         Em 30 de junho de 1847 foi nomeda Mestra de Noviças, ofício que desempenhou até 30 de junho de 1851, quando foi eleita Abadessa.
         Como superiora destacou-se sobretudo por seu exemplo de fidelidade à Regra e por seu empenho em ajudar as Irmãs a progredir no caminho da perfeição. Corrigia com prudência e era mais severa consigo mesma do que com as Irmãs.
         Eleita "Discreta" em 30 de junho de 1853, não pode levar a cabo seu último ofício devido suas condições de saúde: a debilidade física era causada especialmente pelas penitências que praticava.
         Sua saúde foi se debilitando e ocasiou o seu falecimento no dia 25 de fevereiro de 1855. Às cinco da manhã desceu ao coro para receber a Comunhão. À Irmã enfermeira, que a dissuadira de ir ao coro, respondeu: "Descerei porque é minha última Comunhão e hoje mesmo morrerei". Após ter recebido a Comunhão teve um infarto e foi levada para a cama. Pediu e obteve a Unção dos Enfermos. Às oito horas da manhã expirou.
          A espiritualidade de Madre Maria Adeodata se reflete no seu comportamento nas diversas etapas de sua vida e nos ensinamentos contidos nos seus escritos, que deixam transparecer uma vivência das virtudes teologais e cardeais que supera muito os níveis comuns da vida religiosa e claustral.
        O processo de beatificação foi iniciado em 1893. O milagre para sua beatificação ocorreu em 24 de novembro de 1897, quando a Abadessa Josefina Damiani, do Monastério de São João Batista, em Subiaco, Itália, teve uma repentina cura de um tumor estomacal depois de rezar pedindo a intercessão de María Pisani. Mas a Causa de Beatificação ficou suspensa durante anos devido a falta de fundos e problemas políticos entre Malta e Itália.
 

Catedral de Mdina, Malta


Vista de Mdina, Malta



São Valério de Astorga, monge

                 

                 A perseguição é herança de quantos querem seguir de perto o Divino Mestre. O Papa Bento XV até chegou a dizer, em animada conversa com um grupo de Cardeais, que a "perseguição" é a quinta nota essencial da Igreja.
                São Valério foi sem dúvida um dos Santos que mais duramente sofreu perseguições durante toda a sua vida. O seu caminho não foi um caminho de rosas.
                Nasceu na província de Leão, perto de Astorga, nos princípios do século VII e por essas redondezas passou quase toda a sua longa vida indo de um lado para outro, encontrando dificuldades de toda a espécie para poder ter uma residência fixa como desejava, a fim de servir a Deus a oração e na penitência.
                Tendo recebido uma esmerada educação cristã, procurou sempre viver de acordo com ela. Cedo se deu conta de que a juventude seguia pelas vias do abandono religioso e da entrega aos prazeres da carne. Ele, para lhes fugir, quis retirar-se para um famoso mosteiro que tinha sido fundado, uns anos antes, pelo santo Bispo de Braga São Frutuoso.
                Apesar das boas intenções e excelentes qualidades que o adornavam, não foi admitido nesse mosteiro, porque outros eram os planos da Divina Provindência.
                Devia carregar com a cruz da perseguição e da penitência, que resultava da insegurança e da vida nómada a que agora se vê forçado em toda a parte. Bem o podiam nomear patrono dos que andam em viagem e dos que não encontram segurança.
                Como sentia um atrativo irresistível para a vida de solidão e silêncio, retirou-se para uma ermida situada perto do castelo da Pe¬dra, próximo de Astorga. Aí se entregou à oração, ao jejum e à mortificação do corpo. Logo correu a voz pelos arrabaldes da santidade de vida daquele jovem ermitão, e muitos eram os que o iam visitar e pedir-lhe orações e conselhos de vida espiritual. Esta ermida estava a cargo de um clérigo que se chamava Flayno. Ao ver as avultadas esmolas que lá deixavam todos os bons visitantes para o seu sustento e para poder ajudar outros mais pobres do que ele.., logo despertou no seu coração avarento o desejo de se apoderar de tudo aquilo, exigindo a Valério que lhe entregasse quanto lhe davam. Mais ainda, obrigou-o a ir-se embora dali, mas os bons cristãos acorriam ao novo paradeiro de Valério e aí depositavam as suas esmolas. Flayno não duvidou em acorrer lá também e queria apoderar-se das esmolas que já nada tinham a ver com a sua, ermida. Chegou inclusivamente a escarnecer dele e a vias de fato.
                Os seus admiradores adquiriram uma ermida num lugarejo chamado Ebronato, e aí se sentia feliz, entregue à oração à penitência. Depressa, porém, o dono daquela propriedade, chamado Racimino, começou a ter inveja dele, por ver que era querido e admirado por toda a gente, e tratou de o expulsar da quinta com grandes impropérios. Pôs à frente daquela igreja um tal Justo, diácono, que de justo apenas tinha o nome, e que também tratou de fazer a vida negra ao pacífico ermitão Valério. Viam-no os fiéis e procuravam ajudá-lo, mas nem sempre o podiam fazer.
                Por fim, depois de mais de vinte anos de duras provas e perseguições de toda a espécie, recebeu a inspiração do céu de se mudar para a região do Bierzo, e aí edificar uma ermida que seria a sua residência até à morte. Assim o fez e naquele lugar tão solitário, longe do ruído mundano, entregou-se à mais dura penitência e prolongada oração. O Senhor abençoou-o copiosamente e fazia muitos prodígios por seu intermédio.
                Fez o voto de não perder nem um minuto de tempo, e assim, quando terminava a sua oração, aplicava-se aos trabalhos manuais ou a escrever. Apesar da sua escassa formação literária, deixou-nos preciosos tratados espirituais e várias vidas exemplares. Por fim, num dia 25 de Fevereiro dos fins do século VII, expirou no Senhor.

Santo Etelberto, rei e fundador

           

          Rei de Kent (560-616), um dos reis de destaque da antiga história britânica. Casou-se com Berta, a filha única de Chariberto, o rei cristão de Paris, e concedeu a sua esposa plena liberdade para participar de sua religião. Impressionado com a piedade e as amáveis virtudes da esposa, o rei resolveu receber uma missão de Roma chefiada pelo bispo beneditino Santo Agustinho ( ? - 604) e seus companheiros. Enviada pelo papa São Gregório Magno (540-604), a missão catequética de Santo Agostinho de Cantuária chegou à Inglaterra com quarenta monges e desembarcou em Thanet (597), para evangelizar as ilhas britânicas.
            O rei lhes rogou que permanecessem na ilha e poucos dias mais tarde, foi pessoalemente escutá-los. Logo deste encontro, deu-lhes permissão para predicar em todo o povo, converter a quantos pudessem e lhes entregou a igreja de São Martinho para que pudessem celebrar a Missa e outras liturgias. Esta missão fundou a famosa Igreja da Cantuária e resultou em milhares de conversões ao catolicismo, inclusive do próprio monarca, que se tornou o primeiro rei inglês em ser convertido a Cristianismo.
            O rei e sua corte foram batizados na festa de Pentecostes (597) e, além disto, deu-lhes permissão para reconstruir as antigas igrejas e construir outras novas.Também publicou o Código de Leis de Ethelberht, o primeiro em ser escrito em idioma germânico, incluindo 90 leis.
            Seu governo se distinguiu pelo empenho que pôs em melhorar as condições de vida dos seus súditos; suas leis lhe garatiram o apreço da Iglaterra, em épocas posteriores, e seu apoio à fé católica permitiu que se construíssem muitos templos, mosteiros e algumas dioceses, como a de Rochester.
            Viúvo e depois de cinqüenta e seis anos de reinado, faleceu (616), e foi sepultado na Igreja de São Pedro e São Paulo, onde já estavam sepultados a rainha SantaBerta e do bispo francês São Liudardo. A influência dele estendeu norte e sul do rio Humber, sendo que um seu sobrinho tornou-se o rei dos Saxões Orientais e a filha dele se casou com o rei Edwin de Northumbria (568-633). 


Ruínas da Abadia de Cantuária, contruída pelo rei Santo Etelberto, na Inglaterra

Beato Domenico Lentine, sacerdote

         

            Domenico Lentine foi um simples e feliz sacerdote, que nasceu, viveu e morreu na cidade de Lauria, no sul da Itália. Último dos cinco filhos do casal Macário e Rosália, camponeses muito pobres, Domingos nasceu no dia 22 de novembro de 1770.
            Resolveu ser padre aos catorze anos, após a morte de sua mãe. Em 1790, aos vinte anos de idade, ingressou no Seminário de Policastro, na cidade vizinha. Como não tinha recursos foi patrocinado por um grupo de padres da região.Quatro anos depois, foi ordenado sacerdote e retornou para Lauria. Lá serviu o ministério sacerdotal da paróquia de São Nicolau e foi professor do ensino primário.
            Padre Domenico se revelou um eloqüente sacerdote cujos sermões eram ouvidos e seguidos por todos os paroquianos. Sabia como chegar à alma daqueles camponeses humildes e desprovidos pela sorte. Mas o que mais impressionava era seu exemplo de vida cristã, pois fazia tudo aquilo que dizia e pregava o Evangelho.
            Muitas vezes padre Domenico era visto nas estradas, entregando aos pobres não só seus sapatos, mas as próprias roupas, ficando apenas com sua veste de sacerdote. A fidelidade a Cristo o fez também um confessor muito requisitado pela população, pela elite e pelos bispos das regiões que vinham em busca de suas palavras e conselhos sacerdotais.
            Em 1799, vieram os tempos das revoluções e contra-revoluções naquela região, inclusive com ocupações dos franceses. A cidade de Lauria ficou totalmente destruída, os fieis se dispersaram e a igreja de São Nicolau ficou em ruínas. Assim que a paz voltou a reinar na região, padre Domenico passou a reconstruir a paróquia de São Nicolau. Não era apenas reerguer as paredes da igreja, teria de recolocar os fiéis no verdadeiro caminho da vida e da fé cristã, que muitos haviam abandonado.
           Ele falava, ensinava, confessava, pregava o Evangelho. Praticava também duríssimas penitências, que o fizeram parecer "a sombra do anjo" que caminhava pelas estradas de Lauria, socorrendo os pobres e famintos, os doentes e abandonados. Nunca se incomodou com as ironias, pois mais valiam as mentes que se conseguia abrir ao Evangelho de Cristo com o seu exemplo de vida penitente e dedicada a Deus para o perdão dos nossos pecados. Padre Domenico tinha o dom da cura, da clarividência dos pensamentos e corações. Ainda em vida intercedia em muitas graças de cura ganhando fama de santo.
           Domenico Lentinie morreu no dia 25 de fevereiro de 1828, em Lauria, Itália. Seus funerais duraram sete dias, durante os quais muitas graças foram alcançadas, causando forte comoção popular. Sepultado na igreja da paróquia de São Nicolau continua sendo venerado pela população de Lauria.
          Padre Domenico Lentine foi beatificado em 1997, pelo papa João Paulo II, que decretou o dia 25 de fevereiro para suas homenagens e festa litúrgica.


Casa onde viveu o beato Domenico Lentine em Lauria, Itália

São Tarásio, bispo

        

         O menino Tarásio nasceu em 730, em Constantinopla, então capital do Império Romano e era filho do prefeito dessa cidade. Cresceu recebendo educação cristã, recheada por vasta cultura literária. Ao se formar, foi nomeado chanceler pelo imperador Constantino VI.
          Tarásio tinha muito prestígio na corte, tanto pelo seu saber como pelas virtudes cristãs. Apesar do luxo e da vida desregrada da nobreza, conseguia se manter ligado aos padrões cristãos de uma existência voltada para a caridade e fé. Assim, por intervenção da imperatriz Irene, que era muito devota, foi nomeado patriarca de Constantinopla. Mas, para aceitar, Tarásio impôs suas condições. Ele queria combater firmemente a heresia iconoclasta, que já motivara vários sínodos da Igreja e fora repudiada em todos. A discussão girava em torno das imagens sagradas das igrejas. Os rebeldes consideravam sua existência como idolatria e queriam seu fim nos templos. Porém, Tarásio, assim como o Papa Adriano I e todos os doutores e bispos da Igreja, defendia o culto e a veneração nas igrejas.
          Para os católicos, não há adoração à estátua e sim uma reverência à memória dos santos, suas obras e sua santidade manifestadas na vida terrena, exemplo a ser seguido pelos fiéis. Por isso, não se trata de idolatria.Tarásio foi um dos que exigiu um concílio, o de Nicéia de 787, para esclarecer o impasse, de modo que as imagens pudessem permanecer. Com esse seu trabalho de conscientização, a heresia foi banida em definitivo das discussões da Igreja.
          O trabalho de Tarásio não se resumiu só a esta grande obra. Fundou um mosteiro e abriu um hospital e vários abrigos para os pobres, que ele recebia à sua mesa como convidados, servindo ele próprio um por um. Fazia questão de dar exemplo e suas atitudes diárias eram todas condizentes com o que pregava, com relação à integridade da fé e a pureza dos costumes. Por exemplo, quando o imperador pretendia tornar oficial uma relação fora do casamento que tinha com uma cortesã, Tarásio se opôs firmemente, sendo ameaçado de morte por Constantino VI, que pretendia conseguir da Igreja o divórcio. Entretanto, este patriarca tinha o Papa e todos os bispos do Oriente e do Ocidente à seu lado. O imperador acabou morrendo antes de transformar a ameaça em condenação real. Assim, pôde dirigir seu rebanho em paz, por muitos anos, da forma como gostava, com mão suave, firme e segura.
          Tarásio morreu aos setenta e seis anos, no ano 806 e foi sepultado no "Santuário de todos os mártires" do convento por ele fundado em Bosforo, estreito que separa a Europa da Ásia.

Santa Valburga, abadessa

        

         Valburga nasceu em Devonshire, na Inglaterra meridional em 710. Era uma princesa dos Kents, cristãos que desde o século III se sucediam no trono. Ela viveu cercada de nobreza e santidade. Seus parentes eram reverenciados nos tronos reais, mas muitos preferiram trilhar o caminho da santidade e foram elevados ao altar pela Igreja, como seu pai, são Ricardo e os irmãos Vilibaldo e Vunibaldo.
          Valburga tinha completado dez anos quando seu pai entregou o trono ao sobrinho, que tinha atingido a maioridade e levou a família para viver num mosteiro. Poucos meses depois, o rei e os dois filhos partiram em peregrinação para Jerusalém, enquanto ela foi confiada à abadessa de Wimburn. Dois anos depois seu pai morreu em Luca, Itália. Assim ela ficou no mosteiro onde se fez monja e se formou. Depois escreveu a vida de Vunibaldo e a narrativa das viagens de Vilibaldo pela Palestina, pois ambos já eram sacerdotes.
          Em 748, foi enviada por sua abadessa à Alemanha, junto com outras religiosas, para fundar e implantar mosteiros e escolas entre populações recém-convertidas. Na viagem, uma grande tempestade foi aplacada pelas preces de Valburga, por ela Deus já operava milagres. Naquele país, foi recebida e apoiada pelo bispo Bonifácio, seu tio, que consolidava um grande trabalho de evangelização, auxiliado pelos sobrinhos missionários.
         Designou a sobrinha para a diocese de Eichestat onde Vunibaldo que havia construído um mosteiro em Heidenheim e tinha projeto para um feminino na mesma localidade. Ambos concluíram o novo mosteiro e Valburga eleita a abadessa. Após a morte do irmão, ela passou a dirigir os dois mosteiros, função que exerceu durante dezessete anos. Nessa época transpareceu a sua santidade nos exemplos de sua mortificação, bem como no seu amor ao silêncio e na sua devoção ao Senhor. As obras assistenciais executadas pelos seus religiosos fizeram destes mosteiros os mais famosos e procurados de toda a região.
         Valburga se entregou a Deus de tal forma que os prodígios aconteciam com freqüência. Os mais citados são: o de uma luz sobrenatural que envolveu sua cela enquanto rezava, presenciada por todas as outras religiosas e o da cura da filha de um barão, depois de uma noite de orações ao seu lado.
         Morreu no dia 25 de fevereiro de 779 e seu corpo foi enterrado no mosteiro de Heidenheim, onde permaneceu por oitenta anos. Mas, ao ser trasladado para a igreja de Eichestat, quando de sua canonização, em 893, o seu corpo foi encontrado ainda intacto. Além disso, das pedras do sepulcro brotava um fluído de aroma suave, como um óleo fino, fato que se repetiu sob o altar da igreja onde o corpo foi colocado.
         Nesta mesma cerimônia, algumas relíquias da Santa foram enviadas para a França do Norte, onde o rei Carlos III, o Simples, havia construído no seu palácio de Atinhy, uma igreja dedicada a Santa Valburga. O seu culto, em 25 de fevereiro, se espalhou rápido, porque o óleo continuou brotando. Atualmente é recolhido em concha de prata e guardado em garrafinhas distribuídas para o mundo inteiro. Os devotos afirmam que opera milagres

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Beato Tomás Maria Fusco, sacerdote e fundador

        

        
















         

          Tomás Maria Fusco nasceu em Pagani, uma pequena cidade italiana do Vale do Sarno, no dia 1 de dezembro de 1831. Seus pais, íntegros na conduta moral e religiosa, formaram uma família de oito filhos educados na piedade cristã. Aos oito anos ficou órfão, encontrando o amparo do tio e do irmão, ambos sacerdotes, que cuidaram de sua formação e educação, direcionadas para a vida religiosa, conforme seu próprio desejo.
          Em 1847, entrou no seminário diocesano de Nocera, situado naquele mesmo Vale, onde completou os estudos teológicos e foi ordenado sacerdote. Desde o início do seu ministério abriu espaços e se dedicou à formação e aos cuidados das crianças, para as quais abriu em sua casa uma escola matinal. Com elas, padre Tomás Maria costumava passar em santa alegria os dias de festa. Na igreja da paróquia, restabeleceu a capela noturna para os jovens e adultos, a fim de promover sua formação humana e cristã.
          Foi admitido na congregação dos missionários de São Vicente de Paulo, em 1857, tendo percorrido um longo itinerário missionário, especialmente nas regiões da Itália meridional. Três anos depois, quando foi nomeado capelão do santuário de Nossa Senhora do Carmo, em Pagani, desenvolveu as associações católicas masculinas e femininas, ergueu um altar para o culto ao Crucificado e criou a Pia União ao Preciosíssimo Sangue de Jesus.
         Ele fundou, também na sua casa, em 1862, uma Escola de Teologia Moral para os sacerdotes destinada à sua habilitação para o ministério do confessionário, onde eram inflamados no amor ao Sangue de Cristo. Nesse mesmo ano, instituiu a "Companhia do Apostolado Católico" para as missões populares.
         O amor a Deus e amor ao próximo despertavam nele outra urgência: criar uma nova família religiosa destinada a cuidar das crianças abandonadas, particularmente dos órfãos, a quem ele privilegiava com sua ternura paterna. Após uma longa preparação na oração e inspirado pela Virgem Santíssima, em 1873, ele fundou a congregação das "Filhas da Caridade do Preciosíssimo Sangue". A obra iniciou com seu bispo, Dom Amirante, entregando o hábito para três religiosas e abençoando o orfanato, inaugurado com sete órfãs pobres. Neste momento da fundação, ele também foi advertido pelo seu bispo, que disse: "Você escolheu o título do Preciosíssimo Sangue? Pois bem, prepare-se para beber o cálice amargo".
          De fato, o seu ministério bem realizado, sua vida de sacerdote exemplar, foi alvo de inveja e calúnia, lançada em 1880. Ele padeceu em silêncio com humilhações e perseguições, mas, foi com amor e sustentado pelo Senhor que carregou sua árdua cruz. Morreu no dia 24 de fevereiro de 1891, debilitado pela doença crônica no fígado, aos cinqüenta e nove anos.
         Padre Tomás Maria Fusco foi Apóstolo da Caridade do Preciosíssimo Sangue, viveu amando os pobres e morreu perdoando os inimigos. Gozava da fama de santidade no meio do clero, do povo em geral e das suas filhas espirituais, hoje encontradas em várias regiões do mundo. O papa João Paulo II o beatificou em 2001 e o dia de sua morte determinado para a festa litúrgica.

São Sérgio da Capadócia, mártir

       

       Sérgio, mártir da Cesarea, na Capadócia, por muito pouco não se manteve totalmente ignorado na história do cristianismo. Nada foi escrito sobre ele nos registros gregos e bizantinos da Igreja dos primeiros tempos. Entretanto, ele passou a ter popularidade no Ocidente, graças a uma página latina, datada da época do imperador romano Diocleciano, onde se descreve todo seu martírio e o lugar onde foi sepultado.
        O texto diz que no ano 304, vigorava a mais violenta perseguição já decretada contra os cristãos, ordenada pelo imperador Diocleciano. Todos os governadores dos domínios romanos, sob pena do confisco dos bens da família e de morte, tinham de executá-la. Entretanto alguns, já simpatizantes dos cristãos, tentavam em algum momento amenizar as investidas. Não era assim que agia Sapricio, um homem bajulador, oportunista e cruel que administrava a Armênia e a Capadócia, atual Turquia.
         A narrativa seguiu dizendo que durante as celebrações anuais em honra do deus Júpiter, Sapricio, estava na cidade de Cesarea da Capadócia, junto com um importante senador romano. Num gesto de extrema lealdade, ordenou que todos os cristãos da cidade fossem levados para diante do templo pagão, onde seriam prestadas as homenagens àquele deus, considerado o mais poderoso de todos, pelos pagãos. Caso não comparecessem e fossem denunciados seriam presos e condenados à morte.
         Poucos conseguiram fugir, a maioria foi ao local indicado, que ficou tomado pela multidão de cristãos, à qual se juntou Sérgio. Ele era um velho magistrado, que há muito tempo havia abandonado a lucrativa profissão para se retirar à vida monástica, no deserto. Foi para Cesarea, seguindo um forte impulso interior, pois ninguém o havia denunciado, o povo da cidade não se lembrava mais dele, podia continuar na sua vida de reclusão consagrada, rezando pelos irmãos expostos aos martírios. A sua chegada causou grande surpresa e euforia, os cristãos desviaram toda a atenção para o respeitado monge, gerando confusão. O sacerdote pagão que preparava o culto ficou irado. Precisava fazer com que todos participassem do culto à Júpiter, o qual, segundo ele, estava insatisfeito e não atendia as necessidades do povo. Desta forma, o imperador seria informado pelo seu senador e o cargo de governador continuaria com Sapricio. Mas, a presença do monge produziu o efeito surpreendente de apagar os fogos preparados para os sacrifícios. Os pagãos atribuíram imediatamente a causa do estranho fenômeno aos cristãos, que com suas recusas haviam irritado ainda mais o seu deus.
          Sérgio, então se colocou à frente e explicou que a razão da impotência dos deuses pagãos era que estavam ocupando um lugar indevido e que só existia um único e verdadeiro Deus onipotente, o venerado pelos cristãos. Imediatamente foi preso, conduzido diante do governador, que o obrigou a prestar o culto à Júpiter. Sérgio não renegou a Fé, por isto morreu decapitado naquele mesmo instante. Era o dia 24 de fevereiro. O corpo do mártir, recolhido pelos cristãos, foi sepultado na casa de uma senhora muito religiosa. De lá as relíquias foram transportadas para a cidade andaluza de Ubeda, na Espanha.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Beata Rafaela Ybarra, fundadora

      
         Rafaela nasceu no dia 16 de janeiro de 1843, em Bilbao, Espanha, no seio da tradicional família cristã Ybarra, da alta burguesia local. De personalidade serena e afável teve a infância e adolescência felizes, recebendo uma sólida formação humana e religiosa, de acordo com os costumes da época.
         Aos dezoito anos se casou com o engenheiro João Vilallonga, com quem teve sete filhos. Mas, a morte trágica da sua irmã e do cunhado, fez o casal assumir os cinco sobrinhos como seus próprios filhos. Rafaela soube conciliar sua obrigação familiar com uma vida cheia de caridade e riqueza espiritual.
         Em pleno século XIX, a Espanha vivia um período conturbado, com o povo sofrendo severas privações provocadas pela Revolução Industrial, que se desencadeara no mundo. A grande população rural, principalmente a de jovens, se sentia acuada e era seduzida pelos novos pólos industriais que surgiam. Bilbao não foi uma exceção, atraindo uma legião deles, que buscavam uma melhor condição de vida. A este fato, Rafaela se manteve alerta. Sua situação social não foi um obstáculo para esta sensibilidade, ao contrário, tinha consciência dos perigos que a capital produzia, como a privação, exploração e marginalização.
         Com esta preocupação e neste campo realizou seu apostolado, de modo tão amplo, que nem mesmo depois de sua morte se sabia exatamente até onde poderia ter chegado. Colocou à distribuição das obras assistenciais todo o seu dinheiro e suas energias: recolhia as jovens que buscavam trabalho e depois de arranjar-lhes as colocações, as mantinham abrigadas sob seus cuidados até que tivessem uma profissão, com emprego e moradia dignos.
        Cultivando o contato com Deus, através da oração, no amor ao próximo e na caridade para com todos; despertou e alicerçou as bases para a fundação de um novo instituto religioso. Ao mesmo tempo em que não descuidou da sua vida familiar, se dedicou a uma vida intensa de apostolado, atuando em todas as obras assistenciais que eram criadas em Bilbao. Entretanto, nunca abandonou seu sonho, ao contrário, solidificou muito bem o fundamento e elaborou as Regras, sob a orientação do bispo de sua diocese.
         No final de 1894, junto com três jovens religiosas, assumiram o trabalho de "mães e educadoras" das meninas e jovens que necessitavam de ajuda naqueles anos tão difíceis. A missão se assemelhou a dos "Anjos da Guarda", cujo nome tomou para sua fundação e cujas atitudes foram imitadas. Em 1897, a Congregação dos Santos Anjos da Guarda estava criada e dois anos depois aprovada pelo Vaticano, sendo a Casa Mãe em Bilbao, o modelo. Nesta ocasião, tentou se tornar uma religiosa, mas graves problemas a impediram.
          Depois de padecer uma longa enfermidade, morreu em 23 de fevereiro de 1900, aos cinqüenta e sete anos. A santidade de sua vida foi reconhecida pela Igreja. O Papa João Paulo II, a beatificou em 1984, nesta ocasião as Irmãs se encontravam em toda a Espanha, Itália e América Latina. A fundadora recebe as homenagens no dia de sua morte.


Relíquia da Beata Rafaele Ybarra

 

São Policarmo de Esmirna, bispo e mártir

        

         Nascido em uma família cristã da alta burguesia no ano 69, em Esmirna, Ásia Menor, atual Turquia. Os registros sobre sua vida nos foram transmitidos pelo seu biógrafo e discípulo predileto, Irineu, venerado como o "Apóstolo da França" e sucessor de Timóteo em Lion. Policarpo foi discípulo do apóstolo João, e teve a oportunidade de conhecer outros apóstolos que conviveram com o Mestre. Ele se tornou um exemplo íntegro de fé e vida, sendo respeitado inclusive pelos adversários. Dezesseis anos depois, Policarpo foi escolhido e consagrado para ser o bispo de Esmirna para a Ásia Menor, pelo próprio apóstolo João, o Evangelista.
          Foi amigo de fé e pessoal de Inácio Antioquia, que esteve em sua casa durante seu trajeto para o martírio romano em 107. Este escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna, antes de morrer, enaltecendo as qualidades do zeloso bispo. No governo do papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, representando as igrejas da Ásia para discutirem sobre a mudança da festa da Páscoa, comemorada em dias diferentes no Oriente e Ocidente. Apesar de não chegarem a um acôrdo, se despediram celebrando juntos a liturgia, demonstrando união na fé, que não se abalou pela divergência nas questões disciplinares.
         Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas em fortalecer a fé do seu rebanho. Ele escreveu várias cartas, porém a única que se preservou até hoje foi a endereçada aos filipenses no ano 110. Nela, Policarpo exaltou a fé em Cristo, a ser confirmada no trabalho diário e na vida dos cristãos. Também citou a Carta de Paulo aos filipenses, o Evangelho, e repetiu as muitas informações que recebera dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, a Igreja o considera "Padre Apostólico", como foram classificados os primeiros discípulos dos apóstolos.
          Durante a perseguição de Marco Aurélio, Policarpo teve uma visão do martírio que o esperava, três dias antes de ser preso. Avisou aos amigos que seria morto pelo fogo. Estava em oração quando foi preso e levado ao tribunal. Diante da insistência do pro cônsul Estácio Quadrado para que renegasse a Cristo, Policarpo disse: "Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Redentor? Ouça bem claro: eu sou cristão"! Foi condenado e ele mesmo subiu na fogueira e testemunhou para o povo: "Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o vosso nome adorável seja glorificado por todos os séculos". Mas a profecia de Policarpo não se cumpriu: contam os escritos que, mesmo com a fogueira queimando sob ele e à sua volta, o fogo não o atingiu.
          Os carrascos foram obrigados a matá-lo à espada, depois quando o seu corpo foi queimado exalou um odor de pão cosido. Os discípulos recolheram o restante de seus ossos que colocaram numa sepultura apropriada. O martírio de Policarpo foi descrito um ano depois de sua morte, em uma carta datada de 23 de fevereiro de 156,enviada pela igreja de Esmirna à igreja de Filomélio. Trata-se do registro mais antigo do martirológio cristão existente.