sábado, 20 de julho de 2013

Santo Apolinário de Ravena, bispo e mártir


   

        O nome, o culto, e a glória de Santo Apolinário são legados que recebemos da história, e também da arte de Ravena, a capital do Império Bizantino no Ocidente, no período de meados do século I e século II.
           Lá, existem duas grandiosas igrejas dedicadas a santo Apolinário, ambas célebres na história da arte e do cristianismo. Na igreja nova de Santo Apolinário, no centro da cidade, encontramos o célebre mosaico representativo, mais extenso do que um quarteirão, com todos os mártires e as virgens. No destaque, encontra-se santo Apolinário. Na outra igreja, fora da cidade, está o outro esplendido mosaico, no qual, pela primeira vez, a figura de um santo, e não a de Cristo, ocupa o centro de uma composição, circundado por duas fileiras de ovelhas.
          Apolinário, o primeiro bispo de Ravena, segundo a tradição, teria sua origem no Oriente. A mando do próprio apóstolo Pedro, de quem foi discípulo, foi enviado para converter os pagãos nas terras ao norte do Império Romano.
      A sua obra de evangelização transcorreu num ambiente repleto de imensas dificuldades, fruto do ódio, do egoísmo, da incredibilidade que o cercavam, além do culto aos ídolos pagãos que teve de combater. A tal apostolado dedicou toda a sua vida. Embora representado no mosaico da cidade, sereno e tranqüilo, na realidade era um homem de vida dura, combativa e atuante. Apolinário sempre foi considerado um mártir. Mártir de um suplício muito longo, que foi todo o seu episcopado.
         Ele não viu o resultado de sua obra, que só se revelou após a sua morte. A população da nova capital do Império Romano tornou-se exclusivamente cristã, reforçando suas raízes no próprio culto de seu primeiro bispo, considerado por eles um exemplo de santidade.
        Dessa maneira se explica a grande devoção a ele, não somente em Ravena, mas em muitas outras localidades da Itália, da França e da Alemanha. Aliás, nessas regiões, foi amplamente difundida, devido os mosteiros beneditinos e camaldulenses que Apolinário ali fundara.
     Apolinário morreu como mártir da fé no dia 23 de julho, durante as primeiras perseguições impostas contra os cristãos. Entretanto não se encontrou nenhuma referência indicando o ano e a localidade. Suas relíquias, encontradas nas catacumbas, foram enviadas para a catedral de Santo Apolinário, em Ravena, na Itália. A tradicional festa de Santo Apolinário, Padroeiro de Ravena, em 23 de julho, foi mantida pela Igreja.


Basílica de Santo Apolinário, em Ravena, Itália

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Beatas Mártires de Orange, França


     A história do martírio das 32 religiosas francesas faz parte da grande matança efetuada na Revolução Francesa, e, especificamente, durante o período conhecido como “o Terror”, que durou por toda a França a partir do outono de 1793 até o verão 1794.
     Neste período, atuaram alguns tribunais extraordinários, dos quais um dos mais cruéis foi o da cidade de Orange, no sudeste da França, no Vaucluse. Suas atividades começaram em 17 de junho de 1794 e pararam em 5 de agosto daquele ano.
     Nestes dois meses, ele perseguiu com ferocidade padres, freiras e religiosos, o clero "refratário" que havia se recusado a prestar o juramento de "liberdade-igualdade" e a Constituição Civil do Clero, que por seus princípios restritivos à dependência de Roma fora condenada pelo Papa Pio VI.
     O tribunal especial de Orange julgou nesses dois meses 595 pessoas, das quais 332 foram condenadas à guilhotina. Entre elas havia 36 sacerdotes e 32 religiosas.
     As Irmãs rastreadas na região da planície do Rodano foram levadas para a prisão de Orange, chamada "La Cure". Faziam parte do grande grupo duas Cistercienses, uma Beneditina, dezesseis Ursulinas, que tinham várias casas na região, e treze Sacramentinas, Congregação fundada no século XVII pelo padre Antonio Lequieu.
     As Ursulinas e as Sacramentinas foram presas em Bollène (centro da França meridional, departamento de Vaucluse) em 22 de abril de 1794 e depois transferidas para Orange em 2 de maio. Na prisão, com o acordo de todas, as Irmãs continuaram a prática de sua vida monástica.
     Depois de algumas semanas, as Irmãs, condenadas à morte por ódio à fé, começaram a ser chamadas, a partir de 6 de julho de 1794, e dia após dia, em pequenos grupos, subiam ao patíbulo sob o rufar de tambores e entre os gritos de "Viva da Nação", "Viva a República", diante da multidão reunida para assistir as execuções ao pôr-do-sol.
     As Irmãs tiveram um comportamento heróico excepcional testemunhado por aqueles que escaparam do massacre. Este ato heróico era maior à medida que o seu número diminuía e as Irmãs, após cumprimentar as que ficavam, eram injusta e violentamente mortas.
     Elas recitavam as orações dos moribundos e, permanecendo de joelhos e em profundo silêncio, aguardavam o fim da execução, e quando elas acreditavam que tudo havia terminado, homenageavam sua família religiosa, cantando o "Te Deum" e o "Laudate Dominum", exortando-se mutuamente a enfrentar sua morte no dia seguinte.
     As execuções se prolongaram por três semanas, até que a última, a superiora das Ursulinas, morreu. Os seus corpos foram enterrados no campo de Gabet, perto de Orange, na confluência dos rios Ródano e Leygues, e desde o primeiro dia o local do sepultamento tornou-se destino de peregrinação de pessoas atraídas pela reputação de grande santidade das religiosas.
     A causa da beatificação foi introduzida em 14 de junho de 1916, e o martírio foi reconhecido em 19 de março de 1925. A beatificação das 32 mártires foi comemorado em 10 de maio de 1925 pelo Papa Pio XI e a sua festa foi fixada para o dia 9 de julho.
 
Beata Teotista do Santíssimo Sacramento
 
     Maria Elizabete Pélissier nasceu em Bollène no dia 15 de abril de 1741. Aos 17 anos, ingressou na Congregação das Irmãs Sacramentinas de Bollène, Congregação fundada na Provence, no século XVII, pelo Padre Antonio Lequieu. Fez sua profissão religiosa em 25 de junho de 1759.
     Por suas qualidades e virtudes, ocupou importantes cargos na Congregação. Era uma musicista nata e tinha uma linda voz, compunha poemas e obras literárias, celebrava em verso os acontecimentos diários, grandes e pequenos, que ocorriam no claustro; entre outras coisas, escreveu um longo poema em honra de São Bento José Labre, que durante suas viagens visitou o convento de Bollène.
     Quando a tempestade da Revolução Francesa irrompeu, encontrou-a firme na fé. Em 22 de abril de 1794 Irmã Teotista foi presa com suas companheiras, e transferida para Orange em 2 de maio, para onde foram levadas outras pessoas, além de freiras, padres.
     Trancadas na prisão chamada "La Cure", por mútuo acordo, elas continuaram a vida praticada do mosteiro. Durante 15 dias nenhuma foi chamada, mas no dia 6 de julho de 1794 começaram as execuções, que continuaram em pequenos grupos nos dias seguintes.
     Irmã Teotista do Santíssimo Sacramento subiu ao cadafalso em 11 de julho de 1794, com três outras companheiras, cantando um hino composto por ela mesma:
 
Qual augusta árvore
plantada para o meu suplício!
O amor é o martelo
que bate sem piedade.
Ninguém vai compartilhar comigo
este meu sacrifício único.
Os golpes do meu vencedor
destroem-me até a morte.
Agora estou na agonia.
Morte feliz que tem lugar na cruz,
onde encontro a vida!

Beata Ana Maria Javouhey, fundadora


     A Beata Ana Maria pertence ao número bastante grande das Fundadoras de Institutos Religiosos Femininos surgidos na França mal cessou a triste época do Terror.
     Nasceu em Jallongers, região vinícola da Borgonha, em 10 de novembro de 1779. A família transferiu-se pouco depois para Chamblanc. A família era muito católica.
     Em 1791, em plena Revolução Francesa, certa noite um sacerdote não juramentado bateu na porta: “Pediram-me para assistir a um doente e não conheço o caminho”. Ana, intrépida, se ofereceu para acompanhá-lo. No caminho, o sacerdote lhe explicava a necessidade de permanecer fiel à Igreja de Roma. A partir desse momento, e com a colaboração de sua família, passou a organizar cerimônias clandestinas e a esconder os sacerdotes perseguidos pelos revolucionários.
     Em 1798, aos dezenove anos, consagrou-se definitivamente a Deus. Em 1800, o pároco de Chamblanc convenceu Baltasar Javouhey a deixar a filha ingressar nas Irmãs da Caridade de Besançon. Era Superiora e Mestra das Noviças a própria fundadora, Santa Joana Antide Thouret, religiosa de grande valor.
     Foi ali que, num estranho sonho, Ana se viu rodeada de muitas pessoas, na maioria crianças, de todas as cores e sobretudo pretas, e ouviu uma voz que dizia: “São os filhos que Deus te dá. Sou Santa Teresa. Serei a protetora da tua Ordem”.
     Vendo que sua vocação era outra, Ana saiu de Besançon e voltou a dar aulas na sua terra. Começaram a segui-la, com o mesmo ideal de vida religiosa, não só as irmãs (com 16, 14 e 11 anos), mas também outras jovens.
     Em 1802, um encontro providencial com D. Augustin de Lestrange, restaurador da Ordem dos Trapistas na França, levou Ana a encaminhar-se para a Trapa. Mais uma vez, seus diretores e ela percebem ser outra a sua vocação. Mas, os poucos meses de permanência no convento lhe permitiram receber uma sólida formação na vida religiosa.
     Depois de novas tentativas de criar escolas na região do Jura, Ana Maria regressou para a casa paterna para estabelecer sua obra educativa. Em Chamblanc, continuou as suas atividades apostólicas nas aldeias com suas irmãs e outras jovens.
     Na Páscoa de 1805, retornando a Roma após a sagração de Napoleão, Pio VII parou uns dias em Châlon-sur-Saône, a poucos quilômetros de Chamblanc. Ana e suas amigas assistiram à Missa do Papa na Igreja de São Pedro, comungam da sua mão e no fim têm com ele uma audiência privada. A jovem expõe ao Santo Padre seus projetos. Pio VII, ao abençoar Ana, lhe disse: “Coragem, minha filha, Deus fará por meio de ti grandes coisas para a Sua glória”.
     Na vigília da Assunção de 1805, Ana fixou-se em Châlon-sur-Saône. A municipalidade ofereceu-lhe parte do antigo Seminário Maior desocupado, mobília e subsídios para a obra de educação da juventude.
     No dia 12 de maio de 1807, o novo Bispo de Autun presidiu à cerimônia de consagração das jovens na Igreja de São Pedro. Aos votos religiosos de pobreza, obediência e castidade juntaram um 4° voto, o de se dedicarem à educação da juventude. Naquela tarde, o mesmo Bispo reuniu as religiosas em capítulo e presidiu a eleição da Superiora Geral. Os votos recaíram sobre Ana-Maria.
     Um dia do mês de janeiro de 1812, Madre Ana Maria descobriu um anúncio que dizia estar à venda o antigo convento dos recoletos, em Cluny. Recorreu então a seu pai, que se deixa convencer e adquiriu a propriedade; ali se instalam as monjas, convertendo-se na Congregação de São José de Cluny.
     A princípio, a dimensão missionária da Congregação parece não ter sido prevista pela Fundadora. Com não poucas dificuldades, Madre Ana Maria conseguiu abrir uma escola em Paris.
     Em 1816, o intendente da Ilha Bourbon (atual Ilha da Reunião) lhe fez uma visita e solicitou algumas monjas para a ilha, acrescentando que ela era povoada “de brancos, mulatos e negros”. Diante destas palavras, a madre se sobressaltou, recordando a profecia de Besançon. Pouco depois, o Ministro do Interior lhe pedia também monjas para as possessões da França no ultramar. Suas perspectivas missionárias a levam a aceitar tudo.
     A 10 de janeiro de 1817, partiram de Rochefort, a bordo do “Eléphant”, barco da marinha mercante, quatro novas professas. A viagem do grande veleiro durou cinco meses e 18 dias, fazendo escala no Rio de Janeiro. Foi a primeira aventura missionária.
     No início de 1819, um contingente de sete religiosas embarcou para o Senegal. Porém, neste local o hospital que deveriam cuidar se encontrava em um estado lamentável, a cidade não tinha igreja, a catequização apenas havia começado. As monjas desanimam.
     A própria Madre Ana Maria partiu para o Senegal em 1822. Persuadida de que os negros se sentem inclinados à religião por natureza, afirmava: “Somente a religião pode proporcionar a este povo princípios, conhecimentos sólidos e sem perigo, porque suas leis e dogmas não só reformam os vícios grosseiros e externos, como também são capazes de mudar o coração. Dê solenidade à religião, para que a pompa do culto os atraia e que o respeito os retenha, e em seguida, a face deste país terá mudado”.
     Por outro lado, ela percebia que a África tem vocação agrícola. Em fins de 1823, ela estabeleceu uma granja-escola em Dagana, o que lhe permitiu manter relações com a população. Logo a chamam de Gâmbia e depois de Serra Leoa, onde se encarregou dos hospitais.
     Entretanto, cartas chegam da França suplicando-lhe para voltar. Em fevereiro de 1824, retornou à França após ter assentado as bases de uma obra perseverante para a civilização e a cristianização da África.
     Na França, a revolução de julho de 1830 gerou profundas transformações políticas pouco favoráveis à religião católica, diminuindo o apoio econômico do governo às obras de Madre Ana Maria. Contudo, ela prosseguia seu trabalho de forma que seus centros resistissem às dificuldades. Em 1833, fundou um leprosário próximo de Mana.
     Em fins de abril de 1835, Mons. d’Héricourt impõe a Madre Ana Maria novos estatutos que modificam os antigos e, segundo os quais, ele se convertia no superior geral das Irmãs. Mas, a Madre escreveu ao bispo comunicando-lhe que manteria os estatutos de 1827.
     Por esta época, a questão da escravidão era debatida e, em 18 de setembro de 1835, uma ordem ministerial confiou oficialmente a Madre essa missão. O próprio rei Luis Felipe a recebeu várias vezes, colocando com ela o plano relativo à emancipação dos negros.
     À sua chegada na Guiana em fevereiro de 1836, a Madre Ana Maria se encarregou de uns quinhentos escravos negros arrebatados dos negreiros. Sua pedagogia não consistia em recorrer à força, mas a educar com doçura, paciência e persuasão. Ela mesma escrevia: “Me instalei como uma mãe em meio sua numerosa família”.
     Apesar de todas as dificuldades, dois anos depois um certo espírito de ordem e de sobriedade reinava em Mana. Em 21 de maio de 1838, a Madre presidiu a emancipação de cento e cinco escravos.
     Contudo, a oposição do Bispo de Autun a perseguia até a Guiana. Em 16 de abril de1842, a fundadora escrevia que o Bispo de Autun “proibiu que o prefeito apostólico me administrasse os sacramentos, a menos que o reconheça como superior geral da congregação. Eu o perdôo de todo coração pelo amor de Deus”.
     O sofrimento intenso que gerava esta situação durou dois anos. Isto se agravou com a circulação de libelos infamatórios contra a madre. Nos momentos em que suas Irmãs se aproximavam da Santa Eucaristia e ela era privada de fazê-lo, as lágrimas que derramava eram abundantes.
     Em 28 de agosto de 1845, tendo voltado para a França, a Madre Ana Maria vai a Cluny onde com grande serenidade falou à suas filhas, deixando-as livres para escolher entre ela e o bispo. Das oitenta jovens, somente sete recusaram segui-la.
     O Bispo de Autun finalmente reconheceu estar errado em sua posição, e em 15 de janeiro de 1846 chegou a um acordo com a madre.
     No início de 1851 a saúde da Madre Ana Maria decai e no mês de maio deve permanecer de cama. No dia 8 de julho tomou conhecimento da deposição do Bispo de Autun. Uns dias depois ela afirmava: “Devemos considerá-lo como um dos nossos benfeitores. Deus se serviu dele para enviar-nos a tribulação num momento em que ao nosso redor só ouvíamos elogios. Era preciso, porque com o êxito que a nossa congregação estava alcançando nós nos teríamos acreditado importantes se não tivéssemos sofrido essas penalidades e contradições”.
     Pouco depois de pronunciar estas palavras, entregou a alma a Deus. Era o dia 15 de julho de 1851. Ela se encontrava na atual Casa-Mãe, em Paris. Falecia aos 71 anos de idade e 44 de generalato, 14 dos quais passados em terras longínquas. A sua peregrinação alcançou 45 mil quilômetros navegados em frágeis barcos que singravam os mares no  início do século XIX.
     Naquele momento sua congregação contava com umas 1.200 religiosas, dedicadas a fazer em tudo a vontade de Deus por meio do ensino, das obras hospitalares e missionárias.
     “Estar onde há bem a fazer”, era outra de suas máximas. Por sua luta pela liberdade dos escravos da Guiana ficou conhecida como ‘Mãe dos Negros’.
     Peçamos a Beata Ana Maria Javouhey, beatificada por Pio XII em 15 de outubro de 1950, que nos alcance a libertação da pior das escravidões, a do pecado. Que ela nos participe seu espírito de dedicação, de caridade e de simplicidade para que alcancemos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

Beata Tarcísia (Olga) Mackiv, virgem e mártir


     Olga Mackiv nasceu em 23 de março de 1919 na aldeia de Khodoriv, na região ucraniana de Lviv. Em 3 de março de 1938, ingressou no Instituto das Irmãs Servas de Maria Imaculada.
     Dois anos e meio depois, no dia 5 de novembro de 1940, ela fez seus primeiros votos e recebeu o nome religioso de Tarsykia (Tarcísia). Priora do seu convento até a chegada dos comunistas em Lviv, Irmã Tarcísia fez um voto privado, na presença de seu diretor espiritual, o Padre Volodomyr Kovalyk, aceitando sacrificar sua própria vida para a conversão da Rússia e para o bem da Igreja Católica.
     Determinados a destruir o mosteiro, na manhã de 17 de julho de 1944, os bolcheviques tocaram a campainha do convento de Krystynopil e mataram Tarcísia com um tiro por ela ter defendido a jóia da virgindade e da sua fé.
     Ela foi beatificada por João Paulo II em 27 de junho de 2001, juntamente com 24 outras vítimas do regime soviético de nacionalidade ucraniana.

Beata Constância de Aragão, rainha


     
    Filha de Manfredo, Rei da Sicília, e sobrinha do Imperador Frederico II, nasceu em 1247. Em 1262 casou-se com Pedro III, o Grande de Aragão, em Montpellier. Do casamento nasceram seis filhos, entre eles a futura Santa Isabel, Rainha de Portugal. Grande devota da Ordem Franciscana, em 1268, Constância construiu o Mosteiro de Santa Clara de Huesca e favoreceu amplamente outras fundações e convento.
     Coroada com o marido em Zaragoza em 1276, ela viveu as vicissitudes delicadas de conflitos nacionais e da contenda com o reino d’Anjou da Sicília com seu marido, em graves conflitos com o Papa Martinho IV, que apoiava Carlos de Anjou. Ela foi capaz de manter um distanciamento equilibrado entre a vida terrena e a dedicada à oração e às obras de caridade.
     Foi regente durante a expedição de Pedro à África e à Sicília (1282), tendo ele conquistado o reino da Sicília, ela mudou-se para aquela cidade com seus filhos e governou em nome do marido com justiça e prudência. Em 1285, por ocasião da morte de seu esposo, assumiu a regência ao lado de seu filho Tiago. Em 1294, ela fundou um mosteiro de Clarissas em Messina sob a regra de Santa Clara.
     Seu filho Federico (Fradique) foi proclamado Rei da Sicília, mas foi deposto pelo Papa Bonifácio VIII, que reconhecia os direitos dos Anjou. Constância obedeceu obsequiosa o mandato do Papa, que lhe ordenara deixar a Sicília, e, em 1296, ela mudou-se para Roma onde, no ano seguinte, por desejo de paz, ajustou o casamento de sua filha Yolanda (Violante) com Roberto, Duque da Calábria, filho de Carlos II de Anjou que, feito prisioneiro pelos aragoneses em 1284, tivera a vida salva por intercessão de Constância junto a seu esposo.
     Depois de uma curta estadia em Nápoles ao lado de sua filha, Constância retornou a Roma e, em 1299, foi para Barcelona, ​​onde legalizou seu testamento que, entre outras coisas, ordenava a construção de dois hospitais para os pobres, um em Barcelona e outro em Valência, sob o governo e a administração dos Frades Menores.
     Ela faleceu em Barcelona no dia 8 de abril de 1300, Sexta-feira Santa, e foi sepultada na igreja do convento de São Francisco. Alguns historiadores mencionam incorretamente a data da sua morte em 1301 ou em 1302, e o sepultamento na igreja de Santa Clara de Barcelona, ​​ou em Messina.
     Seus restos mortais eram venerados na igreja de São Francisco até 1835; foram transladados em 1852 para uma capela do claustro da Catedral. Ela é mencionada por Dante em sua obra, o qual a elogia no Purgatório (III, 143) como a "boa Constância". A Beata Constância é celebrada no dia 17 de julho.

São Bruno de Segni, bispo


No santoral Católico, São Bruno é também conhecido por Bruno de Segni, já que foi nessa Cidade (Comuna) da região do Lázio, Itália, que, como Bispo, ele teve seus momentos de maior produção para a Igreja à qual servia e que certamente lhe fora destinada por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Sim, Bruno foi, em vida, uma dessas pessoas em cujos destinos se percebe, nitidamente, “o dedo de Deus”. E isto desde seu nascimento.
A minúscula Comuna de Solero, onde nasceu e que nos dias atuais tem uma população que não chega a dois mil habitantes, tornou-se famosa por ter ali, repousando, os restos mortais de São Perpétuo, Bispo de Tours no Século IX e consagrado por sua Caridade. Para guardá-los, construiu-se um belo templo, que permanece sendo a construção de maior destaque do local.
É ali, em Solero e à frente da Igreja de São Perpétuo, que a cada dia 4 de Abril, para lá acorrem milhares de peregrinos, a fim de participarem das tradicionais festas em louvor ao grande santo italiano, num acontecimento que se inclui no calendário turístico da Itália.
Pois bem, além de ter sido ali que São Bruno foi batizado e crismado, nessa Igreja ele aprendeu a graça do serviço prestado a Jesus, pois não havia sequer uma única celebração na qual não se destacasse a presença de seus pais, alternando-se nas mais variadas funções.  
Já apegado a Jesus e à Sua Igreja, São Bruno foi encaminhado bem cedo a um Mosteiro beneditino, a fim de aprender as primeiras letras, adquirindo sua formação primária. Não saiu mais!
Bem, dizer-se que “não saiu mais” cabe apenas como figura de linguagem, já que para completar sua formação sacerdotal, o mesmo teve que mudar-se para Bolonha (Bologna). Era o início da bela caminhada que terminaria em Segni. Antes disso, porém...
A formação intelectual de Bruno logo se fez conhecer pelas altas autoridades da Igreja e assim quatro foram os Papas que o convocaram para secretariá-los. Manifestavam-se, então, os sinais que o indicavam nascido para ser instrumento de Deus.
Em razão de sua notabilidade, São Bruno foi convocado a participar do grande Concílio de Tours, onde se fez marcante sua presença. É nesse Concílio que nasce a dispensa do Latim na condução das celebrações, permitindo-se que tanto na França quanto na Alemanha, se liberasse aos celebrantes o emprego de idioma entendível pelas assembléias. E muito disto se deve à ação de São Bruno.
Do respeito e da admiração trocada entre ambos, nasce a grande amizade de São Bruno para com o Papa Gregório VII, que também viria a se tornar um santo católico. É este o Papa que torna Bruno Bispo de Segni, após o mesmo modestamente recusar o Cardinalato.
Além do grande brilho imprimido à condução de sua Diocese, São Bruno volta a se destacar na reforma eclesiástica iniciada pelo Papa Gregório VII e concluída por Urbano II, o mesmo a quem acompanhou no Concílio de Clermont, onde se reuniram sacerdotes e leigos e de cujas resoluções, a mais importante e que viria a se inscrever na História do Cristianismo, foi a instalação da Primeira Cruzada.
Muitas foram as lutas pela preservação do comando pontifício na formação da ritualística Católica, já que Reis e Imperadores de então se julgavam no direito de interferir na sua formação.
Em 1102, a seu pedido, retirou-se para a histórica Abadia de Montecasino, a mesma onde São Bento escreveu sua famosa Regra. Ali, com o passar do tempo, enquanto compunha obras que se tornariam ícones do Catolicismo, mesmo não tendo abdicado de sua Mitra, por unânime reivindicação tornou-se seu abade.
Como resultado das inúmeras contendas por ele assumidas e o natural desgaste delas oriundo, São Bruno viu-se obrigado a reassumir sua Diocese em caráter exclusivo, abandonando, assim, sua abadia.
Foi portanto, como Bispo de Segni, que São Bruno, o instrumento utilizado por Deus para manter una e santa a Igreja de Seu Filho, veio a falecer. Era o ano de 1123, o mesmo em que ele comemorava seus 75 anos de idade.

Canonizado 60 anos depois pelo papa Lúcio III, São Bruno teve incluído como seu, no Calendário Litúrgico Católico, o dia 18 de todos os meses de Julho, data em que Segni se engalana, para festejar seu santo. 

Santa Sinforosa e seus filhos, mártires

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A construção da vila Adriana em Tívoli fora concluída em 135 e, deve-se remontar a essa época o martírio de Santa Sinforosa, sacrificada como vítima propiciatória nos "habituais nefandos ritos pagãos" de consagração da vila imperial.
O trecho que fala do seu martírio mostra um imperador Adriano mal disposto em relação ao cristianismo (passaram-se os tempos das pacatas instruções ao procônsul Minúcio Fundanos) e propenso a crer nas calúnias dos sacerdotes pagãos. O próprio imperador, não um seu funcionário, chama aquela mulher, e procura induzi-la a renegar a fé, fazendo o mesmo com seus filhos.
O imperador Adriano fizera construir um palácio para si e queria consagrá-lo com os habituais nefandos ritos pagãos. Começou a pedir, com sacrifícios, aos ídolos e demônios, que neles habitam, a resposta dos oráculos, e esta foi a resposta:
"A viúva Sinforosa, com seus sete filhos, aflige-nos todos os dias invocando o seu Deus. Se ela com seus sete filhos sacrificarem segundo o nosso rito, nós vos prometemos conceder tudo o que pedis".
Adriano, então, mandou prende-la com os filhos e, de maneira insinuante, exortou-os a sacrificar aos deuses. Sinforosa, porém, disse-lhe:
"Meu esposo Getúlio e seu irmão Amâncio, quando combatiam no teu exército como tribunos, enfrentaram muitos gêneros de tortura por não aceitarem sacrificar aos ídolos e, como atletas valorosos, venceram os demônios com a própria morte. Preferiram, de fato, ser decapitados a deixar-se vencer, sofrendo a morte que, aceita em nome de Cristo, trouxe-lhes ignomínia no mundo dos homens ligados aos interesses terrenos, mas deu-lhes honra e glória eterna na assembléia dos anjos. Vivem agora entre os anjos e, levantando os troféus da própria paixão, gozam no céu da vida eterna com o eterno rei".
O imperador respondeu a Santa Sinforosa: "Ou sacrificas com teus filhos aos deuses onipotentes, ou farei imolar-te com teus filhos".
Acrescentou, em seguida, santa Sinforosa: "Donde vem-me a graça de merecer ser oferecida com os meus filhos como vítima a Deus?". E o Imperador: "Eu te farei sacrificar aos meus deuses".
A bem-aventurada Sinforosa respondeu: "Teus deuses não podem aceitar-me em sacrifício, mas se for imolada em nome de Cristo meu Deus, eu terei o poder de fazer com teus demônios se tornem cinzas".
Disse, então, o imperador: "Escolhe uma das duas propostas: ou sacrificas aos meus deuses ou morrerás de morte trágica".
Sinforosa, então, respondeu: "Crês que possa mudar o meu propósito por um temor qualquer, enquanto o meu desejo mais vivo é repousar em paz junto do meu esposo Getúlio, que fizeste morrer pelo nome de Cristo?".
O imperador Adriano, então, mandou-a levar ao templo de Hércules e ali primeiramente fez com que fosse esbofeteada, depois dependurada pelos cabelos. Vendo, contudo, que de modo algum e com nenhuma ameaça conseguia demove-la do seu propósito, mandou atar-lhe uma pedra ao pescoço e afogá-la no rio. Seu irmão Eugênio, que tinha um cargo na cúria de Tívoli, recolheu o seu o corpo e sepultou-o na periferia daquela cidade.
No dia seguinte, o imperador Adriano mandou chamar à sua presença os seus sete filhos ao mesmo tempo. Quando viu que de modo algum, nem com promessas nem com ameaças, conseguia levá-los a sacrificar aos deuses, mandou levantar sete postes ao redor do templo de Hércules e, com a ajuda de máquinas, fez afligir os jovens. Em seguida mandou matá-los: Crescente, trespassado no pescoço; Juliano, no peito; Nemésio no coração; Primitivo, no umbigo; Justino, nas costas; Estacteno, no peito; Eugênio foi esquartejado da cabeça aos pés.
O imperador Adriano, retornando ao templo de Hércules do dia seguinte, mandou levar seus corpos embora e lançá-los numa fossa profunda, numa localidade que os pontífices chamaram: "Aos sete justiçados".
Houve, depois disso, trégua de um ano e seis meses na perseguição; foi dada, nesse tempo, uma sepultura honrosa aos corpos dos mártires e foram construídas sepulturas para aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida.
O dia natalício dos santos mártires Sinforosa e seus sete filhos é celebrado 15 dias antes das calendas de agosto (17 de julho). Seus corpos repousam na via Tiburtina, a cerca de oito milhas de Roma, “sob o reinado de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem são devidas honra e glória nos séculos dos séculos. Amém".