quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Santa Ebba de Coldingham, princesa e abadessa


     A Santa Ebba que hoje é comemorada é chamada “a velha”, para não confundi-la com sua homônima, que como ela foi abadessa de Coldingham e foi morta pelos dinamarqueses em 870, e é conhecida como “a jovem”.
     Ebba era uma princesa, filha do rei Etelfredo de Bernicia e de Acha de Deira. Etelfredo tinha invadido o reino vizinho de Deira em 604. Assumindo o trono, ele uniu Deira com Bernicia tornando-se o primeiro rei de Nortumbria. Para consolidar seu poder sobre Deira tomou como esposa a princesa Acha da casa real de Deira. No entanto, quando Etelfredo invadiu Deira ele depôs o príncipe Edwin, herdeiro do trono e irmão de Acha, que fugiu para o exílio.
     Edwin refugiou-se na corte do rei Redevaldo da Anglia Oriental e, com o seu apoio, em 616, levantou um exército contra Etelfredo. Na batalha Etelfredo foi derrotado e morto. Edwin então ganhou o trono de Nortumbria. Edwin no trono significava que os filhos de Etelfredo não estavam em segurança na Nortumbria, porque eles eram uma reivindicação ao trono em potencial. Portanto, ainda jovem Ebba, sua mãe e seus irmãos fugiram para o norte, exilando-se na corte do rei Domnall Brecc de Dál Riata. Foi durante este tempo de exílio no oeste da Escócia, que ela e seus irmãos foram convertidos ao Cristianismo.
Abadessa
     Enquanto os filhos de Etelfredo representavam uma ameaça para Edwin, ele foi finalmente deposto por uma aliança entre o Rei Penda de Mércia e o Rei dos galeses Cadwallon. Eles levantaram um exército contra Edwin e o mataram em combate em 633. Eanfrido, filho mais velho de Etelfredo e meio-irmão de Ebba, voltou como Rei de Bernicia, mas foi traído e assassinado por Cadwallon. No ano seguinte, Oswaldo, outro filho de Etelfredo, voltou e expulsou os invasores, tanto em Bernicia como em Deira, estabelecendo-se no trono de Nortumbria. Em 642, porém, ele foi derrotado e morto em batalha por Penda de Mércia, e foi sucedido como rei por seu irmão Oswin.
     Com seus irmãos no trono de Nortumbria, Ebba pode retornar do exílio e com o apoio deles estabeleceu um mosteiro em Ebbchester e mais tarde em urbs Coludi, atualmente conhecido como Colina Kirk, evoluindo para Priorado de Coldingham. Era um mosteiro duplo, com monges e monjas, de acordo com o modelo do mosteiro de Santa Ilda de Whitby. O promontório sobre o qual foi edificado ainda hoje é conhecido como Cabo de Santa Ebba.
     Esta casa religiosa durou cerca de 40 anos e foi governada por Ebba. A legenda diz que ela se tornou monja para evitar as atenções de um certo Príncipe Aidan. No entanto, como ele se recusava desistir de seu intento, diz-se que devido às orações de Ebba a maré alta ficou em torno de Kirk Colina por três dias para protegê-la.
     Ebba ganhou a fama de mulher de extraordinária sabedoria, foi uma grande mestra e política, levando o Cristianismo aos então pagãos ingleses que tinham se fixado ao longo da costa leste da Grã-Bretanha desde o século V. Ela educou a ex-rainha Eteldreda, primeira esposa de Ecfrido, que depois de se formar sob sua tutela estabeleceu uma obra religiosa no local onde hoje fica a Catedral de Ely.
     Seu poder político também se mostrou importante em corrigir uma disputa entre o Rei da Nortumbria, seu sobrinho Ecfrido, que sucedeu seu pai Oswui em 670, e o bispo Wilfrid. A disputa começou com o apoio de Wilfrid a Rainha Eteldreda, que desejava, apesar de seu casamento, preservar sua virgindade e entrar em um mosteiro. Com o seu apoio ela se tornou uma freira no mosteiro de Ebba.
     O mal-estar contra o Bispo Wilfrid continuou com a segunda esposa de Ecfrido, Iurmenburga, que se tornou hostil a ele devido às vastas propriedades que ele tinha adquirido e a forma como andava cercado de uma grande comitiva armada, como a de um rei. Isso culminou com a prisão do Bispo Wilfrid em Dunbar. Graças à habilidade política de Ebba, durante uma visita de Ecfrido ao mosteiro, ela conseguiu convencer seu sobrinho a libertar o bispo.
     No início do estabelecimento do Cristianismo a realidade da vida religiosa era muito complexa. Devido ao fato de membros da comunidade religiosa pertencerem à nobreza, o mosteiro também era um lugar para comer, beber e entreter-se. Enquanto Ebba se destacava por sua piedade, ela tinha problemas para impor disciplina no mosteiro. Os monges e as freiras tornaram-se muito tíbios e mundanos. Isto levou a um dos milagres mais famosos do santo padroeiro do sudeste da Escócia e no nordeste da Inglaterra, São Cuthbert, que visitou o mosteiro de Ebba para instruir a comunidade.
     À noite Cuthbert desaparecia para banhar-se e rezar no mar, para não sucumbir às tentações da carne. Muito cedo em uma manhã, um monge do mosteiro foi espreitá-lo rezando e cantando salmos no mar, e quando Cuthbert chegou à praia, ele viu duas lontras saindo do mar e juntando-se a Cuthbert. O local mais provável deste evento é a baia Horse Castle, na base da Kirk Hill.
Morte
     Em 683, pouco depois da morte de Ebba e, como fora predito em profecia pelo monge Adamnan, o mosteiro pegou fogo. O local foi abandonado e até a primeira metade do século VIII, como confirma São Beda, o Venerável, o local estava deserto. E bem mais tarde seria reativado.
     Como resultado do incêndio do mosteiro, todos os possíveis testemunhos relativos ao culto de Santa Ebba desapareceram; os textos mencionados nos Breviários de Aberdeen e os calendários de Durham e Winchcombe revelam um culto bastante tardio.
     O trabalho precursor de Santa Ebba estabelecendo o Cristianismo no sudeste da Escócia não foi esquecido: em um livro escrito cerca de 1200 pelos monges de Coldingham, é mencionado os muitos peregrinos que visitam Kirk Hill, e a fonte localizada no topo da colina.
     As relíquias da Santa foram encontradas no século XI, repartidas entre Durham e Coldingham, e consequentemente a sua fama se propagou nos territórios entre Escócia e Inglaterra. Em Oxford, uma rua e uma igreja importante levam ainda hoje o nome de Santa Ebba.
 

Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars, fundadora


 
    Teresa nasceu na cidade de Aytona (Espanha), no dia 9 de janeiro de 1843, em uma família profundamente cristã, filha de Francisco Jornet e de Antonieta Ibars, agricultores. Desde cedo sentiu o chamado para a vida religiosa.
     Aconselhada por seu tio, o Beato Francisco Palau y Quer, carmelita descalço, estudou em Lérida, se formando professora e dava aula na cidade de Argensola. Com grande espírito de piedade, percorria 2 k a pé até Lérida para confessar-se.
     O Beato Palau havia pensado em Teresa como uma possível colaboradora de uma fundação que ele havia iniciado. Em 1862 Teresa de associou as Terceiras Carmelitas dirigidas pelo tio, tornando-se diretora da escola.
     Nos primeiros dias de julho de 1868, desejando maior perfeição, entrou no convento das Clarissas de Briviesca, perto de Burgos. Lá fez o seu postulantado e noviciado com grande alegria, esperando o dia tão sonhado de sua profissão religiosa. Quando já se preparava para emitir os seus votos, uma ordem do governo republicano proibiu a emissão de votos religiosos e Teresa não pode professar.
     Como os desígnios de Deus são outros, um dia surgiu no seu rosto uma ferida rebelde que alarma toda a comunidade; não sabendo se essa ferida era maligna, ou até contagiosa, por prudência a mandaram para casa para se tratar.
     Ela sentiu muito a partida do convento, sofreu muito em ver seu grande sonho desvanecer, mais seguiu adiante, confiando na Providência de Deus.
     Em junho de 1872, Teresa e sua mãe chegaram de passagem a Barbastro e encontram um amigo de seu tio, o Padre Pedro Llacera, que era muito amigo do Padre Saturnino López Novoa, que nessa época estava com planos de fundar uma congregação para o cuidado dos velhinhos pobres e desamparados. Padre Pedro, conhecendo a vida e o espírito de Teresa, convidou-a a fazer parte dessa fundação que estava marcada para os primeiros dias de outubro.
     Teresa, vendo aí a mão de Deus, sem hesitar respondeu o seu sim, e nos primeiros dias de outubro, foi para Barbastro, não sozinha, mas com sua irmã, Maria Jornet, e uma amiga, Mercedes Calzada, frutos de seu apostolado de amor.
     No dia 27 de janeiro de 1873, juntamente com as outras 11 aspirantes, vestiu o hábito tendo se iniciado oficialmente a Congregação das Irmãzinhas dos Anciãos Desamparados.
     Foi nomeada Superiora Geral da nascente Congregação e, em 25 anos de mandato, fundou 103 casas e obteve a aprovação da Congregação pela Santa Sé, vivendo uma vida santa e exemplar para todas as suas Irmãs.
     Aos 54 anos, depois de uma longa e dolorosa enfermidade, morreu santamente na cidade de Liria, no dia 26 de agosto de 1897, deixando um rastro de santidade em toda a Congregação. Em 1904, seus despojos foram transladados de Liria para a Casa-mãe de Valência.
     O seu testamento espiritual foi esse: "Cuidem com interesse e esmero dos anciãos, tenham muita caridade e observem fielmente as Constituições, nisso está a nossa santificação".
     Foi beatificada pelo Papa Pio XII no dia 27 de abril de 1958, e canonizada por Paulo VI em 27 de janeiro de 1974, ano centenário da fundação da Congregação. É considerada a padroeira dos anciãos e dos pensionistas idosos.

Santo Alexandre de Constantinopla, bispo

agosto-30

         Alexandre de Bizâncio já contava setenta e três anos de idade quando foi eleito bispo de Constantinopla. Durante doze anos ele exerceu sua função episcopal, nos dias turbulentos do heresiarca Ário. Logo após sua eleição, o Imperador Constantino convocou uma reunião de teólogos cristãos e filósofos pagãos, mas como todos os filósofos quisessem falar ao mesmo tempo, o encontro tornou-se numa desordem. 
          Então, Santo Alexandre aconselhou-os a eleger os mais autorizados entre eles para expor sua doutrina. Quando um dos oradores se encontrava na tribuna, o santo exclamou: «Em nome de Jesus Cristo, ordeno-te calar a boca». Diz-se que o pobre filósofo perdeu a voz, até que Santo Alexandre lhe autorizou falar. Este prodígio impressionou mais os filósofos do que todos os argumentos dos cristãos. 
        No ano 336, Ário entrou triunfalmente em Constantinopla. Trazia uma ordem do imperador para que Santo Alexandre o admitisse na comunhão.  Conta-se que o santo patriarca trancou-se então na igreja para rezar, juntamente com São Tiago de Nísibis, para que Deus o iluminasse naquele momento em que Ário se aproxima para tomar a comunhão. O que quer que tenha acontecido, na véspera da recepção de Ário na igreja, o heresiarca morreu repentinamente. Os cristãos viram nisso uma intervenção divina, como resposta às orações de Santo Alexandre. O Santo morreu em 340.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

São Narno de Bérgamo, bispo

   San Narno Bishop - Carlo Ceresa, a Igreja de St. John the Apostle, Villa d'Ogna, Bergamo


          Narno provavelmente nasceu em Ogna (Bérgamo), e segundo a lenda foi batizado e ordenado bispo de São Barnabé, o primeiro evangelizador da Bérgamo. Acredita-se que Narno recebeu a ajuda  de Santa Grata na construção da primitiva Basílica de Santo Alexandre, em Bérgamo.
         Ele morreu em sua diocese em 345, e foi sepultado na cripta da basílica antiga de Alexandria, que era a catedral. 
       Em 1561 a igreja foi demolida durante a construção dos muros venezianos e as relíquias de São Narno, juntamente com as de seu predecessor, São Vítor e outros santos foram transferidas para a Igreja de São Vincenzo, que é a atual catedral de Santo Alexandre, onde eles são ainda venerados. 



Catedral de Santo Alexandre

Santa Tydfil, mártir



      Tydfil (Tudful), filha do Rei Brychan, foi morta pelos pagãos em Merthyr Tydfil, no Glamorganshire, cerca do ano 480. Ela é patrona não apenas da igreja de Merthyr Tydfil, mas também de Llysronydd (hoje Lisworney) e de Port Talbot, na mesma região de Glamorganshire.
     Tydfil casou-se com um líder do oeste do País de Gales, na região hoje conhecida como Pembrokeshire. Quando seu marido morreu, ou foi assassinado, abraçou uma vida de castidade.
     Tydfil escolheu para sua morada o vale do Rio Taff povoado por agricultores celtas e suas famílias. Ela ficou conhecida por sua compaixão e sua habilidade no cuidado dos doentes tanto humanos como dos animais.
     Ela estabeleceu uma das primeiras comunidades monásticas britânicas, liderando um pequeno grupo de homens e mulheres. Ela construiu um recinto em torno de uma igreja de madeira, prática comum então. Seu convento incluia um hospital e demais depências necessárias para a vida em comum. Ela vivia ali discretamente, levando esperança e apoio ao povo do vale o Rio Taff.

A vida em um convento Galês dos primeiros tempos
     Tydfil e as mulheres que a seguiam, como muitas religiosas nos séculos posteriores, ofereciam sua experiência em ajudar as mulheres no parto. Elas se dedicavam também em alimentar os famintos, vestir os nus, cuidar dos doentes e as outras obras de misericórdia. A Virgem Maria era a sua Padroeira, a Mãe de Misericórdia e a inspiração para seguir os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois Ela sempre aponta para o seu Filho.
     Elas aprenderam a tosquiar e a fiar a lã, a tecer e a tricotar. Alguns empregados do sexo masculino faziam as tarefas mais árduas da criação de animais. Sabemos que São Maches, filho de Santa Gwynlliw havia trabalhado como pastor.
     Tydfil era muito venerada por toda região. Ela gostava da vida que tinha e era grande sua alegria em trabalhar para o Reino do Céu. Há um vitral que mostra Tydfil com seu filho Teilo criança, que pode até ter sido criado durante algum tempo com a sua mãe em seu mosteiro, até que foi mandado para a escola em Ty Gwyn.
     Com a ajuda de alguns dos servos de seu pai Brychan, Tydfil construiu uma igreja e fortes muralhas, o que constituiu um pequeno povoado que se tornou um centro cristão onde a população local podia assistir a Santa Missa.
     Em sua velhice o Rei Brychan decidiu visitar seus filhos pela última vez. Ele levou com ele seu filho Rhun Dremrudd, seu neto Nefydd e o filho do próprio Nefydd, juntamente com funcionários e guerreiros.
     Eles visitaram sua terceira filha, Tanglwstl, em sua comunidade religiosa em Hafod Tanglwstl, que hoje é conhecida como a cidade de Aberfan, ao sul de Merthyr Tydfil. O rei passou pelo convento de Tydfil, enquanto o filho e Nefydd ainda estavam em Hafod Tanglwstl.
     O País de Gales estava então sofrendo ataques dos irlandêses, que estavam livres para vaguear por ali, após os romanos terem desaparecido. Alguns tinham inclusive se estabelecido em Radnorshire, perto do reino de Brychan. Eles decidiram tirar proveito da vulnerabilidade do rei. O rei e seus seguidores tiveram suas jóias, dinheiro e roupas roubados. Servidores e familiares foram todos assassinados. Enquanto os outros corriam ou lutavam, ou entravam em pânico, Tydfil ajoelhou-se e rezou calmamente antes de ser também brutalmente assassinada.
     Tydfil foi sepultada dentro da igreja que fundou, entre as pessoas que ela tão bem havia cuidado. A cruz celta foi colocada em uma clareira perto do Taff e se tornou um ponto de encontro das pessoas do vale. No século XIII a cruz e a igreja de madeira foram substituídas por uma construção de pedra dedicada a Santa Tydfil Mártir, tendo ela própria sido substituída, em 1807, e reconstruída em 1894. A igreja ainda está de pé, perto do Rio Taff, e é uma das primeiras coisas que o turista vê quando entra no centro da cidade a partir do lado sul.
     A palavra galesa para 'Mártir' é ‘Merthyr’ e ‘Merthyr Tydfil’ significa 'A Mártir Tydfil’. Ela continua importante na cidade de Merthyr Tydfil. Ela foi enterrada no local onde a Igreja de Santa Tydfil está agora. A Igreja Católica e o Priorado restabelecidos no século XIX também foram dedicados a esta mulher notável.
     Merthyr Tydfil não é hoje uma cidade muito bonita (população atual c. 55 mil ha.). Não foi planejada e se tornou, durante a revolução industrial, um importante centro de mineração de carvão e ficou ainda mais desfigurada pelas feias propriedades do conselho dos anos 1960s. O colapso da indústria de mineração trouxe difíceis consequências, mas a cidade se orgulha de sua princesa mártir.
     As paisagens são maravilhosas e dirigir um pouco para o norte, em direção a Brecon, nos leva pelos mais surpreendentes campos onde há uma solidão semelhante a que Santa Tydfil deveria ter gostado. Ela deu à luz a um dos maiores santos galeses, São Teilo, que fundou o Colégio em Llandaff após ter visitado o Patriarca de Jerusalém e de ser consagrado bispo por ele. Assim sendo, ela enriqueceu a vida católica de todo o País de Gales.
 
Paisagem do vale do  Rio Taff

Santa Antusa, virgem, princesa


Imperatriz, princesa e serva bizantinas (*)
     A princesa Antusa nasceu cerca de 750 em Constantinopla, filha do imperador do Oriente, Constantino V Coprônimo, e da imperatriz Irene. Seu nome foi uma homenagem à Santa homônima de Onoriade (venerada no dia 27 de julho, fundadora de mosteiros masculinos e femininos, perseguida por causa da iconoclastia), que tinha vaticinado o feliz êxito da gravidez difícil da imperatriz. 
     A princesa foi levada à piedade pela mãe, que cedo a deixou órfã. Após a morte da mãe, ela e seu irmão gêmeo, Leão, permaneceram na corte do seu ímpio pai. Antusa, porém, perseverou na verdadeira fé e cedo consagrou a Deus a sua virgindade.
     Constantino V Coprônimo (718-775), imperador do Oriente de 741 a 755, filho de Leão III, continuou a obra de seu pai. Em 751, entretanto, perdeu o exarcado de Ravenna. Depois, as intervenções de Pepino e de Carlos Magno fizeram fracassar seus projetos de reconquista da Península Italiana, e as dissidências religiosas com o Papado provocaram sua ruptura com Roma.
     No interior do império, a sua política administrativa trouxe uma real prosperidade a monarquia, mas a questão iconoclasta perturbou profundamente o seu reinado. O Concílio de Hieria, de 754, composto basicamente por bispos iconoclastas, condenou o culto de imagens e aprovou as novas leis religiosas e um novo patriarca, também iconoclasta. Seguiu-se uma campanha para remover imagens de igrejas e uma perseguição a monges que em sua maioria eram iconófilos. Muitos monges fugiram para a Itália e para a Sicília.
     Antusa não partilhava da posição do pai e, renunciando ao matrimônio, dedicou sua vida ao serviço de Cristo. Foi perseguida por suas posições, açoitada e desterrada. Após a morte de seu pai, em 775, tendo subido ao trono seu irmão gêmeo com o nome de Leão IV, Antusa pode voltar para Constantinopla e tomar posse de sua herança.
     A princesa distribuiu parte de seus bens aos pobres e empregou o resto em reconstruir os mosteiros que seu pai destruíra. Fez presente dos vestidos preciosos para ornato das igrejas e dos altares. Mandava recolher as crianças abandonadas e ela mesma as instruía; ajudava os pobres; libertava os escravos.
     Quando Leão IV morreu, em 780, sua esposa Irene tornou-se regente em nome do filho menor de idade, futuro Constantino VI, e ofereceu a Antusa associar-se a ela no governo do império. Mas Antusa já era toda de Deus e preferiu recusar a oferta, continuando a dedicar-se às suas práticas de caridade.
     Em 784 Antusa recebeu o hábito monástico das mãos do santo patriarca São Tarásio, no mosteiro da Concórdia de Constantinopla, onde permaneceu os últimos anos de sua vida desempenhando os ofícios mais humildes e assistindo com amor as irmãs de hábito. Faleceu no ano de 801.
     Embora a tradição oriental a considere mártir, tal título não é reconhecido pelo Martirológio Romano. Santa Antusa é comemorada tanto no Oriente como no Ocidente no dia 18 de abril.

domingo, 25 de agosto de 2013

Beato Luis Urbano Lanaspa, sacerdote e mártir




       Nasceu a 3 de junho de 1882. Faz os seus primeiros estudos num colégio dos padres Escolápios em Saragoça. Saragoça. Aos 14 anos de idade, ingressa no Seminário Conciliar com o objetivo de iniciar estudos em filosofia. Ali exerce o ofício acólito na capela das monjas dominicanas de Santa Inês. Recebeu o hábito de dominicano no dia 30 de outubro de 1898 no convento de Padrón (Corunha). Esteve também nos conventos de Corias (Astúrias) e San Esteban de Salamanca. Foi ordenado sacerdote a 22 de setembro de 1906, tendo conciliado as suas atividades eclesiásticas com os estudos em ciências físicas, recebendo a sua licenciatura na Universidade de Madrid. 
         Em 1912, perante o apelo para a restauração da província de Aragão, voluntariou-se para essa missão, indo para Valência, onde foi confessor, pregador, diretor espiritual, professor, e promotor de várias obras assistenciais. Esteve no Chile, Equador e Peru, integrado na comitiva do legado pontifício,cardeal Juan Bautista Benlloch y Vivó. Foi-lhe outorgado o título de Pregador Geral da Ordem e a Coroa espanhola atribui-lhe o cargo de Pregador de Sua majestade.
        Homem de inteligência profunda e grande clarividência, trabalhou com todas as classes sociais. Exerceu uma atividade apostólica de grande dimensão em prol do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo e da salvação das almas, que só Deus pode medir. A todos ajudou o melhor que soube, sendo que por vezes, o que recebia em troca eram incompreensões e desprezos.
        Após o início da Guerra Civil de Espanha, no dia 19 de julho, não  desmoralizou por ter de mendigar acolhimento e comida. Refugia-se em casa de pessoas amigas. Foi detido no dia 21 de agosto de 1936, sendo fuzilado nessa mesma tarde. De Deus recebeu o maior galardão: a palma do martírio. Num cálido entardecer de uma tarde de verão de 1936 (Faz hoje, exatamente 76 anos!!!) o Pe. Luis Urbano Lanaspa, com atitude serena e tranquila recebeu a morte dos ateus marxistas, inimigos da nossa Santa Igreja Católica e de Jesus Cristo. Os seus restos mortais encontram-se na cripta lateral do altar de São Domingos da Basílica de São Vicente Ferrer, em Valência.
        Em 11 de março de 2001, o Papa João Paulo II beatificou-o, na companhia de outros 232 mártires da grande perseguição religiosa em Espanha (1936-1939).