segunda-feira, 27 de maio de 2013

São Bruno de Würzburg, bispo

St  Bruno s sculpture on the bridge  Wurzburg Stock Photo - 14432449

           Martirológio Romano: Em Wurzburgo, de Franconia, na Alemanha, santo Bruno, bispo, que reconstruiu a igreja catedral, reformou o clero e explicou ao povo as Sagradas Escrituras (1045).Etimologicamente: Bruno = Aquele que é de pele escura, é de origem germânica. Filho do duque Conrado I e de Matilde de Suevia, parente do papa Gregório V e dos imperadores Conrado II e Enrique III, esteve à frente da chancelaria imperial romana de 1027 a 1034. Bispo de Würzburg de 1034 a 1045. 
            Reconstruiu a catedral, preocupado pela instrução do clero, escreveu «Expositio in psalmos» comentando cada salmo, com textos de santo Agostinho e Casiodoro; «Comentario al Cantar de los cantares»; «Comentario al Padrenuestro». Ninguém entendia de onde sacava o tempo o bispo, porque além disso acompanhou em 1040 o imperador Enrique III por Alemanha. 
          Em 1042 dedicou muitas horas a conseguir que Inês de Poitou, filha do rei Guillermo de Aquitânia, se casasse com Enrique III. Em 1045 o acompanhava numa expedição contra Hungria, que resultou fatal. Chegados a Persenberg na margem do Danúbio, se alojaram no castelo da condessa Reichilde. 
        Um dia enquanto comiam, o pavimento se veio abaixo: houve mortos e feridos, entre eles Bruno. Que morreu uma semana depois, após uma semana de autêntico purgatório. Enterrado em sua catedral, fez muitos milagres. Quando quiseram canonizá-lo Inocêncio IV avisou: «nem os méritos sem milagres, nem os milagres sem méritos, bastam para declarar santo a um cristão». Passou o exame com nota excelente.



Foto von St. Bruno in Würzburg

Igreja de São Bruno, Alemanha



Catedral de Würzburg



Santo Atanásio Bazzekuketta, mártir

          

            Bazzekuketta pertencia ao clã Nkima e era filho de um importante funcionário da corte.
            Em 1881, durante a visita a uma das suas irmãs, Namuddu, Bazzekuketta adoece gravemente. Vendo-o em perigo de vida o seu amigo Sembuga, catecúmeno, fala-lhe de Deus e de Cristo e baptiza-o com o seu consentimento. Bazzekuketta curou-se da doença.    Já restabelecido da saúde foi apresentado a Mutesa de quem se tornou pagem assumindo um cargo de responsabilidade na corte: a guarda do tesouro real e a decoração do palácio.
            Era de temperamento calmo e tranquilo e desempenhava com competência as suas funções.
            Foi assíduo na aprendizagem do catecismo e em 1885 recebeu o batismo tomando o nome de Atanásio.
           Tendo sido condenado a ser queimado vivo em Namugongo, cortaram-lhe a cabeça e os membros a caminho do fatídico local. Corria o ano de 1886 e Bazzekuketta tinha vinte anos de idade.
          Santo Atanásio Bazzekuketta é patrono dos ecônomos e das cooperativas sociais.

Santo Agostinho de Cantuária, apóstolo da Inglaterra


         

         Um século após são Patrício ter convertido os irlandeses ao catolicismo, a atuação de Agostinho foi tão importante para a Inglaterra que modificou as estruturas da região da mesma forma que seu antecessor o fizera. No final do século VI, o cristianismo já tinha chegado à poderosa ilha havia dois séculos, mas a invasão dos bárbaros saxões da Alemanha atrasou sua propagação e quase destruiu totalmente o que fora implantado.
          Pouco se sabe a respeito da vida de Agostinho antes de ser enviado à Grã-Bretanha. Ele nasceu em Roma, Itália. Era um monge beneditino do mosteiro de Santo André, fundado pelo papa Gregório Magno naquela cidade. E foi justamente esse célebre papa que ordenou o envio de missionários às ilhas britânicas.
       Em 597, para lá partiram quarenta monges, todos beneditinos, sob a direção do monge Agostinho. Mas antes ele quis viajar à França, onde se inteirou das dificuldades que a missão poderia encontrar, pedindo informações aos vários bispos que evangelizaram nas ilhas e agora se encontravam naquela região da Europa. Todos desaconselharam a continuidade da missão. Mas, tendo recebido do papa Gregório Magno a informação de que a época era propícia apesar dos perigos, pois o rei de Kent, Etelberto, havia desposado a princesa católica Berta, filha do rei de Paris, ele resolveu, corajosamente, enfrentar os riscos.
       A chegada foi triunfante. Assim que desembarcaram, os monges seguiram em procissão ao castelo do rei, tendo a cruz à sua frente e entoando pausadamente cânticos sagrados. Agostinho, com a ajuda de um intérprete, colocou ao rei as verdades cristãs e pediu permissão para pregá-las em seus domínios. Impressionado com a coragem e a sinceridade do religioso, o rei, apesar de todas as expectativas em contrário, deu a permissão imediatamente. 
          No Natal de 597, mais de dez mil pessoas já tinham recebido o batismo. Entre elas, toda a nobreza da corte, precedida pelo próprio rei Etelberto. Com esse resultado surpreendente, Agostinho foi nomeado arcebispo da Cantuária, primeira diocese fundada por ele. A notícia chegou ao papa Gregório Magno, que, com alegria, enviou mais missionários à Inglaterra. Assim, Agostinho prosseguiu e ampliou o trabalho de evangelização, fundando as dioceses de Londres e de Rochester. Não conseguiu a conversão de toda a ilha porque a Inglaterra era dividida entre vários reinos rivais, mas as sementes que plantou se desenvolveram no decorrer dos séculos.
          Agostinho morreu no dia 25 de maio de 604, sendo sepultado na igreja da Cantuária, que hoje recebe o seu nome e ainda guarda suas relíquias. O Martirológio Romano indica a festa litúrgica de santo Agostinho da Cantuária no dia 27 de maio.



Abadia de Cantuária, Inglaterra


Marco sobre o túmulo de Santo Agostinho

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Beato Gerardo de Vilamagna


         

         Natural de Vilamagna, nas margens do rio Arno, Gerardo, filho duma família de agricultores, ficou órfão aos 12 anos. Durante uma peregrinação à Palestina foi feito prisioneiro pelos turcos, que lhe infligiram muitos maus tratos. Restituído à liberdade, visitou devotamente os lugares santos, e depois regressou a Vilamagna, instalando-se junto a uma igreja próxima da sua vivenda. Essa igreja ainda existe, com o nome de igreja de B. Gerardo, e conserva uma arca com as relíquias do antigo e desafortunado cruzado.
          As peripécias do jovem não terminaram com essa peregrinação à Terra Santa. No ano seguinte fez-se novamente ao mar com um grupo de 20 cavaleiros, rumo à Síria. Dessa vez foram piratas que lhe fizeram difícil à viagem e lhe puseram em perigo a vida. Mas finalmente conseguiu chegar pela segunda vez à Palestina, onde se consagrou à oração e à prática da caridade, sobretudo para com doentes e peregrinos. Nessa vida permaneceu sete anos, até notar que se tornava alvo de veneração, coisa que a todo o custo queria evitar. Por isso regressou à Itália.
          Teve então oportunidade de conhecer S. Francisco, e de receber das suas mãos o hábito da ordem da penitência. Como terceiro franciscano regressou ao seu oratório de Vilamagna, e por ali ficou definitivamente. Mas para facilmente se deslocar até ao cimo da colina do Encontro, ele mesmo construiu com suas próprias mãos no meio dos bosques um oratório dedicado à Virgem Maria. Foi essa a primitiva construção da igreja que ainda existe, rodeada por um conventinho simples e sugestivo. Porém, o convento franciscano do Encontro não foi construído pelo B. Gerardo: foi fundado por outro santo, Leonardo de Porto Maurício, quase cinco séculos mais tarde, para continuar e completar a obra do seu colega em santidade.
          Contam-se dele alguns milagres, como o de encontrar numa ameixoeira frutos maduros fora do tempo, para satisfazer os desejos dum doente. Outra ocasião, necessitando de transportar material para a construção do seu eremitério, e perante a recusa dum lavrador de lhe emprestar os bois para o carrego, encontrou subitamente duas juntas de bezerros que lhe fizeram o transporte sem dificuldade para onde ele queria.   Todas as semanas visitava em piedade peregrinação  três santuários, em sufrágio das almas do purgatório, a fim de obter a remissão dos pecados e converter infiéis. Entregou a alma ao Senhor no dia 25 de maio de 1270, com a bonita idade de 96 anos.

Beato João de Prado


        

          Nascido em Mogrovejo na Espanha em 1560, de pais nobres. Interrompeu os estudos na universidade de Salamanca para envergar o hábito dos frades menores de Rocamador a 16 de novembro de 1584, onde professou no ano seguinte. Pregador ardente e bom teólogo, tomou parte nas controvérsias sobre a Imaculada Conceição. Desempenhou vários cargos, como o de guardião em diversos conventos, mestre de noviços, e definidor por duas vezes. 
          Devido às virtudes e dotes que todos lhe reconheciam, foi escolhido para governar a nova província franciscana de São Diogo, fundada em 1620. Durante o seu mandato de provincial tentou restaurar a missão franciscana de Marrocos. Com efeito, 1630 foi destinado a Marraquexe, capital de Marrocos, para prestar assistência espiritual aos escravos cristãos. Obtido um salvo-conduto do sultão e as credenciais de Prefeito Apostólico por parte de Urbano VIII, partiu de Cádiz com alguns confrades a 27 de novembro de 1630.
         Depois de ter exercido o ministério em Mazagão por três meses, tentou chegar a Marraquexe, mas foi capturado pelas autoridades muçulmanas em Azamour, e só chegou ao destino pretendido a 2 de abril de 1631. Levado à presença do novo sultão Mulay, confessou intrepidamente a fé cristã. Foi metido na masmorra e várias vezes flagelado.    Durante a sua última polêmica com o sultão, foi por ele apunhalado e condenado à fogueira na praça do palácio. Enquanto de cima da fogueira continuava destemidamente a pregar a fé, foi alvejado à pedrada e à paulada. Assim passou ao céu, a 24 de maio de 1631, com 71 anos.
            A terra de Marrocos, banhada com o sangue dos protomártires franciscanos e com os mártires de Ceuta, S. Daniel e companheiros, recolheu também o sangue deste ilustre confrade que durante muitos anos exercera o apostolado em terras da Espanha e se tinha preparado para o martírio com rigorosas penitências e uma exuberante vida de oração. A sua morte gloriosa foi acompanhada de muitos milagres e numerosas conversões.

São Teófilo de Corte


       

        São Teófilo de Corte é considerado o grande promotor dos Retiros, em que os religiosos passam pelo menos duas diárias em oração comum, se levantam de noite para a celebração de Matinas, e observam regime de abstinência durante quatro semanas por ano, ou seja quase meio ano.
           Nasceu na Córsega, em Corte, oriundo duma família remediada e com certo nome. Recebeu no batismo o nome de Brás, que mais tarde mudou para o de Teófilo, ou seja, “amigo de Deus”, quando se fez frade franciscano na sua cidade natal, após os estudos preliminares. A família era benfeitora dos franciscanos e tinha na igreja dos mesmos a sua própria sepultura.
        Terminado o tempo de prova, completou em Roma os estudos de filosofia e em Nápoles os de teologia. Em princípios de 1700 recebeu a ordenação sacerdotal, e daí em diante viveu quase sempre no continente. Só 30 anos mais tarde voltou uma vez à sua ilha natal, com muita emoção e no meio de grandes dificuldades, a fim de fundar também ali um dos seus Retiros. Durante anos alternou a sua estadia entre os dois conventos correspondentes ao seus dois primeiros Retiros, partilhando alternadamente a direção dos mesmos com o seu próprio superior, S. Tomás de Córi, em perfeita harmonia de intenção e ação.
         Delicado na direção espiritual e extremamente compreensivo e paciente, embora por temperamento fosse arrebatado e fogoso, Teófilo de Corte não encontrou facilidades no seu empenho de promover os Retiros. O apostolado de pregação popular mostrava-se extremamente eficaz depois da intensa preparação feita nos Retiros. Teófilo aparecia no meio ritmo de fé e de entusiasmo.
          Superou as mais diversas dificuldades com doçura e tenacidade, suavizando todas as asperezas. Uma das mais importantes manifestações de reconhecimento veio-lhe da parte do último descendente dos Médicis , ao apoiar na Toscana a sua obra, que como sempre a princípio foi cheia de dificuldades e obstáculos.
          Em Fucécchio, onde era guardião do convento, sobreveio-lhe a morte aos 64 anos de idade, no dia 19 de maio de 1740, depois de haver pedido perdão aos confrades por coisas que sua delicadíssima consciência considerava faltas, mas que para os outros eram outras virtudes, dignas dum santo.

Beata Humiliana de Cerchi

          

          Nasceu em Florença, filha de Olivério dei Cérchi, descendentes de antigos senhores feudais. Por perder a mãe quando era ainda criança, foi educada pela madrasta Ermelina, consanguínea de São Filipe. Em 1234, com apenas 15 anos, foi por vontade dos familiares dada como esposa a um usurário nobre. Nesse casamento de puro interesse viveu cinco anos, e dele resultaram duas filhas. Com um feitio completamente diferente do marido, teve a sorte de durante esse período ser amparada por uma dedicada parenta de Ravena.   Todos os dias dedicava logo pela manhã algum tempo à oração mental; chegava a privar-se de alimentos e roupas para alimentar e vestir os pobres:  a todos dava exemplo de autêntica piedade e caridade.
          Em 1239, aos 20 anos de idade, ficou viúva. Renunciou a parte do dote para liquidar as dívidas do defunto marido, e dedicou-se com mais empenho à educação das filhas. Transcorrido o ano da viuvez, voltou para a casa paterna, forçada a deixar as filhas aos consanguíneos do falecido esposo. Confirmou uma vez mais o propósito de viver em castidade, rechaçando propostas e ameaças dos familiares, que queriam que ela voltasse a casar. Várias vezes pediu às clarissas de Monticélli para admitirem no mosteiro, mas em vão. 

          Resignada a viver no mundo, escolheu para diretor espiritual o franciscano Beato Miguel dos Albertos, e progrediu em especial na contemplação de Jesus crucificado. Em 1240 recebeu o hábito franciscano da penitência na igreja de Santa Cruz: foi à primeira cristã a fazer-se franciscana em Florença, logo seguida por muitas outras santas mulheres.
Em 1241 pediu e obteve do papa autorização para viver isolada na torre dos Cérchi, ao pé da Praça da Senhoria. Mas mesmo nesse isolamento sofreu perseguições e contrariedades. Privada dolosamente de grande parte dos bens, em vez de se irritar, até se alegrou com isso e deu esmolas, distribuindo pelos pobres o pouco que lhe restava. Foram muitos os carismas com que Deus a agraciou: êxtases, espírito profético e poder taumatúrgico.
          Muitos episódios da sua vida mereceram ser inscritos em florilégios legendários, como o de ser curada duma chaga dolorosa por meio dum sinal da cruz traçado por mão invisível, ou de fazer com que água substituísse o azeite para alimentar a lamparina do Santíssimo. Pela madrugada, o despertador para a oração da manhã era o seu Anjo da Guarda. 

          Uma vez, morta de sede, veio a Virgem Maria dar-lhe de beber. Outras vezes era Jesus que para ela se alimentar lhe dava pão e lhe transformava a água em vinho. O mesmo Jesus lhe ressuscitou uma filha, acometida de morte súbita. Quando Satanás vinha tentá-la com alucinações e seduções, ou então meter-lhe medo com imagens repelentes, a sua firmeza de fé defendia-a sempre desses assaltos.
         Rodeada já em vida dessa auréola de santidade, morreu a 19 de maio de 1246, com a idade de 27 anos, e foi sepultada na igreja de Santa Cruz.



restos mortais de Humiliana de Cerchi