São Paulo ele mesmo é a fonte, tão ilustre quanto lacônica, sobre esta Santa. Dele ficamos sabendo que Febe (1) tinha uma incumbência eclesiástica junto à comunidade cristã de Kenchris, pequena cidade portuária ao leste de Corinto, no istmo do mesmo nome. Ela desempenhava o ofício de oráxovo(ministra), termo que foi dado pela primeira vez a uma mulher na Igreja nascente.De tais mulheres parece São Paulo tratar em I Tim.5, 9 sg, onde são postas em relevo as qualidades familiares e morais necessárias às viúvas para serem eleitas: “seja escolhida a viúva (para o serviço da Igreja) com não menos de sessenta anos, que tenha sido mulher dum só marido, que tenha reputação de boas obras: se educou bem os seus filhos, se praticou a hospitalidade, se lavou os pés dos santos, se acudiu aos atribulados, se praticou toda a obra boa”.Santa Febe, como tantas outras figuras femininas mencionadas no Novo Testamento, refletem um dos trabalhos do Espírito Santo na Santa Igreja nascente: moldar o papel da mulher na instituição. As viúvas, as esposas e mães, as virgens, cada uma terá será sua função. As mães deveriam guardar os tesouros da Fé deixando-os indeléveis nas almas dos filhos; as viúvas, como Santa Febe, dedicando-se à comunidade cristã; as virgens, dedicando-se à vida de contemplação e sacrifício, que logo nos séculos seguintes desabrochariam nos primeiros conventos. Evidentemente, como tudo na Igreja, como todo o organismo vivo e saudável, nada era tão esquemático: viúvas houve que fundaram mosteiros, virgens que fundaram obras assistenciais, etc.Podemos deduzir que Santa Febe era viúva de uma certa idade e de boa condição social, o que lhe permitia dedicar-se às boas obras mencionadas por São Paulo, em particular a hospitalidade.Talvez São Paulo tenha aludido à hospitalidade ao elogiá-la por ter assistido a muitos, inclusive ele próprio, o que, aliás, é bastante aceitável pela posição geográfica de Kenchris, para onde convergia um importante tráfico com as ilhas Egeu e com a Ásia Menor. O que devia dar ocasião a Febe de atender os viajantes cristãos que vinham daquelas terras.Ignora-se o motivo de sua viagem a Roma, mas há uma tradição que a menciona como a portadora da Epístola aos Romanos. Também é desconhecido o ano e o local de seu falecimento. Se a Epístola aos Romanos foi escrita nos primeiros meses de 57, como parece certo, Febe já então sexagenária pode ter morrido algum tempo depois daquele ano.No Ocidente, o seu culto é bem documentado, atestado por vários martirologios, inclusive o Martirologio Romano. É comemorada no dia 3 de setembro.(1) Etimologia: Febe deriva de Phoebe, do grego = radiante, brilhante, o sol
"Caritas Christi urget nos!" (II Cor. 5, 14). Anunciar a todo homem e toda mulher a beleza do plano de Deus para com suas vidas e ajudar a restaurar sua dignidade à luz do amor revelado em Jesus Cristo.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Santa Febe (Phoebe), coadjutora de São Paulo -
Santa Rosália, virgem e eremita de Palermo
Rosália Sinibaldi viveu no período feliz de renovamento católico que se restabelecera na Sicília após a expulsão dos árabes, que haviam permanecido na região de 827 a 1072. Foi possível então a difusão dos mosteiros Basilianos e Beneditinos. Naquela atmosfera de fervor e renovação religiosa se inseriu a vocação eremítica desta Santa.
Rosália nasceu no ano 1125 em Palermo, na Sicília, Itália. O nome Rosália resulta da contração dos nomes "Rosa" e "Lilia" (Lilium). Era filha de Sinibaldo, rico senhor de Quisquinia e das Rosas, na província de Agrigento, então chamada Girgenti, e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. Segundo a tradição, ela pertencia a uma nobre família normanda descendente de Carlos Magno.
Durante a adolescência foi dama da corte da Rainha Margarida, esposa do Rei Guilherme I da Sicília, que apreciava sua companhia amável e generosa. Porém, ela não se sentia atraída por nada disso, pois sabia que sua vocação era servir a Deus e ansiava pela vida monástica.
Aos catorze anos, levando consigo apenas um crucifixo, Rosália abandonou de vez a corte e se refugiou numa gruta que pertencia ao feudo paterno e era um local ideal para a reclusão monástica, pois ficava próximo do convento dos beneditinos que possuía uma pequena igreja anexa. Mesmo vivendo isolada, Rosália podia receber orientação espiritual e seguir as funções litúrgicas.
Mais tarde a ermitã se transferiu para uma gruta no alto do Monte Pelegrino, que lhe fora doada pela amiga a Rainha Margarida. Ali já existia uma pequena capela bizantina e nos arredores outro convento de beneditinos. Eles acompanharam, testemunharam e documentaram a vida eremítica de Rosália, que viveu em oração, solidão e penitência. Atraídos pela fama de santidade da ermitã, os habitantes do povoado subiam o monte para vê-la.
Rosália faleceu no dia 4 de setembro de 1160 na sua gruta no Monte Pellegrino, em Palermo.
No início de 1600, o seu culto havia caído quase no esquecimento, sendo ela entretanto ainda venerada; no Monte Pelegrino, em grutas vizinhas a que ela, segundo a tradição, habitara, alguns ermitões viviam e eram conhecidos como os “solitários de Santa Rosália”.
Em 26 de maio de 1624, Jeronima Gatto, uma doente terminal, viu em sonho uma jovem vestida de branco que lhe prometia a cura se fosse ao Monte Pelegrino para agradecê-la. A mulher, ardendo de febre, foi ao monte acompanhada de duas amigas. Após beber a água que escorria da gruta se sentiu curada e caiu em um torpor repousante. A jovem de branco apareceu-lhe de novo dizendo-se ser Santa Rosália e lhe indicou o local onde estavam sepultadas as suas relíquias.
O fato foi referido aos frades franciscanos do convento vizinho, cujo superior deles, São Benedito (1526-1589), já havia tentado encontrar as relíquias, sem sucesso. Eles então retomaram as buscas, e em 15 de julho de 1624 encontraram, a quatro metros de profundidade, uma urna de cristal de rocha de seis palmos de comprimento por três de largura, na qual estavam aderidos ossos.
Levada para a cidade, a urna foi examinada por teólogos e médicos que chegaram a conclusão de que os ossos podiam pertencer a mais de uma pessoa. Não convencido, uma segunda comissão foi nomeada pelo Cardeal Arcebispo de Palermo, Giannettino Doria.
Entrementes uma terrível epidemia grassou na cidade de Palermo fazendo milhares de vítimas. O Cardeal reuniu na catedral povo e autoridades, e todos juntos pediram a ajuda de Nossa Senhora, fazendo voto de defender o privilégio da Imaculada Conceição, tema de debates na Igreja de então, e de declarar Santa Rosália padroeira principal de Palermo, venerando suas relíquias quando elas fossem reconhecidas. Após a promessa, a epidemia cessou.

Em 11 de fevereiro de 1625 uma comissão científica comprovou a autenticidade das relíquias e da inscrição, e em 1630 o Papa Urbano VIII incluiu as duas datas no Martirológio Romano. Estes fatos reacenderam o culto à Santa Rosália.
Santa Rosália é festejada em 15 de julho, data que suas relíquias foram encontradas, e em 4 de setembro, data de seu falecimento. Anualmente acontece em Palermo, na noite de 14 para 15 de julho, uma grande festa religiosa denominada Festino di Santa Rusulia. A procissão das relíquias da Santa, de pompa extraordinária, percorre as ruas da cidade entre orações, cânticos e aclamações. E a cada ano, no dia 4 de setembro, renova-se a tradição de caminhar, com os pés descalços, de Palermo até o Monte Pelegrino.
A urna contendo os restos mortais de Santa Rosália pode ser venerada no Duomo de Palermo. Os palermitanos a chamam de "a Santuzza" (a santinha). Santa Rosália é venerada como padroeira de Palermo desde 1666 e é tida como protetora contra doenças infecciosas.
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Gruta de Sta. Rosália, numa aquarela do séc.XIX |
Beata Ingrid Elofsdotter de Skänninge
Ingrid, da nobre família Elofsdotter, nasceu em meados do século XIII. Por parte de sua mãe, era neta do Rei Canuto da Suécia. Ela recebeu uma educação condizente com sua condição social, sobretudo profundamente cristã. Alma de cândidos ideais, viveu desde os primeiros anos de vida em fervorosa piedade. As virtudes mais heroicas pareciam conaturais nela. Quando muito jovem foi obrigada por seus pais a contrair um riquíssimo casamento, mas todo aquele esplendor do mundo não a deslumbrou, continuando a viver no mundo sem ser do mundo.
Ficou viúva em pouco tempo. Com uma irmã e um devoto séquito de damas de honra, empreendeu uma longa peregrinação à Terra Santa, onde seu coração se acendeu ainda mais de terno amor pelo Salvador. Da Palestina ela foi para Roma e depois para Santiago de Compostela. Em Roma, pediu ao Papa autorização para fundar um mosteiro de religiosas contemplativas em seu país.
Retornando ao seu país, um único desejo a dominava: se dedicar para sempre a uma vida de oração e penitência. Mas o demônio, furioso, engendrou uma trama terrível, tentando ofuscar sua reputação entre os seus concidadãos. Tudo entretanto foi esclarecido e a santa peregrina, recebida com alegre veneração, pode logo realizar seus votos e, auxiliada por generosos benfeitores – entre eles seu irmão, João Elovson, cavaleiro teutônico – construiu um mosteiro sob a Regra de São Domingos, onde, juntamente com um bom número de virgens, se dedicou inteiramente a contemplação e as santas austeridades.

A Beata faleceu no dia 2 de setembro de 1282, quando era Priora daquele mosteiro, com tanta fama de santidade e obtendo milagres prodigiosos, que logo o seu culto se espalhou para os povos vizinhos.
Suas relíquias foram solenemente transladadas em 29 de julho de 1507, pela autoridade do Papa Alexandre VI, estando o rei presente, uma grande multidão, todos os bispos da Suécia e os Irmãos Pregadores daquela região.
Em 1414, o Bispo de Linkoping, Canuto Bosson, antes do Concílio de Constança, pedira à Santa Sé autorização para abrir o processo de sua canonização. Devido a Pseudo Reforma protestante, o processo não teve continuidade. Durante os eventos da reforma, o Mosteiro de São Martinho foi destruído, bem como as relíquias da Beata, e sua causa de canonização nunca chegou a uma formalização. Mas, ela foi inserida no Martirológio Romano e sua memória é celebrada no dia de seu falecimento.
Santa Margarida de Louvain, virgem e mártir
Margarida nasceu em Louvain, Flandres, em 1207. Seus pais pertenciam à classe trabalhadora. Desde sua infância ele deu provas de um admirável caráter e de rara modéstia. Sua mãe era uma mulher virtuosa que a criou no amor de Deus. A menina crescia simples e inocente, ao mesmo tempo doce e graciosa, era a alegria de seus pais.
Aquele era um tempo de vida interior, de fé forte. Era a época das peregrinações. As pessoas iam de Roma a Jerusalém, os lugares onde repousavam as relíquias dos santos eram visitados. Muitas pessoas não acreditavam que suas vidas estivessem completas sem antes ir à Terra Santa.
Margarida tinha em Louvain um parente dono, com sua esposa, de uma pousada especialmente destinada ao uso dos peregrinos. Era chamada de São Jorge, e ficava na Rua de la Monnaie, quase diante da Rua de la Librairie. O hoteleiro era conhecido apenas pelo seu nome, Amando, pois naquele tempo o nome de família era coisa rara. Este homem, que tinha sua alma ligada às coisas de Deus, se ocupava somente de obras de caridade. Ele sentia-se muito feliz em hospedar gratuitamente os peregrinos pobres, acreditando ver neles o próprio Jesus Cristo.
Em 1225, Margarida começou a trabalhar para o seu tio Amando. As pessoas chamavam-na de “Margarida, a Intrépida” por causa de sua coragem e sua grande nobreza de caráter, e também por sua seriedade quando abordada por jovens atraídos por sua graça e beleza.
Como os donos da pousada estavam envelhecendo, decidiram ingressar na Abadia de Villers-la-Ville, no Brabante Valão. A piedosa Margarida decidiu que os acompanharia. A pousada foi vendida e eles se prepararam para realizar seus planos. Mas, na véspera da partida alguns peregrinos pediram hospitalidade. Como aconteceu de não haver nada para beber, Margarida foi à procura de vinho. Enquanto isto, os peregrinos, que eram malfeitores disfarçados que pretendiam roubar o que encontrassem, mataram Amando e sua esposa, antes de levar Margarida para fora da cidade. Como ela se recusasse a ceder à paixão de um dos malfeitores, ela foi por sua vez covardemente assassinada e seu corpo lançado no Rio Dyle.
Por aquele tempo Henrique 1º. Duque de Brabante ocupava com sua esposa Maria, filha de Filipe Augusto, Rei de França, o castelo que se erguia sobre a montanha situada perto da porta de Malines, à qual se dá atualmente o nome de Mont-César.
Na noite do crime, o duque estava à janela do seu castelo, sem dúvida para respirar o frescor do ar. Dirigindo seu olhar na direção do rio, ele foi atraído, conforme narra a legenda, por uma claridade que cercava um objeto que boiava na corrente, e ele acreditou ouvir, nas nuvens, vozes de anjos. Ele procurou se informar sobre esta estranha aparição e tomou conhecimento de que era o corpo de uma jovem que as vagas transportavam contra a corrente em direção a Louvain.
O duque ordenou que o corpo fosse retirado da água e fosse colocado na margem do rio. A tradição relata que isto ocorreu perto do Marché-au-Poisson, no local aonde existe atualmente a Rua Craenendonck. Sempre de acordo com a tradição, o corpo exalava um doce perfume. As pessoas consideraram aquilo um milagre. O corpo da jovem mártir foi transportado solenemente para a Igreja de São Pedro.
Margarida tornou-se objeto de veneração popular e muitos milagres lhe foram atribuídos. Traços desta legenda estão ainda presente em Louvain no interior da Igreja de São Pedro.
Em 1905, o Papa São Pio X confirmou o seu culto canonizando-a. Ela é festejada no dia 2 de setembro.
Santa Ida de Herzfeld, viúva,mãe dos pobres

Foi a primeira santa da Vestfalia. É sem dúvida um dos casos mais flagrantes de membros de famílias inteiras e gerações da Idade Média voltados para a vida religiosa.
Santa Ida nasceu c. de 766, na Vestfalia (região histórica da Alemanha entre o Weser e o Reno) e viveu na época de Carlos Magno (742-814), e todos os seus cinco irmãos e irmãs escolheram a vida religiosa, dois deles, Wala e Adalhard, se tornaram abades de Corvey.
Tendo passado a sua infância praticando as virtudes e a piedade cristãs, se casou com o Duque da Saxônia, Ecberto, de quem ela amorosamente cuidou durante uma longa doença.
De sua feliz união nasceram cinco filhos, três dos quais escolheram a vida religiosa: uma filha, a Venerável Hadwig, foi abadessa em Herford, e no mesmo convento também foi religiosa outra filha, Adela. Seu filho, o Venerável Varin, mais tarde tornou-se abade de Corvey. Duas outras filhas ocuparam posições importantes na sociedade da época.
Junto com seu marido Ecberto, levou uma vida cristã exemplar e eles mandaram construir uma igreja em Herzfeld (diocese de Münster), seguindo as instruções recebidas por Ida em um sonho.
Em 811, quando tinha 45 anos, ficou viúva. Após cuidar que seus filhos tivessem uma vida digna, ela se retirou perto da igreja que fora construída em Herzfeld, não muito longe de seu castelo Hoverstadt.
Na cela ao lado da igreja onde passou a viver, Ida dedicou-se às obras de piedade, de mortificação e de caridade para com os pobres da região, dando-lhes as coisas necessárias utilizando-se de seus bens.
Ida, que era chamada de "mãe dos pobres", contribuiu significativamente para a fundação da primeira comunidade cristã no sul da Vestfalia. Ela morreu em 4 de setembro de 825 em Herzfeld e foi sepultada ao lado da igreja, onde ela já tinha feito enterrar o marido.
Em 26 de novembro 980, o bispo de Münster, Mons. Dodo, efetuou a "elevação" de suas relíquias, isto é, canonizou-a (proclamou-a santa), de acordo com o ritual da Igreja na época.
Na mesma data houve a primeira procissão (Identracht) com suas relíquias nas ruas de Herzfeld, e seu túmulo tornou-se um lugar de peregrinação.
Santa Ida é especialmente invocada por mulheres prestes a dar à luz, pelas noivas e viúvas. Sua festa é celebrada no dia 4 de setembro e Herzfeld também a comemora em 26 de novembro, a data da canonização.
Seu amor à vida se reflete em uma legenda, segundo a qual um cervo que estava sendo caçado a encontrou e se amparou nela.
Martirológio Romano: Em Heresfeld na Saxônia, Alemanha, Santa Ida, viúva do Duque Ecberto, famosa pela caridade para com os pobres e assiduidade na oração.
domingo, 1 de setembro de 2013
Beata Juliana de Collalto, abadessa
Martirológio Romano: Em Veneza, Itália, a Beata Juliana de Collalto, abadessa da Ordem de São Bento.(1186-1262).
Ela nasceu 1186. Treviso, Itália
Morte: 01 de setembro de 1262.Veneza, Itália
Nascida em Collato (hoje bairro da cidade de Treviso Susegana) dentro da família aristocrática Collato, seus pais eram o conde ea condessa Rambaldo VI Sant'Angelo Joan of Mantua. Aos dez anos, ela entrou para o convento beneditino de Santa Margarida de Salarola. Aqui viveu os primeiros anos de vida religiosa de uma forma exemplar.
Em 1220 ela entrou para o mosteiro da Beata Beatriz del Este I: entre os duas uma profunda amizade nasceu.
Em 1222 foi contratada para fundar um mosteiro ao lado da igreja de São Cataldo em Spinalonga (agora Giudecca) em Veneza. Assim nasceu, no lugar deixado uma comunidade fechada que durante séculos dedicado à oração. A igreja foi dedicada a São Brás.
Juliana foi nomeada abadessa e sempre teve uma atenção especial para os pobres. Sua caridade foi observada em toda a cidade de forma rápida e realizou muitos milagres.
Durante os últimos anos de sua vida, sofria de fortes dores de cabeça, por essa razão é invocada com santa de proteção de todas as pessoas que sofrem desta doença. Ela morreu aos 77 anos. Ela foi enterrada no cemitério da igreja. Seu corpo foi encontrado incorrupto transferido para a paróquia de Santa Eufemia.
Santa Joana Soderini, religiosa

Veio ela ao mundo no ano 1301, numa das primeiras famílias de Florença. Nem bem sua razão começou a desabrochar, e já o seu maior prazer consistia em ouvir a narrativa dos mistérios da fé cristã, e em conversar sobre eles. Uma terna piedade lhe abrasava o coração.
A Santa Virgem merecia-lhe particular devoção; honrou-a desde os mais ternos anos; todos os dias entoava-lhe louvores e dirigia-lhe fervorosas preces. Tendo Joana chegado ao conhecimento, de maneira sobrenatural, de que a sua governanta, chamada Felícia Tónia, morreria dentro de pouco tempo, preveniu a moça, e esta, submetendo-se resignadamente à vontade de Deus, se ocupou em procurar uma pessoa prudente capaz de substituí-la junto à aluna. Nessa intenção indicou a ilustre Santa Juliana Falconieri.
Muito repugnava aos pais de Joana a ideia de fazê-la ingressar num estabelecimento religioso, pois era a única filha do casal, e já cogitavam dá-la em casamento a um jovem florentino de classe igualmente elevada. Porém, quando a menina lhes contou que já escolhera Jesus Cristo para esposo, não ousaram opor-se ao desejo por ela manifestado. Apenas com doze anos de idade, a jovem serva de Deus colocou-se sob a disciplina de Santa Juliana e prazerosamente envergou o hábito religioso.
Sob a direção de tão hábil mestre, não tardou em realizar grandes progressos nos caminhos da perfeição. Não satisfeita por haver renunciado ao mundo e a todas as vantagens temporais que nele poderia encontrar, desejou ligar-se a Deus por laços indissolúveis e pronunciou, diante do altar de Nossa Senhora da Anunciação, seu voto de castidade perpétua. Porém, persuadida de que essa virtude evangélica só através da mortificação e da prece perdura na alma, castigou o corpo durante a vida inteira com o jejum, as vigílias, o cilício, a disciplina, e várias outras austeridades.
Possuía tão grande humildade que encontrava prazer em executar as tarefas mais grosseiras da casa e em prestar às suas irmãs os serviços mais abjectos. Sua doçura, sua bondade, a alegria simples e natural que acompanhava seus atos de caridade mereceram-lhe e conquistaram-lhe a afeição de todas suas companheiras.
O demônio, invejoso de tão alta pureza e virtude, envidou os maiores esforços para triunfar da serva de Deus: esta porém, cheia de confiança no auxílio do céu, resistiu tenazmente às mais difíceis e penosas tentações, suportou com paciência as mais mortificantes provações, e afinal saiu vitoriosa da luta que sustentara contra o inimigo. Para premiar a sua virtude, sem dúvida, o Senhor favoreceu-o com o dom da profecia. Joana fez várias predições, cuja veracidade foi comprovada pelos acontecimentos.
Tendo chegado o tempo em que a sua bem-aventurada diretora, Santa Juliana Falconieri deixaria a terra para reunir-se ao celeste esposo, Joana prodigalizou-lhe os mais assíduos e os caridosos cuidados; recebeu, em 1340, o seu último suspiro e foi a primeira a ver a imagem do Salvador miraculosamente impressa, como um sinete, no peito daquela ilustre virgem. Comunicou o prodígio às irmãs, que não se fartaram de admirá-lo. De tal modo a impressionou aquele favor celestial que redobrou de fervor e empenhou-se, durante os vinte e seis anos que ainda viveu, em imitar todas as virtudes de que a Santa Juliana lhe dera tão belos exemplos. Enfim, rica de merecimento e gasta pelas mais rigorosas penitências, entregou pacificamente a alma ao Criador, no dia primeiro de Setembro de 1827.
Seu corpo foi transportado para a Igreja da Anunciação, de Florença, assistida pelos servitas e bem depressa se tornou objecto de veneração pública. Em virtude da insistente solicitação do conde Lourenço Soderini, patrício romano, e que pertencia à mesma família da santa religiosa o Papa Leão XII aprovou, no dia primeiro de Setembro de 1827, o culto imemorial da bem-aventurada Joana.
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