sexta-feira, 20 de abril de 2012

Santa Inês de Montepulciano, virgem

        

         Inês nasceu em 28 de janeiro de 1268, na aldeia de Graciano, próxima da cidade de Montepulciano, que depois lhe serviu de sobrenome. Era filha de pais riquíssimos, da família dos Segni. Mas sua vocação deve ter se manifestado quando era ainda criança, pois mal aprendeu a falar e já ficava pelos cantos recitando orações, procurando lugares silenciosos para conversar com Deus.
         Não tinha ainda seis anos quando manifestou aos pais a vontade de tornar-se religiosa e, com nove anos, já estava entregue aos cuidados das religiosas de São Domingos. Entretanto não foi só isso. Ainda não completara dezesseis anos de idade, quando suas companheiras de convento a elegeram superiora e o papa Nicolau VI referendou essa decisão incomum.
         Contudo sua atuação no cristianismo fica bem demonstrada com uma vitória histórica que muito contribuiu para sua canonização. Existia em Montepulciano uma casa que várias mulheres utilizavam como prostíbulo. Inês passou a dizer às religiosas que um dia transformaria aquela casa em convento.
         Partindo dela, prometer, lutar e conseguir não era surpresa alguma para ninguém. A surpresa foi ter conseguido ir além do prometido, tanto influenciou as mulheres que as pecadoras se converteram, e a casa se transformou num convento exemplar na ordem e na virtude.
         Como não poderia deixar de ser, numa vida tão explosiva quanto um raio, a morte também lhe veio precocemente. Não tinha completado cinqüenta anos de idade quando uma dolorosa doença a acometeu e ela morreu rapidamente, no dia 20 de abril de 1317, assim como acontecera com as outras etapas de sua vida.
        O local de sua sepultura se tornou alvo de peregrinações, com muitas graças ocorrendo por intercessão de santa Inês de Pulciano, como passou a ser chamada. Ali foram registradas curas de doentes, a conversão de grandes e famosos pecadores e outros fatos prodigiosos. Inês de Montepulciano foi canonizada pelo papa Bento XIII em 1726.


Santa Inés de Montepulciano, incorrupta

Restos mortais de Santa Inês de Montepulciano

São Teodoro

        

         O significado de seu nome, "dom de Deus", tem tudo a ver com os talentos especiais que Teodoro demonstrou durante toda a vida. O religioso, nascido na segunda metade do século VI na Galícia, hoje França, desde pequeno demonstrou ter realmente vindo ao mundo para a edificação da Igreja, terminando seus dias como instrumento dos prodígios e graças que brotavam à sua volta.
         Diz a tradição que, já aos oito anos, procurava lugares escondidos e solitários para rezar. Depois, quando adolescente, chegou a cavar uma gruta na capela de São Jorge, especialmente para ali entregar-se à oração e a contemplação.
          É preciso esclarecer que, além de tudo, seus pais pediram para o filho a proteção de são Jorge desde o instante do seu nascimento, pois sua mãe teve um parto muito difícil. Teodoro foi agradecido ao santo, que tinha como padrinho, pelo resto de seus dias.
         Todavia seus pais também não esperavam que ele se dedicasse tanto assim à religião e se preocupavam, pois ele era muito diferente dos outros meninos da sua idade, principalmente por ter cavado "sua" caverna na capela.
         Dizem os devotos que o próprio são Jorge apareceu num sonho a sua mãe, para que ficasse tranqüila quanto ao futuro de Teodoro. Logo depois alguns prodígios e graças começaram a acontecer na gruta, pois que, em pouco tempo, todos os dias, grande parte dos moradores locais eram atraídos para lá.
         Teodoro ainda não tinha idade para isso, mas o bispo da cidade vizinha de Anastasiópolis assumiu a tutela do rapaz e o ordenou sacerdote. E mal voltou para sua cidade natal, o povo o elegeu bispo. No cargo ele permaneceu por dez anos, quando abandonou tudo e voltou à sua vida solitária de penitência e oração contemplativa.
          Novamente as graças passaram a fazer parte do cotidiano da gruta de Teodoro, onde grandes multidões o procuravam. Teodoro ali ficou até o dia 20 de abril de 613, quando morreu. Sua festa é muito celebrada pelos católicos do mundo todo, especialmente na França, Alemanha e entre os cristãos de língua eslava.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Beato Conrado de Ascoli, missionário

 
 
          Nasceu em Ascoli Piceno, da família Miliani, em 18 de Setembro de 1234. Junto com Jerónimo Masci, o futuro Nicolás IV, se fez religioso em Ascoli e estudou no Sacro convento de Assis e em Peruggia, onde obteve o título de doutor. Sempre em companhia de seu amigo Jerónimo Masci, ensinou logo nas escolas da Ordem em Roma, E quando Jerónimo foi feito Ministro geral da Ordem, Conrado obteve dele licença para ir como missionário a África.
          Percorreu evangelizando várias regiões de Líbia e foi o primeiro missionário e explorador de Cirenaica. Quando Nicolás III encarregou a Masci induzir o rei de França a desistir da guerra contra Espanha, indicou-lhe por companheiro a Conrado. Resulta felizmente a missão de paz, regressaram a Roma, onde Masci em 1278 foi nomeado cardeal.
           Conrado, depois de uma permanência de dois anos em Roma, foi enviado a París para ensinar teologia na Universidade de dita cidade, onde se mostrou como insigne mestre. Em 1288, Jerónimo Masci foi elevado ao trono pontifício com o nome de Nicolás IV, e chamou a seu lado a Conrado para aproveitar seus luminosos conselhos. Quando ouviu rumores de sua iminente elevação ao cardinalato, que se haviam difundido no ambiente parisino, ele respondeu no discurso de despedida numa praça pública exortando a todos a amar as virtudes cristãs, sobretudo a vida oculta.
           Extenuado pela longa viagem, a princípios de março chegou a Ascoli, onde foi recebido com grandes honras. Um mês depois adoeceu e predisse o dia e hora de sua morte. Quando se agravou o mal, recebeu com angelical fervor os últimos sacramentos, se fez colocar sobre o desnudo chão e adormeceu serenamente no Senhor. Era em 19 de abril de 1289. Tinha 55 anos. Nicolás IV sentei profundamente sua morte, e, confirmando que havia tido a intenção de o fazer cardeal, ordenou que se levantasse um solene mausoléu sobre sua tumba em São Lorenzo delle Piagge. Depois seus despojos mortais foram transportados à igreja de São Francisco (maio 28 de 1371).
         Entre as virtudes praticadas por Conrado, foi característica a da penitência: revestido de um áspero hábito, caminhava com os pés descalços, descansava somente umas poucas horas numa dura tábua, jejuava a pão e água quatro dos sete dias da semana. Como base de seu apostolado havia posto à devoção à Santíssima Trindade, graças a a qual obteve curas de toda classe y dos casos de ressurreição de mortos. Floresceram quando vivia ainda, muitas lendas sobre sua santidade. Se le rendeu culto popular desde tempo imemorial nas Marcas e nas diversas famílias da Ordem minorítica. Pío VI concedeu Oficio e Missa em sua honra em 30 de agosto de 1783.

Santa Ema da Saxônia

 

Ema da Saxônia morreu em 19 de abril de 1040. No mosteiro de São Ludgero, na Alemanha, inexplicavelmente longe da Saxônia, conserva-se uma relíquia desta santa: uma mão prodigiosamente intacta.
De origem alemã, nasceu no berço de uma família muito religiosa e cristã. Era irmã de Meginverco, bispo da cidade de Paderborn, que também se tornou santo.
Muito nova foi dada em matrimônio para Ludgero, conde da Saxônia, que a deixou viúva um ano depois do enlace. Muito devota, bonita, rica e sem filhos, não desejou se casar novamente. E se manteve constante em seu novo projeto de vida, que foi a total dedicação às obras de caridade.
"A mulher estéril", diz a Bíblia, "será mãe de muitos filhos." Assim foi com Ema. Generosa nas doações e no atendimento ao próximo, mas austera e intransigente consigo mesma, procurou a perfeição no difícil estado de viuvez, uma condição bastante incômoda para uma mulher que ficou só e muito rica.
Ela, entretanto, potenciou sua fecundidade espiritual e administrou seu patrimônio em benefício dos pobres e órfãos por meio das instituições assistenciais. Quarenta anos depois, por ocasião de sua morte, ela já não possuía mais nada neste mundo, tendo transferido, por sua caridade, seus bens ao tesouro do paraíso, onde, no dizer de Jesus, "As traças e a ferrugem não consomem, nem os ladrões roubam" (Mt 6,20).
A escolha de Ema não foi uma fuga perante as responsabilidades familiares, mas uma opção em favor de um serviço mais amplo aos necessitados, em nome de Jesus Cristo, que nos deixou o exemplo de dar sua vida pela salvação dos seres humanos. Aliás, o apóstolo Paulo louva a opção das viúvas que se dedicam unicamente ao Senhor e ao serviço comunitário da diocese, de tal modo que, nos primeiros séculos do cristianismo, existia uma espécie de associação de viúvas que trabalhavam distribuindo as esmolas dadas aos pobres pela Igreja.
Ema havia escolhido esta maneira de servir a Deus, a mais difícil e rara. Sua mão se conservou intacta, nove séculos e meio após sua morte, sem dúvida como um sinal certo da sua mais característica virtude: a generosidade.
Esta verdadeira serva de Cristo auxiliou o seu esposo celestial com a oração e a caridade, merecendo a devoção não de um marido, mas de milhões de cristãos.
A Igreja a declarou santa e oficializou o seu culto público, que já era celebrado havia mais de nove séculos, no dia de sua morte.
O corpo de santa Ema da Saxônia, sem aquela mão de que se falou, repousa na catedral de Bremen, Alemanha.

File:Klostergebaeude und Kirche St. Ludgeri.JPG

Mosteiro de São Ludgero

File:Bremen Center 43.JPG

Catedral de Bremen, Alemanha

São Leão IX, papa e confessor

 

Bruno nasceu no ano 1002 na nobre família dos Dagsburgo, ou Asburgo, como ficou sendo grafado depois, e veio ao mundo com algumas manchas no corpo, como que predestinado, naquele início de segundo milênio.
Sua mãe, santa Heilwiges, era uma católica fervorosa, viu que a pele do menino apresentava, ao nascer, muitas manchas vermelhas, formando cruzes por todo o corpo.
Ficou na casa paterna, freqüentada pela nobreza da corte, até os cinco anos de idade, quando sua mãe o confiou ao bispo de Toul, Bertoldo, que, com o passar dos anos, o fez doutorar em direito canônico.
Ao receber a ordenação sacerdotal, foi atuar junto ao seu primo Conrado, que tinha posição de destaque no Império, ali trabalhando pela religião e pela comunidade, cuidando de complicadas tarefas administrativas. Seu trabalho o fez ser eleito bispo de Trèves em 1026, quando implantou e desenvolveu uma reforma profunda nos conventos e na própria forma de evangelização na sua diocese.
Está registrado que, paralelamente ao trabalho desenvolvido em favor da Igreja nas altas rodas do governo e da sociedade, Bruno mantinha, ao mesmo tempo, uma atitude disciplinada e fervorosa quanto aos preceitos da caridade. Para dar exemplo de humildade, diariamente recebia pobres em seu palácio, alimentava-os e repetia a cerimônia do lava-pés, tendo-os como seus discípulos. Liderava também, anualmente, uma peregrinação aos túmulos de são Pedro e são Paulo, em Roma.
Nada disso passou despercebido. Quando faleceu o papa Dâmaso II, Bruno foi eleito, por unanimidade, para o trono de Pedro. Mas recusou. É que a eleição ocorreu em um Concílio convocado pelo imperador da Alemanha, Henrique III, em Worms.
Compareceu enorme número de bispos, prelados, embaixadores e príncipes, referendando o nome de Bruno, mas o bispo só aceitou o cargo depois que o mesmo ocorreu em Roma, quando seu nome foi de novo consagrado por unanimidade, em 1049, na própria basílica de São Pedro.
Ele assumiu e adotou o nome de Leão IX, passando para a história por sua atuação memorável como papa. Citando alguns exemplos: reorganizou a disciplina eclesiástica, implantando nova disciplina e a volta dos preceitos originais do cristianismo nos sínodos de Latrão, Pavia, Reims e Mogúncia; acabou com os abusos da simonia, isto é, com a cobrança para as indulgências dos pecados, e o casamento dos clérigos; criou cardeais de outras nações e não só italianos, como se fazia então; selou a paz entre a Hungria e a Alemanha, evitando uma guerra iminente.  
Há duas passagens mais na vida do papa Leão IX, uma dolorosa e outra heróica. A dolorosa se refere ao cisma provocado por Miguel Cerulário, patriarca de Constantinopla, que rompeu com Roma e separou a Igreja em duas, e que este papa não conseguiu evitar.
A heróica, também triunfal, foi quando os normandos buscavam dominar a Europa e invadiram a Itália. Já haviam capturado as províncias de Apulia e Calábria, quando o papa conseguiu reforços do imperador, pegou em armas e liderou os soldados contra os invasores.
Evitou a tomada de Roma, mas caiu prisioneiro dos inimigos. Embora tratado com muito respeito pelos adversários, a batalha minara sua saúde.
De volta a Roma, morreu em 19 de abril de 1054.
Celebrado neste dia, daquela época até hoje, são milhares as graças e milagres ocorridos, por sua intercessão, aos pés de seu túmulo.

Ficheiro:Eguisheim chateau.JPG

Castelo de Eguisheim, local de nascimento de Bruno de Eguisheim-Dagsburg



Santo Expedito, mártir


Expedito, era chefe da 12ª Legião romana, então estabelecida em Melitene, sede de uma das províncias romanas da Armênia. Ocupava esse alto posto porque o imperador Diocleciano tinha-se mostrado, no começo de seu reinado, favorável aos cristãos, confiando-lhes postos importantes na administração e no exército.
Essa legião era conhecida como a "Fulminante", nome que lhe havia sido dado em memória de uma façanha que se tornou célebre.
Foi sob Marco Aurélio, durante a campanha da Alemanha. O imperador, estabelecido em um campo fortificado, na região dos Quades, isto é, na atual Hungria, se havia deixado cercar pelos bárbaros. Era pleno verão.
A água faltava e a 12ª Legião, recrutada, era em grande parte cristã. Seus soldados se reuniram fora do campo, ajoelharam e oraram, como oram os cristãos. Depois, retomaram logo a ofensiva, mas, mal tinham começado, uma chuva abundante se pôs a cair, e fez recuar os inimigos. Subitamente, os raios e o granizo caíram sobre o exército inimigo com tal violência, que os soldados debandaram em pânico indescritível. O exército romano estava salvo e vencedor.
Como se vê, santo Expedito estava no comando de uma das mais gloriosas legiões romanas, encarregada de guardar as fronteiras orientais contra os ataques dos bárbaros asiáticos.
Mas a história da Igreja é bastante pobre em detalhes sobre a vida de seus chefes que se distinguiram no comando pelas virtudes de cristãos e de lealdade à causa por que lutavam, como exemplo das mais belas virtudes.
"Expedito" ficou sendo o nome do comandante, apelido dado por exprimir perfeitamente o traço dominante de seu caráter: a presteza e a prontidão com que agia e se portava, então, no cumprimento de seu dever de estado e, também, na defesa da religião que professava.
Era assim que os romanos davam, freqüentemente, a certas pessoas um apelido, o qual designava um traço de seu caráter.
Desse modo, Expedito designa, para nós, o chefe da 12ª Legião romana, martirizado com seus companheiros em Melitene, no dia 19 de abril de 303, sob as ordens do imperador Diocleciano.
Seu nome, qualquer que seja a origem de sua significação, é suficiente para ser reconhecido no mundo cristão, pois condiz, com a generosidade e com o ardor de seu caráter, que fizeram desse militar um mártir.
Desde seu martírio, Expedito tem se revelado um santo que continua atraindo devotos em todo o mundo.
Além de padroeiro das causas urgentes, santo Expedito também é conhecido como padroeiro dos militares, dos estudantes e dos viajantes.
Ele era militar e, se já não bastasse a tradição que envolve o seu nome, temos a da sua conversão.
Conta-se que, assim que resolveu se converter, uma tentação se manifestou em forma de corvo. O animal gritava "Crás! Crás!", que significa, em latim, "Amanhã! Amanhã!". O que se esperava era que ele adiasse o batismo, mas Expedito teria pisoteado o corvo e gritado: "Hodie! Hodie!", ou seja, "Hoje! Hoje!". E assim agiu.



Ladainha de Santo Expedito

Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós,


Jesus Cristo, escutai-nos,
Jesus Cristo, aendei-nos,
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós,
Deus Filho, redentor do mundo, tende piedade de nós,
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós,
Santa Maria, rainha dos mártires, rogai por nós,
Santo Expedito, invencível atleta da fé, rogai por nós
Santo Expedito, fiel até a morte, rogai por nós
Santo Expedito, que tudo perdestes para ganhar Jesus Cristo, rogai por nós
Santo Expedito, que sofrestes os golpes da chibata, rogai por nós
Santo Expedito, perecestes gloriosamente pela espada, rogai por nós
Santo Expedito, que recebestes do Senhor a coroa de justiça que Ele prometeu aos que O amam, rogai por nós.
Santo Expedito, patrono da juventude, rogai por nós.
Santo Expedito, auxilio dos estudantes, rogai por nós.
Santo Expedito, modelo dos soldados, rogai por nós.
Santo Expedito, protetor dos viajantes, rogai por nós.
Santo Expedito, advogado dos pecadores, rogai por nós.
Santo Expedito, saúde dos doentes, rogai por nós.
Santo Expedito, mediador dos pleitos, rogai por nós.
Santo Expedito, nosso socorro nas questões urgentes, rogai por nós.
Santo Expedito, que nos ensinais que jamais é necessário remeter para o dia seguinte, para pedir com ardor e confiança, rogai por nós.
Santo Expedito, sustentáculo fidelíssimo dos que esperam em vós, rogai por nós.
Santo Expedito, cuja proteção à hora da morte é uma garantia salvação, rogai por nós.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nos, Senhor.
Jesus Cristo, escutai-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Santo Expedito, rogai por nós, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amem!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Beata Clara Gambacorti, abadessa

         
 
           Em Pisa, da Toscana, beata Clara Gambacorti, que, ao perder ainda muito jovem a seu esposo, aconselhada por santa Catalina de Siena fundou o mosteiro de santo Domingo sob uma austera Regra e dirigiu com prudência e caridade as irmãs, distinguindo-se por haver perdoado ao assassino de seu pai e de seus irmãos (1419).Etimologicamente: Clara = Aquela que está limpa de pecado, é de origem latina.
        A Beata Clara era filha de Pedro Gambacorti (o Gambacorta), que chegou a ser praticamente o amo da República de Pisa. Clara nasceu em 1362; seu irmão, o Beato Pedro de Pisa, era sete anos mais velho que ela. Pensando no futuro de sua filhinha, a que a familia chamava Dora, apócope de Teodora, seu pai a comprometeu a casar-se com Simón de Massa, que era um rico herdeiro, ainda que a menina só tinha sete anos. Não obstante sua curta idade, Dora costumava tirar, durante a missa, o anel de esponsais e murmurava: "Senhor, Tu sabes que o único amor que eu quero é o teu".
         Quando seus pais a enviaram, aos doze anos de idade, para casa de seu esposo, já havia começado a jovem sua vida de mortificação. Sua sogra se mostrou amável com ela; mas, quando viu que era demasiado generosa com os pobres, lhe proibiu a entrada na despensa da casa. Desejosa de praticar de algum modo a caridade, Dora se uniu a um grupo de senhoras que assistiam aos enfermos e tomou a seu cargo a uma pobre mulher cancerosa.
          A vida de matrimônio de Dora durou muito pouco tempo; tanto ela como seu esposo foram vítimas de uma epidemia, em que seu marido perdeu a vida. Como a beata era todavia muito jovem, seus parentes tentaram casá-la de novo, mas ela se opôs com toda a energia de seus quinze anos. Uma carta de Santa Catalina de Siena, a quem havia conhecido em Pisa, a animou em sua resolução. Dora cortou os cabelos e distribuiu entre os pobres seus ricos vestidos, coisa que provocou a indignação de sua sogra e de suas cunhadas.
          Depois, com a ajuda de uma de suas criadas, arranjou-as para tramitar em segredo sua entrada na Ordem das Clarissas Pobres. Quando tudo estava a ponto, fugiu de sua casa para o convento, onde recebeu imediatamente o hábito e tomou o nome de Clara. No dia seguinte, seus irmãos se apresentaram no convento a buscá-la; as religiosas, muito assustadas, desceram-na pelo muro até aos braços de seus irmãos, os quais a conduziram a sua casa.
         Aí esteve Clara prisioneira durante seis meses, mas nem a fome, nem as ameaças conseguiram fazê-la mudar a resolução. Finalmente, Pedro Gambacorti se deu por vencido e não só permitiu a sua filha ingressar no convento dominicano da Santa Cruz, mas prometeu construir um novo convento. Aí conheceu Clara a María Mancini, que era também viúva e ia a alcançar um dia a honra dos altares.
        Os escritos de Santa Catalina de Siena exerceram profunda influência nas duas religiosas, as quais, no novo convento, fundado por Gambacorti em 1382, conseguiram estabelecer a regra em todo o fervor da primitiva observância. A Beata Clara foi primeiro sub prioresa e logo prioresa do convento, de que partiram sucessivamente muitas das santas religiosas destinadas a difundir o movimento de reforma em outras cidades de Itália. Até ao dia de hoje, se chama em Itália as religiosas de clausura de Santo Domingo "As irmãs de Pisa".
         No convento da beata reinavam a oração, o trabalho manual e o estudo. O diretor espiritual de Clara costumava repetir às religiosas: "Não olvideis nunca que em nossa ordem há muito poucos santos que não hajam sido também sábios" Clara teve que fazer frente, durante toda sua vida, às dificuldades económicas, pois o convento exigia constantemente alterações e novos edifícios. Apesar de isso, numa ocasião em que chegou a suas mãos uma valiosa soma de dinheiro que podia ter empregado no convento, preferiu foram, sem dúvida, o sentido do dever e o espírito de perdão, que praticou em grau heroico.
        Giacomo Appiano, a quem Gambacorti havia ajudado sempre e em quem havia posto toda sua confiança, assassinou-o à traição, quando este se esforçava por manter a paz na cidade. Dois de seus filhos morreram também a mãos dos partidários do traidor. Outro dos irmãos de Clara, que conseguiu escapar, chegou a pedir refúgio no convento da beata, seguido de perto pelo inimigo; mas Clara, consciente de que seu primeiro dever consistia em proteger a suas filhas contra a turba, se negou a introduzi-lo na clausura. Seu irmão morreu assassinado frente à porta do convento, e a impressão fez com que Clara adoecesse gravemente.
         Sem embargo, a beata perdoou tão de coração a Appiano, que pediu que lhe enviasse um prato a sua mesa para selar o perdão, compartilhando sua comida. Anos mais tarde, quando a viúva e as filhas de Appiano se achavam na miséria, Clara as recebeu no convento.
          A beata sofreu muito até ao fim de sua vida. Recostada em seu leito de morte, com os braços estendidos, murmurava: "Jesús meu, eis-me aqui na cruz". Pouco antes de morrer, um radiante sorriso iluminou seu rosto, e a beata bendisse a suas filhas presentes e ausentes. Tinha, ao morrer, cinquenta e sete anos. Era em 17 de abril de 1420. Seu culto foi confirmado em 1830 pelo Papa Pío VIII.