quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Santos venerados no mês de fevereiro

 
 
01 – Brígida (Virgem), Severo (390, Ravenna), Veridiana, Guilherme Repin, Joana Francisca Michelotti e Sebastião Valfré, Sigisberto (Séc. VII, Austrásia, - Reino franco constituído no século VI e que compreendia o nordeste do território da França e zonas do centro e do oeste da Alemanha), Inácio (107, Antioquia, no sul da Turquia, hoje chamada de Antakya, mártir), Piônio (250, padre de Esmirna na Turquia, no mar Ergeu, mártir), João da Grade (1170, bispo de Saint-Malo), Beato Antônio (1267, o peregrino, natural de Pádua, Portugal), Beato Henrique Morse (1645, Inglaterra, mártir);

02 – Apresentação do Senhor, Catarina de Ricci, Purificação da Beata Virgem Maria (comumente chamada de Festa da Candelária ou Candeias), Aproniano (Séc. IV, Carcereiro), Feliciano de Roma, Maria Catarina Kasper (1590, Toscana), Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora da Candelária, Joana de Lestonnac (1640, viúva fundadora das Religiosas de Nossa Senhora de Bordeaux, França), Lourenço (619), Cornélio (Cesareia da Palestina), Teofânio Venard (1861, Sacerdote, Bem-Aventurado), Adalbaldo de Ostrevant (652, mártir), Os Mártires de Ebsdorf (880);

03 - Brás de Sebaste (Mártir), Oscar (865, Bispo em Bremen e Hamburgo, Alemanha), Claudina Thévenet, Maria Ana Rivier, Celerino (Séc. III, Confessor), Lourenço (576, Síria, bispo de Spoleto, Itália), Hiá (Séc. VI, virgem irlandesa), Lourenço (619, arcebispo da Cantuária, Inglaterra), Berburga (virgem, 700), Margarida da Inglaterra (1192), Simão de Cáscia (1348, Umbria, Itália, Beato), João Nélson (1578,  mártir, beato), Estêvão Bellensini (1840, Trento, beato);

04 - Nicolau Estudita (863, abade, ilha de Creta), Remberto (888, arcebispo de Hamburgo e Bremen, na Alemanha), João de Brito (mártir, Portugal, 1693), André Corsini (1373, bispo de Fiesole, Florença, Itália), Teófilo (o penitente), Fileias (304, bispo de Têmuis no Egito, mártir), Isidoro de Pelúsio (450, abade), Modano (550, abade, Escócia), Beato Rábano Mauro (856, arcebispo de Mogúncia, de origem escocesa ou irlandesa), Joana de França (1505, matrona, fundadora das Anunciatas de Bourges), Tomás Plumtree (1570, Lincolnshire, mártir, beato), José de Leonessa (1612, Úmbria, Itália), Joana de Valois;

05 - Águeda (Sicília, Itália, virgem e mártir), Bertulfo (705, Germânia - antiga região da Europa Ocidental), Genuíno, Adelaide de Vilich, José de Leonissa, Avito (523, Auvergne, França), Indrato e Domingas (710, irmãos irlandeses), Vódalo (720, escocês), Adelaide de Velich (1015, Alemanha), Os Mártires do Japão, I (1597);

06 - Paulo Miki e companheiros (Mártires), Gastão (539, França, bispo de Arras), Amando (679, França, bispo), Guarino (1159, Bolonha, cardeal-bispo), Doroteia (303, virgem e mártir), Tito (Séc. I, bispo de Creta), Mel e Mélcuo (bispos, 488), Raimundo de Fitero (1163, Espanha, abade, beato), Hildegundes (1183 , viúva), Ângelo (1327, beato em Furcio, nos Abruzos, Itália);

07 - Coleta, Ricardo de Toscana, Eugênia Smet, Guilherme Saltemouche, Pio IX, Rosália Rendu, Tiago Sales;

08 - Jerônimo Emiliano, Ciríaco e Juvêncio;

09 -Apolônia (virgem e mártir, 249), Nicéforo (mártir), Sabino (bispo de Canosa, 566), Teilano (bispo, Séc. VI), Ansberto (bispo de Ruão, 695), Miguel Febres Cordero (Irmão Lassalista), Alexandre de Roma, Donato, Josefina Bakhita, Primo, Cirilo (arcebispo de Alexandria e Doutor da Igreja, 444), Alto (abade, 760), Mariano Escoto (beato, 1088);

10 - Escolástica (Monja, virgem, 543), Guilherme de Maleval (1157), Silvana, Hugo de Fosses (1164), Miguel Febres Cordero, Soteres (virgem e mártir, 304), Trunvino (bispo dos pictos, 690), Austreberta (virgem, 704), Clara de Rimini (beata, viúva, 1346);

11 - Nossa Senhora de Lourdes (Aparição em 1858), Bento de Aniano (abade, 821), Gregório II (papa, 731), Severino (abade, 507), Saturnino e Dativo (304, mártires), Pascoal I (papa, 824), Lúcio (bispo de Adrianópolis, mártir, 350), Lázaro (bispo de Milão, 450), Cedemão (680);

12 - Etevaldo, Eulália de Barcelona, Antônio de Constantinopla, Malésio, Saturnino;

13 - Santiago Miller, Eustáquia de Pádua (virgem, beata, 1469), Benigno, Licínio (bispo de Angers, 616), Estêvão de Rieti (Abade, 560), Ermelinda (ou Ermelinda, abadessa de Ely, viúva, 703), Gertrudes, Paulo Doc, Relinde, Polieuto (mártir, 259), Martiniano Eremita, Monodoco (Séc. VI), Beatriz de Ornacieu (virgem, 1309), Cristina de Espoleto (beata, 1458), Arcângela Girlani (beata, virgem, 1494), Catarina de Ricci (virgem, 1590);

14 - Valetim (Mártir, 269), Cirilo (monge), Metódio, João Batista da Conceição, João de Triora, Marão (abade, 433), Auxêncio (473), Conrado da Baviera (1154), Antonino de Sorrento (abade, 830), Adolfo (bispo de Osnabrück, 1224), Nicolau Paglia (1255), Ángelo de Gualdo (1325), João Batista de Almodovar (1613);

15 - Jovita, José de Antioquia, Teotônio (Presbítero), Cláudio la Colombière, Faustino, Geórgia, Jordão de Saxe;

16 - Albino Amarilla, Isaías, Onésio, Samuel e Daniel, Onésimo (mártir, Séc. I), Elias, Jeremias (mártir, 309), Constable, Juliana (virge e mártir, 305), Gilberto de Sempringham (fundador da Ordem Gilbertina, 1189), Felipa Mareri (virgem, 1236), Veridiana (virgem, 1240), Eustáquia de Messina (virgem, 1468), Bernardo Scammacca (1486);

17 - Policrônio (Bispo), Rômulo, Silvino, Reginaldo de Orleans (1220), Aleixo Falconieri, João Francisco Clet, Pedro Ryou e os Sete Fundadores da Órdem dos Servitas, Teodulo, Julião (mártir, 309), Fintano de Cloneenagh (abade, 603), Finado (bispo de Lindisfarne, 661), Silvino (bispo, 720), Evermodo (bispo de Ratzeburgo, 1178), Lucas Belludi (1285), André de Anagni (1302), Pedro de Treia (1304), Guilherme Richardson (mártir, 1603);

18 - Bernadete, João Pedro Neél, Flaviano, Heládio, Domingos Shanez, Lourenço Ruiz, Simeão e Cláudio;

19 - Bonifácio, Conrado de Placença, Álvaro de Córdova, Luci Y, Quodvultdeus e Gabínio;

20 - Margarida de Cortona, Eleutério, Zenóbio, Euqério e Leão de Catânia;

21 - Natal Pinot (Bem-aventurado), Pedro Damião, Sérvulo, Henriqueta Dominici, Reginaldo e Fortunato;

22 - Joana Maria, Abílio, Maximiano, Cátedra de São Pedro (apóstolo), Margarida de Cortona, Pápias e Lineu;

23 - Policarpo (Mártir), Sereno, Milburge e Romano;

24 - Sérgio (Mártir), Montano, Flaviano, Pretextato e Edilberto;

25 - Sebastião de Aparício (1600), Vitorino (mártir, 284), Cesário de Nazianzo (369), Hereno, Adeltrudes, Calisto Caravario, Luis Versíglia, Roberto D´Arbrissel (abade, 1117), Tereso e Vítor, Edilberto de Kent (616), Valburga (virgem, 779), Tarásio (patriarca de Constantinopla, 806), Gerlando (bispo de Girgenti, 1100), Abertano e Romeu (1380), Constâncio de Fabriano (1481);

26 - Nestor (bispo de Magedo e mártir, 251), Alexandre (Bispo de Alexandria, 328), Porfírio (bispo de Gaza, 420), Vítor Eremita (610), Leão de Saint-Bertin (beato e abade, 1163), Isabel de França (beata e virgem, 1270);

27 - Leandro, Valdomiro, Gabriel da Virgem Dolorosa, Juliano, Gabriel das Dores, Ana Lina, Maria Deluil Martini e Procópio;

28 - Daniel Brotier, Justo, Romão, Hilário, Romano, Vilena e Serapião.

Beato Pedro de Treia, sacerdote

          

          Em Treia, antigo município romano na Província de Macerata, no ano 1225, nasceu outro dos santos franciscanos que morou nos campos da Itália, na região das Marcas.
           Ainda que as virtudes sejam sempre as mesmas, as personalidades destes santos medievais franciscanos são diversas e interessantes, e constituem uma vasta antologia de tipos humanos e expressões espirituais. O beato Pedro de Treia representa o tipo contemplativo, cuja maior glória está em suas conquistas ascéticas. Também foi religioso ativo, sobretudo no ministério da palavra como eloquente pregador.
            Ainda jovem entrou na Ordem desejoso de imitar as virtudes de São Francisco e, seguindo seus passos inclusive materialmente, permaneceu por muito tempo no Monte Alverne. Percorrendo o calvário místico no qual São Francisco recebera as Chagas, Pedro dedicou-se naquelas rochas mais à meditação que ao ensino,  mais à ascese que à pregação.
           Pedro foi também apostolo da pregação, visitando a região das Marcas e maravilhando as multidões com sua sagrada eloquência. Possuía o dom de comover os pecadores, que arrependidos, confessavam-se e eram por ele reconduzidos a Deus.
           São famosos seus êxtases e visões. Em Ancona o guardião do Convento o encontrou na igreja em oração, elevado da terra. Mais tarde, no Convento de Forano, foi próprio beato que presenciou uma cena admirável na qual a Santíssima Virgem colocava afetuosamente o Menino Jesus nas mãos de seu confrade Conrado de Ofida. Pedro de Treia e Conrado de Ofida, ambos de Marcas, ambos franciscanos, ambos honrados e beatos, não somente foram irmãos e companheiros de apostado, como também verdadeiros companheiros de alma, cuja santidade chegou por caminhos iguais e se encorajavam mutuamente em uma santa humildade.
           O Beato Pedro morreu em 19 de fevereiro de 1304, no Convento de Sirolo, aos 79 anos de idade. Pio VI aprovou seu culto em 11 de setembro de 1793.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Beato André Conti, religioso

             

             André pertencia à nobre linhagem Conti de Segni, mas nasceu em Anagni em 1240. Essa família já tinha dado à Igreja vários papas, bispos e sacerdotes. Sentindo-se desde a juventude atraído pelo espírito franciscano, renunciou a todos os bens e ingressou no convento de São Lourenço de Anagni, fundado pelo próprio São Francisco. Não lhe pereceu suficiente a austeridade de vida que ali reinava, e por isso pediu e obteve permissão para se retirar a uma gruta nas faldas dos Apeninos – uma gruta estreita e tão baixa, que lá dentro só podia estar inclinado e de joelhos. A sua vida girava entre a contemplação e a austeridade.
               Quando era assaltado pelo demônio com tentações, afugentava-o com o sinal da cruz e também libertava do tentador outras pessoas que vinham ter com ele em busca de libertação do inimigo.
               As honras que pretendia evitar perseguiram-no até no seu inóspito eremitério, onde acorria muita gente, atraída pela sua fama de santo e sábio teólogo. Escreveu um tratado sobre a Santíssima Virgem. O papa Alexandre IV foi pessoalmente ter com ele para lhe oferecer as insígnias de cardeal, mas André devolveu-lhas, dizendo que o único privilégio que aceitava era o de o deixarem sossegado na sua gruta de oração, meditação e estudo.
              Mais tarde recusou novamente e com energia o mesmo gesto do seu sobrinho Bonifácio VIII, que alimentava a esperança de sobreviver ao tio para o elevar à honra dos altares. Mas nem essa graça o Senhor lhe concedeu, pois tio e sobrinho morreram num intervalo de poucos meses.
              A sua vida santa, mais angélica do que humana, foi avalizada por Deus com prodígios e milagres. Voou para o Céu a 1 de fevereiro de 1302, com 62 anos de idade.  

Beato Angelo Scarpetti, presbítero

               Irmão da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. Ele nasceu em Sansepolcro, na primeira metade do século XIII. Uma antiga tradição local diz que pertencia à família Scarpetti. Ângelo entrou para o mosteiro dos Eremitas de São João o Bom por volta de 1254.   Em 1256 o mosteiro passou para a nova Ordem dos Frades Eremitas de Santo Agostinho. Sobre ele se recordam alguns episódios milagrosos ocorridos ao longo de sua vida, incluindo a ressurreição de uma pessoa inocente condenado à morte. Provável mas não certa, a sua participação nas missões para desenvolver a Ordem, na Inglaterra. Os escritores Agostinianos e os estudiosos locais notaram, desde o século XVI, a profunda humildade, a caridade decidida, a imaculada pureza de espírito e de corpo, através do qual ele ganhou entre os seus concidadãos, a reputação como um homem agradável a Deus e cheio de dons sobrenaturais.
Ele morreu em 1306 em Sansepolcro. Em 1310, perto da igreja agostiniana, surgiu uma confraria dedicada à Virgem Maria e ao “glorioso irmão Ângelo”, em favor da qual os priores provinciais e o Prior geral da Ordem concederam privilégios. Quando os irmãos, em 1555, deixaram a primeira igreja e se mudaram para o actual trouxeram com eles o corpo do irmão Ângelo, e fixaram a 29 de Setembro a celebração da festa da translação do corpo. Esta festa foi suprimida em 1855. Em 1740 o corpo foi submetido a um reconhecimento canónico pelo bispo de Sansepolcro Mgr. Raymond Pecchioli. Em 1905 começou o processo sobre o culto a este servo de Deus, que terminou com a aprovação em 1922.
O seu corpo está guardado numa caixa de madeira entalhada, dourada e decorada com cenas da vida dos bem-aventurados sob o altar principal da igreja de Santo Agostinho em Sansepolcro. O Bem-aventurado está retratado num afresco (século XIV), agora em exposição no Museu Comunal em Sansepolcro e proveniente da antiga igreja de Santo Agostinho.
A última manifestação solene de culto tributado ao Beata Ângelo, aconteceu a 2 de Outubro de 1987, quando o caixão contendo o corpo foi levado em procissão pelas ruas que cercam a igreja de Santo Agostinho.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Milagre Eucarístico de Fiecht, Áustria


            Perto do Altar lateral da igreja do mosteiro de São Georgenberg encontramos uma lápide que relata: “No ano de 1310 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob a jurisdição do abade Rupert, um sacerdote que celebrava a Santa Missa nessa Igreja dedicada ao Santo Mártir Jorge e ao Santo Apóstolo Tiago, depois de ter consagrado o vinho, duvidou de que sob essas espécies estivesse verdadeira e realmente presente o Sangue de Cristo.
           Logo em seguida o vinho se transformou em Sangue e começou a borbulhar dentro do Cálice chegando a derramar-se. O Abade, os monges, que estavam no coro, e os numerosos peregrinos que participavam da missa, se aproximaram do Altar e viram o que tinha acontecido. O sacerdote assustado, não conseguiu beber todo o Santo Sangue, assim o Abade colocou o que restou num recipiente perto do purificador que secava o
Cálice dentro do Tabernáculo do Altar Maior.
            Assim que a notícia desse milagroso acontecimento se espalhou, os peregrinos começaram a chegar, cada vez mais em maior número, para adorar o Santo Sangue. O número dos devotos ao Santo Sangue era tão elevado que no ano de 1472 o Bispo Georg von Brixen enviou a São Georgenberg o Abade de Wilten, Johannes Lösch e os senhores párocos Sigmund Thaur e Kaspar di Absam, para analisar bem o fenômeno.
             Logo depois da investigação, a Adoração do Santo Sangue foi promovida e o Milagre foi considerado autêntico. Entre os devotos, estavam altos representantes da Igreja, como o Bispo de Trieste, Giovanni, o Bispo de Brixen, George, o Arcebispo de
Colônia e Duque de Baviera, Rupert, o Bispo de Chiemsee, Federico e outros mais.”
             Numa lápide se relata que a Relíquia do Santo Sangue ajudou a conservar o credo católico durante o cisma protestante: “Quando, por volta do ano de 1593, os dogmas de Lutero se difundiam por todos os lados no Tirolo, foi pedido aos monges de São Georgenberg pregar o Credo a todos. O Abade Michael Geisser pregava com grande êxito
diante de uma grande multidão na igreja paroquial de Schwaz e não hesitava em citar o Milagre do Santo Sangue como prova da existência da real presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar. Ele respondia em modo tão convincente que os seus adversários foram obrigados a abandonar o campo. Esta vitória completa sobre o credo errado era vista pelos fiéis como uma graça especial que o Senhor concedia aos seus devotos, adoradores do precioso Sangue”.

Bem-aventurado Jordão de Saxônia, sacerdote

          Jordão de Saxônia nasceu em 1180, dez anos depois de São Domingos, em Burgsberg, hoje atual Alemanha. Era oriundo de uma família nobre e por isso foi enviado para Paris para realizar ali a sua formação acadêmica e universitária.
           Era em Paris que se encontrava quando no verão de 1219 passou por ali São Domingos para visitar o recém fundado convento dos frades pregadores, mais tarde conhecido por convento de Saint-Jacques.
           Jordão foi escutar a sua pregação e por causa dessa pregação um ano mais tarde estava a tomar o hábito dos dominicanos e pouco depois representava esse mesmo convento de Paris no que foi o primeiro Capítulo Geral da Ordem celebrado em Bolonha. No ano de 1221 é nomeado Prior Provincial da Lombardia e quando São Domingos morre nesse mesmo ano é eleito Mestre da Ordem, cargo que ocupou durante dezesseis anos. Jordão de Saxônia morreu num naufrágio, em 1237, no Mediterrâneo oriental, quando regressava de visitar os conventos que tinham surgido na Terra Santa.

São Martiniano, eremita

       

          Martiniano era um monge eremita, mas acabou se tornando um andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo".
           Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, nasceu no século quatro. Desde a tenra idade decidiu ligar sua vida à Deus e aos dezoito anos ingressou numa comunidade de eremitas, não muito distante da sua cidade, onde se entregou à vida reclusa e viveu durante sete anos. A fama de sua sabedoria percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual, a cura de doenças e até a expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de santidade e essa fama atraiu Cloé, uma jovem cortesã.
           Cloé era milionária, bela e conhecida como uma mulher de costumes arrojados e pouco recomendáveis. Fez uma espécie de aposta em seu círculo de amizades e afirmou que faria o casto monge se perder. Trocou suas roupas luxuosas por farrapos e procurou Martiniano, pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, acomodou-a e foi para os aposentos do fundo da casa, onde rezou entoando cânticos de louvor ao Senhor, antes de se recolher para dormir.
          Mesmo assim, Cloé não desistiu. Pela manhã trocara os farrapos por uma roupa muito sensual, aguardando o ingresso do monge nos aposentos internos da casa. O que logo aconteceu, ela então utilizou argumentos espertos tentando seduzir Martiniano, mas, ao invés disso, acabou sendo convertida por ele. Cloé a partir de então, se recolheu ao convento de Santa Paula, em Belém, passando ali o resto de seus dias. E se santificou na vida religiosa consagrada à Deus.
           Por sua vez, Martiniano, que chegou a sentir-se tentado, mudou-se dali para uma ilha. Porém, certa vez, naquelas águas que rodeavam a ilha ocorreu um naufrágio de um navio e uma jovem passageira chamada Fotinia que se salvou lhe pediu abrigo. Ele consentiu que ela ficasse, mas para não sentir a tentação novamente abandonou o lugar a nado, apesar do continente ficar muito distante. A tradição diz que ele não nadou, mas que Deus mandou dois delfins para apanhá-lo e levá-lo à terra firme, são e salvo.
          O fato é que, depois disso, tomou uma decisão radical, tornou-se andarilho para nunca mais ter de abrigar ninguém e ser tentado pelo pecado. Vivia da caridade alheia e morreu em Atenas, no ano 400, depois de parar a caminhada numa igreja da cidade. Sabia que o momento chegara, recebeu os sacramentos e partiu para a Casa do Pai serenamente e na santa paz.