quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os novos santos espanhóis II: Santa Genoveva Torres


         Genoveva Torres Morales nasceu na cidade de Almenara, no dia 3 de janeiro de 1870. Órfã, sem uma perna e muito pobre logo se tornou uma mulher forte que lutou contra a solidão criando albergues para pessoas desamparadas.
         Ela era a mais nova dos seis filhos de uma família de lavradores. O pai, José, morreu quando ela tinha apenas um ano e, em um período de seis anos, ela, a mãe e um irmão viram morrer os outros membros da família: um menino e três meninas. Mais tarde, quando tinha oito anos, a mãe também faleceu.
         Vivendo apenas ela e o irmão dez anos mais velho, cedo Genoveva teve que assumir o trabalho de casa, o que a tornou muito responsável e reflexiva. As dificuldades fizeram com que tivesse que abandonar a escola, mas não as aulas de catequese e em 1877 recebeu sua confirmação de batismo. Como não tinha dinheiro para fazer uma roupa especial para ocasião, Genoveva simplesmente entrou na fila das pessoas que iam comungar e recebeu Jesus em seu coração. Aí nasceu seu profundo amor à Eucaristia.

Uma vida de penúrias
        O trabalho, a má alimentação e os escassos cuidados lhe valeram um tumor maligno na perna esquerda, que teve de ser amputada quando tinha 13 anos. Foi operada em sua própria casa, sobre a mesa da cozinha, com métodos rudimentares. Contra todos os prognósticos, que apontavam para sua morte precoce, Genoveva levantou depois de alguns meses de repouso e voltou às tarefas domésticas com a ajuda de muletas, que a partir daí se tornaram suas companheiras inseparáveis.
        Por circunstâncias familiares foi internada no orfanato "Casa da Misericórdia" de Valência, onde passou nove anos. Ajudada pelo capelão do centro iniciou ali uma experiência espiritual profunda que a levou a pedir sua entrada na ordem das Carmelitas da Caridade. Ela não foi admitida por causa de sua deficiência física e a partir deste momento começou a buscar o caminho que Deus havia traçado para si.
        Observando o mundo a sua volta Genoveva se fixou em um problema que afligia inúmeras mulheres no começo do Século XX: o abandono. Obstinada começou o que se tornaria uma instituição religiosa. Com a ajuda de duas companheiras recolhia em casa diversas pessoas necessitadas. Costurando e bordando sob encomenda sustentava a casa que logo se tornou pequena para tantos pedidos de abrigo.

A primeira casa-abrigo

         No dia 2 de fevereiro de 1911, Genoveva abriu em Valência a primeira casa abrigo para senhoras e senhoritas solitárias, constituindo a Sociedade Angélica que daria origem ao instituto das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus e dos Santos Anjos. A moça que tanto sofreu na vida foi nomeada diretora do grupo que tinha como missão aliviar a solidão dar carinho, consolo, amor e cuidado ao corpo e espírito daqueles que foram abandonados por seus pares.
         Ela atravessou todos os problemas de seu tempo, sempre lutando por seu projeto de vida. No meio dos mais diferentes problemas Madre Genoveva infundia paz e esperança em todas suas Irmãs.
         Mas, no final de 1955 sua saúde havia decaído consideravelmente. No dia 30 de dezembro teve um ataque de apoplexia e recebeu os últimos sacramentos. Enfim, no dia 5 de janeiro de 1956, aos 86 anos, Genoveva deixou este mundo. Foi beatificada em Roma pelo papa João Paulo II no dia 29 de janeiro de 1995.



túmulo onde encontram-se os restos mortais de Santa Genoveva Torres

Os novos santos espanhóis I: Santa Ângela da Cruz

 

        María de los Ángeles Martina de la Santísima Trinidad Guerrero González nasceu nas cercanias de Sevilha no dia 30 de janeiro de 1846. Seu pai, Francisco, era cozinheiro do convento dos Trinitarios e sua mãe, Josefa, costureira. Os dois tiveram 14 filhos, dos quais somente 6 chegaram à vida adulta.
         Como tantas meninas pobres sevilhanas de seu tempo freqüentou pouco o colégio, aprendendo a escrever sem dominar a ortografia, algumas noções de aritmética e catecismo. Mas sua pobreza não a impedia, desde cedo, a compartilhar os bens que tinha em casa com os mais pobres.
          Aos 12 anos teve que começar a trabalhar como aprendiz de sapateira para ajudar a família. Na sapataria Maldonado, onde trabalhava, rezava diariamente o Rosário e teve suas primeiras experiências místicas. Sempre muito dedicada, começou a ensinar seu ofício em um lar para meninas abandonadas.
         Mas foi o confessor de Angelita que a ajudou a encontrar o que Deus lhe pedia: ser freira. Em 1865, acompanhada de sua irmã Joaquina, chegou às portas do Convento fundado em Sevilha por Santa Teresa de Jesus. Entretanto, apesar de sua grade capacidade para vida contemplativa, não foi admitida porque não tinha suficiente saúde para a vida do Carmelo.
         Sem desistir do seu caminho, em 1868, entrou como postulante nas Filhas da Caridade do Hospital central de Sevilha, mas por sua saúde debilitada foi transferida para a cidade de Cuenca, onde o clima mais ameno poderia curá-la. Em 1870 teve que deixar definitivamente as Filhas da Caridade apesar de sua entrega e fidelidade generosa.
         Resignada a viver como "freira sem convento" voltou a seu trabalho e se submeteu a uma rotina de obediência ao seu confessor escrevendo a ele todos os seus pensamentos e desejos da alma. Em seus documentos íntimos, páginas assombrosas para uma mulher iletrada, com faltas ortográficas, mas com uma identidade cristã admirável, descrevia seu projeto de uma Companhia com dimensão caridosa e social a favor dos pobres e com um impacto enorme na Igreja e na sociedade de Sevilha por sua identificação com os necessitados.
         Ela queria "fazer-se pobre com os pobres". Ela não queria fazer caridade "de cima para baixo", mas ajudar os pobres "de dentro". Escrevia o que vivia: "A primeira pobre, eu...".
        No dia 2 de agosto de 1875, Ângela e outras três mulheres, Juana, Josefa e outra Juana estavam dispostas a viver o mistério da cruz na oração e no serviço aos pobres. Elas foram viver em um quarto alugado, no qual havia apenas uma mesa, algumas cadeiras e esteiras de junco que serviam de colchão, um Crucifixo e um quadro da Virgem das Dores. Estava nascendo as Irmãs da Cruz.
        Logo, a fundadora imprimiu a sua Companhia um ambiente de limpeza, saudável alegria e contida beleza. Seu estilo seria o de mulheres sensíveis, humildes, impregnando o ar de doçura de tal forma que todos agradecessem aquele novo modo de querer Deus e os pobres. Em 1879 o Arcebispo Joaquín Lluch aprovou as primeiras constituições da Companhia das Irmãs da Cruz, em uma síntese de oração e austeridade, contemplação e alegria no serviço aos pobres. E assim, as Irmãs da Cruz foram espalhando-se pela por toda Espanha, Ilhas Canárias, Itália e América.
        No dia 7 de julho de 1931 Madre Ângela teve uma trombose cerebral que, nove meses depois, a levaria à morte. Mas durante estes últimos meses, mesmo com metade do corpo paralisado, continuou mostrando sua virtude e humildade, tratando de agradar e nunca molestar. Depois de uma longa agonia e de ter recebido os últimos Sacramentos morreu em Sevilha no dia 2 de março de 1932.
        Foi beatificada em Sevilha pelo papa João Paulo II no dia 5 de novembro de 1982, seu corpo preservado repousa na capela da Casa Madre fundada por ela e sua memória litúrgica é celebrada no dia 5 de novembro.


corpo de Santa Angela

Beata Maria Clementina Anuarite Nengapeta, virgem e mártir

        
 
         Anuarite Nengapeta era a quarta das seis filhas de Amisi e Isude. A família de pagãos africanos da etnia Wadubu vivia na periferia de Wamba, no Congo. Ela nasceu no dia 29 de dezembro de 1939, como depois comprovou a Santa Sé. Ao ser batizada em 1943, acrescentaram-lhe o nome Afonsina. Na ocasião, também receberam esse sacramento sua mãe e quatro irmãs. A mais velha nunca acompanhou a doutrina cristã. Seu pai, ao contrário, até começou a preparar-se para a conversão. Mas depois desistiu, pois formou outra família, enquanto trabalhava como soldado do exército congolês.
         A nova situação familiar refletiu pouco na formação de Anuarite, que teve uma infância e adolescência consideradas normais. Era vivaz e caridosa, de personalidade marcante e temperamento amistoso e generoso. O nervosismo, porém, era o ponto fraco do seu caráter. Era muito sensível e instável, talvez por causa da separação de seus pais. Gostava de freqüentar a igreja, ia à missa aos domingos, com a mãe e as irmãs. Em seguida, ficava estudando o catecismo para poder receber a primeira comunhão, que ocorreu em 1948.
         Iniciou os seus estudos e diplomou-se junto ao colégio das Irmãs do Menino Jesus de Nivelles, missionárias na África. Em 1957, decidiu ingressar na Congregação da Sagrada Família. Foi aceita e, durante o noviciado, teve como orientador espiritual o bispo de Wamba. Em 1959, diplomou-se professora, vestiu o hábito e emitiu os votos definitivos, tomando o nome de Maria Clementina. Desde então se dedicava e empenhava muito às funções destinadas: foi sacristã, auxiliar de cozinheira e professora de uma escola primária. Devota extremada de Maria e de Jesus, vivia feliz por ter-se consagrado ao seu serviço.
        O Congo da época era governado pelos brancos. Em 1960, havia uma grande campanha contra esse domínio europeu. Fervilhava o ódio racial e não durou muito para traduzirem-se em barbárie os ideais políticos. A revolução dos Simbas explodiu no ano seguinte, iniciando um violento massacre para eliminar todos os europeus, seus amigos e colaboradores negros.
        No Convento de Bafwabaka, tudo era calmo até 1964. Em agosto daquele ano, os rebeldes já tinham ocupado grande parte do país. A cada dia avançavam mais, saqueando e matando milhares de civis congoleses indefesos. Mais de cento e cinqüenta missionários, entre sacerdotes, religiosos e irmãos já haviam morrido também.
        Os rebeldes chegaram ao convento em 29 de novembro e levaram as trinta e seis integrantes da Sagrada Família, entre elas irmã Maria Clementina Anuarite, de caminhão, para Isiro. Na noite do dia 1o. de dezembro de 1964, o coronel Olombe tentou seduzi-la. Mas como ela se recusou a satisfazer seus desejos carnais, ele a esbofeou e golpeu com a coronhada do fuzil, depois disparou, matando-a. Antes, porém, ela o perdoou e clamou ao Pai para que o perdoasse.
       O papa João Paulo II, durante sua viagem ao Congo em 1985, beatificou Maria Clementina Anuarite Nengapeta. Tornou-se a primeira mulher "banto" a ser elevada aos altares da Igreja Católica, cuja festa deve ser no dia de sua morte. Na solenidade de beatificação, o sumo pontífice definiu Anuarite como modelo de fidelidade para todos os católicos do mundo. Depois, enalteceu sua castidade, e a igualou a Santa Inês, mártir do início da cristandade, dizendo: "Anuarite é a Inês do continente africano".

Beato Carlos de Foucauld

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        Carlos de Foucauld (Frei Carlos de Jesus) nasceu em França, em Estrasburgo a 15 de Setembro de 1858. Órfão aos 6 anos, foi educado, bem como a sua irmã Maria, pelo avô, cuja carreira militar quis seguir.
       Chegado à adolescência, afasta-se da fé. Conhecido pelo seu gosto pela vida fácil, revela contudo uma vontade forte e constante nas dificuldades. Inicia uma perigosa exploração em Marrocos (1883-1884). O testemunho da fé dos muçulmanos desperta nele o problema de Deus. «Meu Deus, se vós existis, fazei que eu vos conheça ». 
De volta a França, tocado pelo acolhimento afectuoso e discreto da sua família, profundamente cristã, ele põe-se em busca. Guiado por um sacerdote, o padre Huvelin, ele encontra Deus em Outubro de 1886. Tem então 28 anos.  «Mal eu acreditei que havia um Deus,  compreendi imediatamente que não podia fazer outra coisa senão viver para Ele ». Uma peregrinação à Terra Santa, revela-lhe a sua vocação: seguir Jesus na sua vida de Nazaré. Passa então sete anos na Trapa, primeiro em Nossa Senhora das Neves, e em seguida em Akbès, na Síria. Vive depois sozinho, em oração e adoração junto das clarissas de Nazaré. Ordenado padre aos 43 anos (1901), parte para o deserto do Sara, inicialmente para Béni-Abbès e depois para Tamanrasset entre os tuaregues do Hoggar. Quer juntar-se aos que estão mais longe «os mais marginalizados, os mais abandonados ».  Deseja que cada um dos que se aproximam dele o considere como um irmão, «o irmão universal». Quer «gritar o evangelho com toda a sua vida» num grande respeito pela cultura e pela fé daqueles no meio dos quais ele vive. «Quereria ser tão bom que pudessem dizer: Se o servo é assim, como será então o Mestre?» Na noite do 1º de Dezembro de 1916 foi assassinado por um bando que tinha cercado a sua casa.   Sonhou sempre partilhar a sua vocação com outros: depois de ter escrito várias regras religiosas, pensou que «esta vida de Nazaré» podia ser vivida em todo o lado e por todos.  Hoje  «a família espiritual de Carlos de Foucauld» tem várias associações de fieis, comunidades religiosas e institutos seculares de leigos ou de padres.
 
tumba do Beato Carlos de Focauld em El Menia, Argélia

A Virgem de Guadalupe: desafio à ciência moderna

DESCOBERTAS CIENTÍFICAS SOBRE
O MANTO DA VIRGEM DE GUADALUPE

 

Para o ateu moderno, acostumado a dar valor só ao que julga provado pela ciência, o milagre de Guadalupe, no México, é no mínimo constrangedor. Pois a ciência prova que houve milagre!
       Uma pessoa não totalmente atéia, mas profundamente contaminada pelo pensamento moderno, dizia-me que aquilo que não é provado cientificamente não existe. Mas — típica contradição da alma humana — não queria falar do Santo Sudário de Turim, pois as descobertas científicas sobre ele a abalavam; e se fosse obrigada a olhar o assunto de frente, teria de negar o valor da ciência ou... converter-se.
       Vejamos o problema do ponto de vista desses amantes indiscriminados da ciência. Para eles, tudo aquilo que não se demonstra em laboratório entra para o domínio da fantasia. Ciências, com C maiúsculo, são para eles a Física, a Química, a Biologia, etc. Já a História lhes parece suspeita, pois é irrepetível e muito subjetiva, ao depender de testemunhas.
       Muito mais ainda se for história eclesiástica, e o auge do suspeito lhes parecem as histórias dos milagres. São como o Apóstolo São Tomé, que precisou ver para crer. Para esse tipo de almas incrédulas, que havia até entre os Apóstolos, Nosso Senhor realiza certo tipo de milagres, de forma que não possam alegar a falta de provas. E uma dessas provas é a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, no México.

Breve resumo da história

       No dia 9 de dezembro de 1531, na cidade do México, Nossa Senhora apareceu ao nobre índio Quauhtlatoatzin — que havia sido batizado com o nome de Juan Diego — e pediu-lhe que dissesse ao bispo da cidade para construir uma igreja em sua honra. Juan Diego transmitiu o pedido, e o bispo exigiu alguma prova de que efetivamente a Virgem aparecera. Recebendo de Juan Diego o pedido, Nossa Senhora fez crescer flores numa colina semi-desértica em pleno inverno, as quais Juan Diego devia levar ao bispo. Este o fez no dia 12 de dezembro, acondicionando-as no seu manto. Ao abri-lo diante do bispo e de várias outras pessoas, verificaram admirados que a imagem de Nossa Senhora estava estampada no manto. Muito resumidamente, esta é a história, que foi registrada em documento escrito. Se ficasse só nisso, facilmente poderiam os céticos dizer que é só história, nada há de científico.
        Os problemas para eles começam com o fato de ter-se conservado o manto de Juan Diego, no qual está impressa até hoje a imagem. Esse tipo de manto, conhecido no México como tilma, é feito de tecido grosseiro, e deveria ter-se desfeito há muito tempo. No século XVIII, pessoas piedosas decidiram fazer uma cópia da imagem, a mais fidedigna possível. Teceram uma tilma idêntica, com as mesmas fibras de maguey da original. Apesar de todo o cuidado, a tilma se desfez em quinze anos. O manto de Guadalupe tem hoje 478 anos, portanto nada deveria restar dele.
       Uma vez que o manto (ou tilma) existe, é possível estudá-lo a fim de definir, por exemplo, o método usado para se imprimir nele a imagem. Comecemos pela pintura. Em 1936, o bispo da cidade do México pediu ao Dr. Richard Kuhn que analisasse três fibras do manto, para descobrir qual o material utilizado na pintura. Para surpresa de todos, o cientista constatou que as tintas não têm origem vegetal, nem mineral, nem animal, nem de algum dos 111 elementos conhecidos. “Erro do cientista” — poderia objetar algum cético. Difícil, respondemos nós, pois o Dr. Kuhn foi prêmio Nobel de Química em 1938. Além do mais, ele não era católico, mas de origem judia, o que exclui parti-pris religioso.
No dia 7 de maio de 1979 o prof. Phillip Serna Callahan, biofísico da Universidade da Flórida, junto com especialistas da NASA, analisou a imagem. Desejavam verificar se a imagem é uma fotografia. Resultou que não é fotografia, pois não há impressão no tecido. Eles fizeram mais de 40 fotografias infravermelhas para verificar como é a pintura. E constataram que a imagem não está colada ao manto, mas se encontra 3 décimos de milímetro distante da tilma. Para os céticos, outra complicação: verificaram que, ao aproximar os olhos a menos de 10 cm da tilma, não se vê a imagem ou as cores dela, mas só as fibras do manto.
        Convém ter em conta que ao longo dos tempos foram pintadas no manto outras figuras. Estas vão se transformando em manchas ou desaparecem. No caso delas, o material e as técnicas utilizadas são fáceis de determinar, o que não acontece com a imagem de Nossa Senhora.

Os olhos da imagem

        Talvez o que mais intriga os cientistas sobre o manto de Nossa Senhora de Guadalupe são os olhos dela. Com efeito, desde que em 1929 o fotógrafo Alfonso Marcué Gonzalez descobriu uma figura minúscula no olho direito, não cessam de aparecer as surpresas. Devemos primeiro ter em vista que os olhos da imagem são muito pequenos, e as pupilas deles, naturalmente ainda menores. Nessa superfície de apenas 8 milímetros de diâmetro aparecem nada menos de 13 figuras! O cientista José Aste Tonsmann, engenheiro de sistemas da Universidade de Cornell e especialista da IBM no processamento digital de imagens, dá três motivos pelos quais essas imagens não podem ser obra humana:
• Primeiro, porque elas não são visíveis para o olho humano, salvo a figura maior, de um espanhol. Ninguém poderia pintar silhuetas tão pequenas;
• Em segundo lugar, não se consegue averiguar quais materiais foram utilizados para formar as figuras. Toda a imagem da Virgem não está pintada, e ninguém sabe como foi estampada no manto de Juan Diego;
• Em terceiro lugar, as treze figuras se repetem nos dois olhos. E o tamanho de cada uma delas depende da distância do personagem em relação ao olho esquerdo ou direito da Virgem.
         Esse engenheiro ficou seriamente comovido ao descobrir que, assim como os olhos da Virgem refletem as pessoas diante dela, os olhos de uma das figuras refletidas, a do bispo Zumárraga, refletem por sua vez a figura do índio Juan Diego abrindo sua tilma e mostrando a imagem da Virgem. Qual o tamanho desta imagem? Um quarto de mícron, ou seja, um milímetro dividido em quatro milhões de vezes. Quem poderia pintar uma figura de tamanho tão microscópico? Mais ainda, no século XVI...

Tentativa de apagar o milagre

         Assim como meu conhecido não desejava falar do Santo Sudário, outros não querem ouvir falar dessa imagem, que representa para eles problemas insolúveis. O anarquista espanhol Luciano Perez era um desses, e no dia 14 de novembro de 1921 colocou ao lado da imagem um arranjo de flores, dentro do qual havia dissimulado uma potente bomba. Ao explodir, tudo o que estava perto ficou seriamente danificado. Uma cruz metálica, que ficou dobrada, hoje se conserva no templo como testemunha do poder da bomba. Mas... a imagem da Virgem não sofreu dano algum.
        E ainda ela está hoje ali, no templo construído em sua honra, assim como uma vez esteve Nosso Senhor diante do Apóstolo São Tomé e lhe ordenou colocar sua mão no costado aberto pela lança. São Tomé colocou a mão e, verificada a realidade, honestamente acreditou na Ressurreição. Terão essa mesma honestidade intelectual os incrédulos de hoje? Não sei, porque assim como não há pior cego do que o que não quer ver, não há pior ateu do que o que não deseja acreditar. Mas, como católicos, devemos rezar também por esse tipo de pessoas, pedindo a Nossa Senhora de Guadalupe que lhes dê a graça de serem honestas consigo mesmas.


MAIS DESCOBERTAS SOBRE O
MANTO DA VIRGEM DE GUADALUPE
“Padroeira da América”

        Veja o que a ciência descobriu sobre o manto da Virgem de Guadalupe:

1. Estudos oftalmológicos realizados nos olhos da imagem de Maria detectaram que, ao aproximar luz, a retina se contrai e ao afastá-la, ela se dilata, exatamente como ocorre em um olho vivo.

2. A temperatura da fibra de maguey, com a qual está confeccionada o ponche que usou Juan Diego, mantém uma temperatura constante de 36.6 graus, a mesma de um corpo humano vivo.

3. Um dos médicos que analisou o ponche colocou seu estetoscópio embaixo do cinto que Maria possui e escutou batidas, que em ritmos, se repetem a 115 pulsações por minuto, igual a um bebê no ventre materno.

4. Não se descobriu nenhum vestígio de pintura no tecido. Na realidade, a uma distância de 10 centímetros da imagem, só se vê o tecido de maguey crú: as cores desaparecem. Estudos científicos não conseguem descobrir a origem da coloração que forma a imagem, nem a forma que a mesma foi pintada. Não se detectou vestígios de pinceladas nem outra técnica de pintura conhecida. Os cientistas da NASA confirmaram que o material que dá origem às cores não pertence a nenhum dos elementos conhecidos na terra.

5. Foi passado um raio lazer no sentido lateral sobre o tecido e descobriu-se que a coloração da mesma não está nem na frente e nem no verso, e sim, que as cores flutuam a uma distância de três décimos de milímetro sobre o tecido, sem tocá-lo. As cores flutuam sobre a superfície do ponche. Não é surpreendente?

6. A fibra de maguey que constitui o tecido da imagem, não dura mais que 20 ou 30 anos. Há vários séculos se pintou uma réplica da imagem em um tecido de fibra de maguey idêntica, e a mesma se desintegrou depois de varias décadas, enquanto que, há quase 500 anos do milagre, a imagem de Maria continua tão firme como no primeiro dia. A ciência não consegue explicar porque a tela não se desintegrou.

7. No ano de 1791, derrubou-se, acidentalmente, ácido muriático no lado superior direito do tecido. Num intervalo de 30 dias, sem tratamento algum, o tecido afetado se reconstituiu milagrosamente.

8. As estrelas visíveis no Manto de Maria refletem a exata configuração e a posição em que se apresentava o céu do México, no dia em que aconteceu o milagre.

Do lado direito, do manto da Virgem, encontram-se “comprimidas” as constelações do sul: 4 estrelas que formam parte da constelação de Ofiuco (Ophiucus). Abaixo, se observa Libra e à direita, a que parece uma ponta de flecha, corresponde ao início de Escorpião (Scorpius). No meio, se assinalam duas: a constelação de Lobo (Lupus) e no extremo, a de Hidra (Hydra). Abaixo se vê a Cruz do Sul (Crux). Sem dúvida alguma, à esquerda, aparece o quadrado ligeiramente inclinado da constelação de Centauro (Centaurus).

Do lado esquerdo do manto da Virgem, vêem-se as constelações do norte:
No ombro, um fragmento das estrelas da constelação de Boyero (Bootes); abaixo, e à esquerda, a constelação Osa Mayor (Ursa Maior). Em volta e à direita, Berenice (Coma Berenices); abaixo, Lebreles (Canes Venatici), e à esquerda, Thuban, que é a estrela mais brilhante da constelação de Dragón (Draco).

Abaixo das duas estrelas, (que todavia formam parte da Ursa Maior), percebe-se outro par de estrelas da constelação de Cochero (Auriga) e à oeste, abaixo, 3 estrelas de Touro (Taurus).

Desta maneira, ficam identificadas, na sua totalidade e no seu lugar, um pouco comprimidas, as 46 estrelas mais brilhantes que rodeiam o horizonte do Vale do México.

9. No início do século XX, um homem escondeu uma bomba de alto poder entre um arranjo floral e o colocou aos pés do manto. A explosão destruiu tudo ao redor, menos o manto, que permaneceu intacto.

10. A ciência descobriu que os olhos de Maria possuem os três efeitos de refração da imagem de um olho humano.

11. Nos olhos de Maria (de apenas 7 e 8 mm) se descobriram minúsculas imagens humanas, que nenhum artista poderia pintar. São duas cenas e elas se repetem em ambos os olhos. A imagem do bispo Zumárraga nos olhos de Maria foi aumentada com tecnologia digital, revelando que nos seus olhos está retratada a imagem do índio Juan Diego abrindo seu ponche frente ao bispo. Sabem qual o tamanho desta imagem? Uma quarta parte de um milésimo de milímetro.

Para finalizar, vejam outros 3 fatores surpreendentes:

1. Guadalupe; significa no idioma indígena: “amassa a cabeça da serpente. É o que está em Gênesis 3,15: …“Ela (a mulher) te esmagará a cabeça (da serpente)…” é Maria, Vencedora do Mal.

2. A imagem é uma pintura tal qual detalha Apocalipse 12: “Apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os seus pés…”

3. A Virgem tem um cinto no ventre: “está grávida”; para indicar que Deus queria que Jesus nascesse na América, no coração de cada americano. Exaltarei ao Senhor toda minha vida, cantarei ao meu Deus enquanto exista. (Sal 146,2)


olho de Nossa Senhora de Guadalupe



manto de Nossa Senhora de Guadalupe



Santo Elói, bispo e confessor


 

Elói foi bispo, escultor, modelador, marceneiro e ourives, um artista e religioso completo.
Havia nascido na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França. Seus pais, eram modestos camponeses cristãos de origem franco-italiana com princípios rígidos de honestidade e lealdade, transmitindo-os com eficiência ao filho. Com muito sacrifício, fizeram com que ele estudasse, pois a herança que podiam lhe dar seria uma profissão.
 Ainda jovem Elói ingressou na escola de ourives de Limoges, a mais conceituada da Europa da época e ainda respeitada. Ao se tornar mestre da profissão, já possuía fama pela sua competência, integridade e honestidade. Tinha alma de monge e de artista, fugia dos gastos com jogos e diversões. Tudo que possuía usava com os pobres. Levava uma vida austera e de oração meditativa, ganhando o apelido de "o Monge".
Nesta época, quando o rei Clotário II, desejoso de possuir um trono de ouro, reuniu grande quantidade desse metal e começou a procurar algum ouvires que lhe executasse o serviço. Mas todos os ouvires que encontrou, sendo desonestos, lhe diziam que o ouro acumulado não era suficiente. Afi­nal apareceu Elói, mestre afama­do de ourivesaria como era, e declarou que aquele ouro era suficiente para a confecção do trono.
O contrato ce­lebrado, Elói recebeu o ouro e se pôs a trabalhar. Sendo honestís­simo, aproveitou bem o ouro re­cebido e conseguiu com ele fazer não somente um, mas dois tronos e os entregou ao rei. Admirado com a honestidade do artista, Clotário o nomeou guardião e administrador do tesouro real.  
Elói realizou muitas obras de arte importantes, como o túmulo de são Martinho de Tours, o de são Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de caráter religioso. O dinheiro que recebia pelos trabalhos realizados na Corte, usava-o para resgatar prisioneiros de guerra, fundar e reconstruir  igrejas, mosteiros masculinos e femininos, e para contribuir com o bem estar espiritual e material dos mais necessitados.
Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, ingressou para a vida religiosa. Dois anos após a morte do rei, era consagrado bispo de Noyon, na região de Flandres. Foi uma vida totalmente voltada para a campanha da evangelização e reevangelização, no norte da França, Holanda e Alemanha, onde se tornou um dos principais protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor a serviço da Igreja de Cristo.  
Os últimos dezenove anos de sua vida, Elói evitou o luxo e viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, caridade e mortificação. A região de sua diocese estava envolvida ao paganismo e à idolatria. Com as pregações de Elói e suas visitas as paróquias, o povo foi se convertendo até que, um dia, todo o povo estava batizado.
A morte chegou no dia 1º de dezembro de 659, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. O histórico de sua vida e santidade se espalhou rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo bispo Aldoeno que escreveu sua biografia.  
A festa de santo Elói, padroeiro dos joalheiros e ourives, ocorre na data de sua morte. Entretanto ele é celebrado também como padroeiro dos cuteleiros, ferreiros, ferramenteiros, celeiros, comerciantes de cavalos, carreteiros, cocheiros, garagistas e metalúrgicos.

Antiga CAPELA DE SANTO ELÓI

Capela de Santo Elói, construída na casa onde o santo morou


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Dos Sermões de S. Gregório de Nazianzo, bispo, século IV (Or. 45,9.22.26.28: PG 36,634.635.654.658-659.662)



Ó admirável intercâmbio!


         O próprio Filho de Deus, que existe desde toda a eternidade, o invisível, o incompreensível, incorpóreo, princípio que procede do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a expressão do arquétipo divino, o selo inamovível, a imagem perfeita, a palavra e o pensamento do Pai, vem em ajuda da criatura feita à sua imagem, e por amor do homem se faz homem. Para purificar aqueles de quem se tornou semelhante, assume tudo o que é humano, exceto o pecado. Foi concebido por uma Virgem, já santificada pelo Espírito Santo no corpo e na alma, para honrar a maternidade e ao mesmo tempo exaltar a excelência da virgindade; e assumindo a humanidade sem deixar de ser Deus, uniu em si mesmo duas realidades contrárias, a saber, a carne e o espírito. Uma delas conferiu a divindade, a outra recebeu-a.
         Aquele que enriquece os outros torna-se pobre. Aceita a pobreza de minha condição humana para que eu possa receber os tesouros de sua divindade. Aquele que possui tudo em plenitude, aniquila-se a si mesmo; despoja-se de sua glória por algum tempo, para que eu participe de sua plenitude.
         Quais são essas riquezas da bondade? Qual é esse mistério que me concerne? Recebi a imagem divina mas não soube conserva-la. Ele assumiu a minha condição humana para restaurar a perfeição dessa imagem e dar a imortalidade a esta minha condição mortal. Assim estabelece conosco uma segunda aliança, muito mais admirável que a primeira.
         Convinha que a santidade fosse dada ao homem mediante a humanidade assumida por Deus. Convinha que ele triunfasse desse modo sobre o tirano que nos subjugava, para nos restituir a liberdade e reconduzir-nos a si através de seu Filho, nosso Mediador; e Cristo realizou, de fato, esta obra redentora para a glória de seu Pai, que era o objetivo de todas as suas ações.
           O bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, veio ao encontro da que estava perdida, procurando-a pelos montes e colinas onde tu sacrificavas aos ídolos; tendo-a encontrado, tomou-a sobre seus ombros – os mesmo que carregaram a cruz – reconduzindo-a à vida eterna.
          Depois daquela tênue lâmpada do Precursor, veio a Luz claríssima de Cristo; depois da voz, veio a Palavra; depois do amigo do esposo, o Esposo. O Senhor veio depois daquele que lhe preparou um povo perfeito, predispondo os homens, por meio da água purificadora, para receberem o batismo do Espírito.
          Foi necessário que Deus se fizesse homem e morresse, para que tivéssemos a vida. Morremos com ele para sermos purificados; ressuscitamos com ele porque com ele morremos. Fomos glorificados com ele, porque com ele ressuscitamos.