segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Beato Sebastião de Aparício

            


           Nasceu em Gudinha Galícia (Espanha) em 20 de janeiro de  1502. Quando criança contagiou-se por ocasião de uma epidemia. Os enfermos eram obrigados a  viver apartados  e  sua mãe o levou a  uma solitária choupana.  Ali uma loba o mordeu e  com a  hemorragia curou-se a  enfermidade. Desde então teve um especial amor e  influência com os  animais. 
            Lhe agradava a  vida do campo por sua paz e contato íntimo com Deus. Ainda que não tivesse ido à escola, nem aprendido a  ler ou escrever, desenvolveu muitas habilidades úteis: construção de  edifícios e fabricação de carros, cultivo, toda classe de  trabalho rural, etc.  Pastoreou as  ovelhas de  seu pai até a idade de 20 anos, quando se foi como mordomo em uma fazenda situada  em Salamanca que pertencia a  uma jovem viúva, formosa e rica. Ela enamorou-se dele.  Para não cair na tentação, Sebastião deixou o lugar e  foi á Zafra, para trabalhar em outra fazenda ao serviço de Pedro de Figueroa, parente do duque de Feria. Porém ali, uma das filhas do dono também começou a rondar-lhe. Voltou a mudar-se, desta vez a Saluncar de Barrameda, onde partiam os barcos para a América. Trabalhou ali sete anos com bom salário e  pôde enviar às suas irmãs o dote  que se costumava recolher para o matrimônio.  Porém, nesse lugar, foi outra vez  assediado por moças. Quando a filha do seu patrão passou a lhe assediar em namoro, decidiu  embarcar para a América, onde viveria o resto de sua vida.
              Desembarcando em Puebla, México, recém-fundada, Sebastião pôs seus diversos talentos em bom uso. Lhe ajudaram inicialmente sua avantajada força física. Havia grande escassez de carros de carga animal.  Ele fundou uma empresa onde os  construía e  fazia transportes.  Ajudou também a  construir estradas  já que por Puebla passava o tráfego entre Vera Cruz e a  cidade do México. Auxiliava aos  índios e  aos pobres, ensinando-lhes suas artes.
              Em 1542 Sebastião se muda para a Cidade do México com a finalidade de  fundar uma empresa de  carros maior.  Abriu o primeiro caminho de carros a  Zacatecas, empreendimento audaz não só pela distância mas porque atravessava região habitada por índios Chichimecas, então temidos e perigosos. Durante dez anos transportou viajantes e mineiros das minas Zacatecas à Casa da Moeda do México. Em certa ocasião foi assaltado, enquanto transportava mercadorias,  por um bando de índios Chichimecas que inicialmente não reconheceram a Sebastião. Porém, quando deram-se conta disso imediatamente o liberaram. “Tu tens sido sempre como um bom pai conosco – disseram – A ti, não faremos dano”. 
             Com a  idade de  50 anos, depois de  18 anos, se retira do comércio das estradas e  se estabelece em uma fazenda em Tlalnepantla, próximo à Cidade do México. Pelos bens  que havia ganhado com seu trabalho o chamam “Aparício, o Rico”. Em Chapultepec, nos arredores do México,  adquire uma fazenda de criação de gado. Sem embargo, vivia com impressionante simplicidade:  não tinha cama, mas dormia em um estrado , comia as  mesmas refeições dos índios e  vestia-se humildemente. Utilizava seus recursos para fazer de sua fazenda um centro de misericórdia para todos. Os trabalhadores de sua fazenda eram tratados com todo respeito, como amigos. A vários arrendatários, lhes escriturou terras para que formassem suas próprias propriedades rurais. Enquanto era comum que os fazendeiros tivessem muitos escravos,  só tinha um e este era tratado como um filho, até que acabou concedendo-lhe a liberdade. Porém,  o escravo sentia-se tão bem junto a Sebastião que continuou ali como seu empregado.
Dois matrimônios
            Em Chapultepec contrai uma enfermidade muito grave e  recebe os últimos sacramentos. Recuperada a saúde,  lhe recomendam que se case e encomenda de fato a Deus, com muita oração, a possibilidade de  casar-se. Finalmente, aos 60 anos, em 1562, casa-se com a filha de  um amigo vizinho de Chapultepec na igreja dos franciscanos de Tacuba,  vivendo com sua esposa vida virginal. Seus sogros pensavam em buscar a anulação do matrimônio, quando a esposa acaba morrendo no primeiro ano de casados.  Aparício, depois de  entregar a seus sogros 2.000 pesos como dote,  retorna a Atzcapotzal
             Ali contraiu um segundo matrimônio aos 67 anos.  Foi também este um matrimônio virginal, como Sebastião o assegura em cláusula do testamento de então:  “Para maior glória e  honra de Deus declaro que minha mulher permanece virgem, como a recebi de seus pais, porque me  casei com ela para ter algum privilégio em sua companhia, por achar-me muito só e  para ampará-la e servi-la em minha fazenda”. Ela também morre antes  de  completar-se um ano em um acidente, ao cair de uma árvore enquanto recolhia frutas. Aparício a quis muito, como também a sua primeira esposa, e delas dizia muitos anos depois que “havia criado duas pombinhas para o céu,  brancas  como a neve”.
Vida religiosa
                                             
             Seu confessor lhe recomenda que ajude as irmãs clarissas que estavam passando miséria.  No ano de 1573 cede às clarissas todos os seus bens, que ultrapassavam cerca de 20.000 pesos,  ficando com 1000 pesos somente, como lhe pediu o  confessor por precaução, se não perseverasse. Passou ele  a servir-lhes na qualidade de porteiro. 
             Em 09 de junho de  1574, aos 72 anos de  idade, recebe o hábito franciscano no convento do México.  Dá, desde o início, grande exemplo de humildade,  fazendo qualquer serviço com prontidão. Sofre muito,  em parte pelo trato dos jovens do noviciado e  porque seus superiores, ao vê-lo tão velho, não se decidem em deixar-lhe professar.  Por fim, aos 73 anos de idade, em 13 de junho de 1575 recita a  solene fórmula: «Eu, frei Sebastião de Aparício,  faço voto e prometo a Deus viver em  obediência, sem coisa alguma própria e castidade,  viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, guardando a Regra dos Frades Menores ». 
              E um frade firma por ele, pois é analfabeto. Por aquele convento passou outro franciscano chamado por deus a ser mártir no Japão: São Felipe de Jesus.
Esmoler

             O frade ancião vai ao seu primeiro destino caminhando 30 km ao leste de Puebla. É o convento de Santiago de Tecali. Ali é o único irmão leigo e serve nos trabalhos mais humildes. Logo o chamam de volta a Puebla, onde o intenso trabalho dos frades requer um bom esmoler. Sua fórmula era: "Te guarde Deus, irmão. Há algo que dar, por Deus, a São Francisco?".  Enquanto tanto dava aos pobres muitas vezes sua própria roupa,  repartia dos bens que havia recolhido para o convento. 
              Disse, quando já ancião, ao seu superior: "Pensa, padre Guardião,  que eu gosto de dormir no campo e  sem coberta?;  não,  mas porque este velho verme deve padecer no corpo, porque se não fazemos penitência, não iremos ao céu". 

Devoto da Virgem Maria

            Percorria a  região com seu hábito franciscano,  Rosário nas mãos,  com o qual sempre caminhava rezando. Em uma festa da Virgem,  chega frei Sebastião ao convento de Cholula no momento da comunhão e se aproxima a comungar.  Quando depois, estando em ação de graças,  se lhe aparece a Virgem. Quando o padre Sancho de Landa se lhe interpõe, lhe diz o irmão Aparício:  "Atenção, atenção,  não vêem aquela grande Senhora,  que desce pelas escadas? Olhem! Não é muito formosa?"  O padre Sancho, não vendo nada, disse: "Estais louco, Sebastião, onde está a mulher?"  Porém, logo compreendeu que se tratava de uma visão do santo Irmão.    

Impugnado pelos demônios

             Sebastião sofreu muitas impugnações do demônio. Nas clarissas do México os combates contra o maligno eram tão fortes, que a abadessa lhe pôs dois homens para sua defesa, porém,  saíram tão fracos e aterrados por dois leões, que por nada do mundo aceitaram voltar para cumprir tal ofício.  
             Já do frade, segundo conta o Dr. Pareja, o demônio "lhe tirava de sua pobre cama a pouco roupa com que se cobria e, jogando-a fora pela janela do dormitório, o deixava duro de frio quase ao ponto de tirar-lhe a vida. Outras vezes, dando-lhe grandes golpes, o atormentava e enfraquecia;  outras o o pegava e arremessava para o alto, deixando-o cair como quem joga uma bola,  para o inquietar e atormentar;   de forma que muitas vezes se viu desconsolado e aflito".  
            Os ataques continuaram em muitas ocasiões. Em uma delas, os demônios lhe disseram que iam derrubá-lo porque Deus lhes havia dado ordem de fazê-lo. Ao que respondeu Sebastião muito tranqüilo:  "Pois se Deus os mandou, o que esperais?  Fazei o que Ele os manda, que eu estou muito feliz de fazer o que a Deus agrada".  

Consolado pelos anjos

            Também recebeu consolações do céu.  Teve visões de São Francisco e do apóstolo São Tiago, que lhe confirmaram em sua vocação. Teve grande devoção aos anjos, especialmente ao de sua guarda e experimentou muitas vezes seus favores.  
            Uma vez se lhe atolou a carreta no barro e se lhe apresentou um jovem vestido de branco para oferecer sua ajuda.  "Que ajuda me podeis dar, lhe disse,  quando oito bois não podem movê-la!".  Porém, quando vê que o jovem tirou o carro com toda facilidade, comenta em voz alta: "Certamente que não sois daqui!"
            Regressava frei Sebastião com seu carro bem carregado, de Tlaxcala a Puebla, quando se  lhe rompeu um eixo. Não havendo no momento remédio humano possível, invoca a São Francisco, e o carro continuou rodando como antes. E a um que lhe disse assombrado ao ver esta cena: "Padre Aparício,  que diremos disto?", lhe contesta simplesmente:  "Quê havemos de dizer, senão que meu pai São Francisco vai segurando a roda para que não caia".  

Sua relação com as criaturas
             Em certa ocasião, carregando pedras para a construção do convento de Puebla, a um boi exausto teve que desuni-lo. Frei Sebastião, para continuar com o trabalho,  tomou com seu cordão franciscano a uma vaca que estava por ali com seu terneiro e, sem que ela resistisse,  lhe pôs o jugo da carreta. Ao terneirinho que protestava sem cessar com grandes e consecutivos mugidos, lhe pediu silêncio, e ele calou.   
            Regressando uma vez de Atlixco com algumas carretas bem carregadas de trigo, se detém frei Aparício para descansar, momento em que uma imensidão de formigas aproveitam para fazer seu trabalho. "Padre,  disse um índio, as formigas estão furtando o trigo a toda pressa, e se não o remediar, levarão tudo".  Frei Sebastião se aproxima e com ar sério, diz às formigas:  "De São Francisco é o trigo que estão furtando;  agora, olhem o que estão fazendo!". Foi o suficiente para que as  formigas devolvessem tudo que haviam furtado. 
           Conta-se que durante uma outra viagem,  deitou-se sobre um formigueiro de formigas bravas. Quando acordou-se,  estas haviam feito um grande  círculo em seu redor. 

Final da vida

            Aos 98 anos sentiu que iria morrer por causa de uma hérnia. Chegou ao convento e caiu prostrado no solo ao modo de São Francisco.  Pediu aos franciscanos que rezassem o credo e  quando diziam: "Creio na ressureição da da carne e na vida eterna", caiu morto.
          Muitíssimos habitantes da Puebla assistiram a  seu enterro. Duas vezes foi desenterrado seu cadáver e nas duas apareceu incorrupto.  968 milagres foram documentados em  seu processo de beatificação,  promulgada em 1789.  Atualmente, seu corpo incorrupto descansa em uma urna de cristal no convento franciscano de Puebla dos Angeles no México.  


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Beata Josefa Naval Girbés


Nascimento


           Josefa Naval Girbés nasceu em Algemesí na Ribera del Júcar a 32 km de Valência, Espanha, em 11 de dezembro de 1820. Seus pais Francisco Naval e Maria Josefa Girbés teveram cinco filhos dos quais Josefa foi a primeira. Ela foi baptizada na freguesia de São Tiago Apóstolo, no mesmo dia que em que nasceu e recebeu com nome o de Maria Josefa, mas era chamada pela maior parte das pessoas Pepa, ou Senhora Pepa. Em 10 de novembro de 1828 foi confirmada e, em seguida, recebeu a Primeira Comunhão.
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Educação


           Ela frequentou a escola da Educação, promovido pelo Capítulo Catedral. Desde a adolescência se consagrou ao Senhor, com um voto perpétuo de castidade. Enveredou no caminho da oração e da perfeição evangélica numa vida de simplicidade e caridade. Em seu compromisso de vida, dedicou-se generosamente às obras do ministério na comunidade paroquial.O decreto para a sua canonização, diz: “... a Serva de Deus teve a sua paróquia como Mãe na fé e na graça e, como tal, ela amou e serviu com humildade e espírito de sacrifício. Por isso mesmo, mostrava sincera veneração pelo seu pároco e confiou-lhe a sua direção espiritual; preocupava-se com a preparação, conservação e limpeza dos paramentos e ornamentos dos altares; todos os dias ele ia à igreja paroquial para participar ao Sacrifício Eucarístico mas distinguiu-se principalmente pelo seu apostolado inteligente e fecundo, que sempre desenvolveu de acordo com seus pastores, aos quais professava absoluto respeito e obediência...”

A sua ação apostólica

           Ensinava os pobres, aconselhava aqueles que vinham ter com ela, restabelecia a paz nas famílias desunidas, organizava reuniões em casa para ajudar as mães na sua formação cristã, encaminhava de novo na virtude as mulheres que se tinham desviado do caminho recto e advertia com prudência os pecadores. Mas a obra na qual centrava, sobretudo, os seus cuidados e energias era a educação humana e religiosa dos jovens, para os quais ela abriu em sua casa uma escola gratuita de bordado, mister em que era exímia. Aquela oficina converteu-se num centro de convivência fraterna, de oração, de louvor a Deus e de explicação e aprofundamento da Sagrada Escritura e das verdades eternas.


Ungida de amor maternal


          Com afeto materno a Serva de Deus foi para suas discípulos uma verdadeira mestra de vida, um modelo de amor ardente a Deus, uma lâmpada que dava luz e calor. Ela deu-lhes muitos exemplos de fé viva e comunicativa, de caridade diligente e alegre submissão à vontade de Deus, e dos superiores, bem como das principais preocupações para a salvação das almas, a prudência singular, a prática constante da humildade, a pobreza, o silêncio e a paciência nas adversidades e dificuldades. Era notório o fervor com qual cultivava a vida interior, a oração, a meditação, a aceitação das doenças e a sua devoção à Eucaristia, à Virgem Maria e aos Santos. Assim, contribuiu eficazmente a Serva de Deus no incremento religioso na paróquia.

beata josefa naval girbes irmas carmelitas

            Ela foi membro da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e de S. Teresa de Jesus, e professavam uma grande devoção a São João da Cruz. Em casa de Maria Dolores Masiá, vizinha de Algemesí, conserva-se um quadro da Virgem do Carmo bordado a ouro e seda para sua mãe Vicenta Morán, quando apens tinha 9 anos, executado sob a direcção da Senhora Pepa. Ali se pode ler a seguinte inscrição: “Nossa Senhora do Carmo, Vicenta Morán, idade: 9 anos, ano 1893,”.Traz esta inscrição: Nossa Senhora de Carmen Morán Vicenta Ano 1893 Idade 9 anos. É o ano em que morreu a Beata, e este bordado artístico, dirigido por ela é uma das últimas amostras da sua devoção carmelita e mariana.Entregou piedosamente a sua alma a Deus em Algemesí em 24 de fevereiro de 1893. Seu corpo é conservado na igreja paroquial de São Jaime, da sua cidade natal. Em 25 de setembro de 1988 foi beatificada em Roma pelo Papa João Paulo II.

Santa Valburga


        

         Santa Valburga nasceu no ano de 710. Era filha de São Ricardo, rei dos Saxões do Oeste. Santa Valburga tinha dois irmãos: o bispo Vilibaldo e o monge Vunibaldo. Durante uma peregrinação com seu pai, mãe e irmãos aos Lugares Santos, Santa Valburga retirou-se numa abadia. E foi ali que descobriu a beleza do chamado de Deus, consagrando-se inteiramente ao Senhor. Seu pai veio a falecer durante a viagem de volta dessa peregrinação.
           Em 748, foi enviada por sua abadessa à Alemanha, junto com outras religiosas, para fundar e implantar mosteiros e escolas entre populações recém-convertidas. Na viagem, uma grande tempestade foi aplacada pelas preces de Valburga, por ela Deus já operava milagres. Naquele país, foi recebida e apoiada pelo bispo Bonifácio, seu tio, que consolidava um grande trabalho de evangelização, auxiliado pelos sobrinhos missionários. 
          Designou a sobrinha para a diocese de Eichestat onde Vunibaldo havia construído um mosteiro em Heidenheim e tinha projeto para um feminino na mesma localidade. Ambos concluíram o novo mosteiro e Valburga eleita a abadessa. Após a morte do irmão, ela passou a dirigir os dois mosteiros, função que exerceu durante dezessete anos. Nessa época transpareceu a sua santidade nos exemplos de sua mortificação, bem como no seu amor ao silêncio e na sua devoção ao Senhor. As obras assistenciais executadas pelos seus religiosos fizeram destes mosteiros os mais famosos e procurados de toda a região.
       Valburga se entregou a Deus de tal forma que os prodígios aconteciam com frequência. Os mais citados são: o de uma luz sobrenatural que envolveu sua cela enquanto rezava, presenciada por todas as outras religiosas e o da cura da filha de um barão, depois de uma noite de orações ao seu lado.
         Morreu no dia 25 de fevereiro de 779 e seu corpo foi enterrado no mosteiro de Heidenheim, onde permaneceu por oitenta anos. Mas, ao ser trasladado para a igreja de Eichestat, quando de sua canonização, em 893, o seu corpo foi encontrado ainda intacto. Além disso, das pedras do sepulcro brotava um fluído de aroma suave, como um óleo fino, fato que se repetiu sob o altar da igreja onde o corpo foi colocado.
          Nesta mesma cerimônia, algumas relíquias da Santa foram enviadas para a França do Norte, onde o rei Carlos III, o Simples, havia construído no seu palácio de Atinhy, uma igreja dedicada a Santa Valburga. O seu culto, em 25 de fevereiro, se espalhou rápido, porque o óleo continuou brotando. Atualmente é recolhido em concha de prata e guardado em garrafinhas distribuídas para o mundo inteiro. Os devotos afirmam que opera milagres.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Beata Ermertrudes de Bruges

          

          Nasceu em Colônia, Alemanha, provavelmente filha de um grande magistrado. Desejando servir a Deus de forma radical, abandonou a família em 1240, acompanhada de sua serva Vitória.
           Estabeleceu-se em Bruges, na Bélgica, onde iniciou vida eremítica. Depois de 12 anos, ouvindo falar de Santa Clara, transformou seu eremitério em Mosteiro. Ela lhe teria escrito duas cartas, porém chegou até nós a versão de uma carta, que seria um resumo das duas.
           Foi fundadora de muitos Mosteiros de Clarissas em Flandres, Bélgica, França e Alemanha. Viajou até Assis para conhecer Santa Clara e as damianitas. Ao chegar em Roma, recebe a notícia de que ela já havia morrido. Desconhece-se a data de seu nascimento e morte.

Santa Margarete de Cortona


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          Nasceu em Laviano, Toscana, Itália em 1247 e foi criada por uma família pobre quando a sua mãe morreu e ela tinha sete anos. A aspereza de sua madrasta e sua beleza levou Margarete a ser seduzida por um nobre Montepulciano quando tinha 18 anos. Ela o seguiu até o seu castelo e tornou-se sua amante por 9 anos, sempre acreditando nas suas promessas de casamento.
           Ela cavalgava arrogantemente nas terras do amante vestida em finas sedas e desprezando os pobres.
           Um dia ele não retornou para o castelo e dois dias depois o seu cão voltou sozinho. O cão puxou o vestido de Margarete de modo que ela o seguiu pela floresta até um carvalho onde ele começou a arranhar o chão. Com horror ela encontrou o deformado corpo de seu amante em uma pequena cova coberto de folhas, onde os assassinos esconderam o corpo.
            A visão da carcassa deformada daquele que tinha sido o seu galante amor a atingiu como um raio do terror do divino julgamento e das traições deste mundo e ela começou imediatamente a fazer penitencia. Logo depois de sua morte ela e seu filho saíram do castelo, deu para os pobres tudo que possuía, confessou publicamente os seus pecados, se vestiu como uma penitente e tentou se reconciliar com Deus .
           Com sua orações acabou sendo levada para Cortona. No caminho ela se encontrou com duas senhoras Marinana e Raneria Moascar, que escutaram a sua historia e a levaram e seu filho para a casa delas. Elas a apresentaram aos franciscanos e logo eles passaram a serem o seu pai em Cristo e cuidaram da educação do seu filho em Arezzo. (Ele foi ordenado franciscano e foi missionário na Palestina). Por três anos Margarete se esforçou diligentemente contra todas as tentações. Ela era ajudada por dois frades:João de Castilglione e Giunta Benegnati , este último seu confessor e mais tarde o seu biógrafo.
Depois de muito tempo de penitencia e mortificações ela começou a ter experiências místicas. O sábios franciscanos a aconselharam a modificar a sua penitencia, o jejum extremo e penitencias que estavam desfigurando o seu corpo. Eventualmente ela alcançou a paz de espirito tão procurada. Ela começou a sentir o amor de Jesus e a crer que seus pecados finalmente tinham sido perdoados.
            Margarete ganhava sua vida servindo de babá para as madames de Cortona mas mais tarde passou apenas a cuidas dos pobres, doentes e dava a comida que ela recebia para os pobres. Para ela só guardava as migalhas.
           Ela queria ser uma terciense dos Frades Menores,mas teve que esperar por três anos para receber o hábito de franciscana. A sua vida de êxtase e experiências místicas começou em 1277. Cristo deu um exemplo para os pecadores e a fama de Margarete trouxe muitos para pedirem o seu conselho.
            Margarete sempre atendia os mais pecadores e dava a eles o conforto certo e alguns ela enviava para os franciscanos para um maior aconselhamento, em particular para o seu confessor. Quando ele reclamou que ela estava enviando muitas pessoas ela ouviu a seguinte visão de Jesus dizendo:
           "Diga ao seu confessor que ele não está limpando estábulos, mas sim preparando para Mim, as almas do penitentes."
            Nem só os vivos vinham a ela mas tambem os mortos. Ela teve varias visões de almas que pediam a ela o seu sacrifício para liberta-las do sofrimento que estavam padecendo. Elas apareciam em grande numero para pedir a sua assistência e intercessão.
Um dia ela se viu no meio de dois viajantes que pediram a ela ajuda para reparar injustiças que eles haviam cometido: Diziam "Nós somos dois mercadores ladrões que fomos assassinados na estrada, mas com fé fizemos a perfeita contrição antes de morrer, e fomos salvos, mas estamos ainda num local de grande sofrimento esses sofrimentos só serão minorados se formos perdoados." Em seguida deram a ela as informações necessárias e desapareceram .
            Eles revelaram a ela onde haviam escondido o dinheiro e as jóias que haviam roubado e ela procurou as autoridades para revelar o segredo que iria poupa-los do eterno sofrimento. As autoridades com espanto encontraram tudo como ela havia indicado, tanto os bens roubados, quanto as pessoas das quais haviam sido roubadas.
           Certa vez ela recebeu uma mensagem para o Bispo Willina de Arezzo avisando para ele mudar o seu jeito de ser e não enfrentar o povo de sua Diocese, não viver como um príncipe e soldado e ser o pastor de seu rebanho. Em 1289 ela foi convidada a mediar um batalha, enquanto o Bispo era pela luta contra os Gulfs. Margarete foi a ele pessoalmente, mas ele não a ouviu! Dias mais tarde ele morreu em batalha.
           Assim sua fama mais crescia e ela fundou uma associação mulheres para agirem como enfermeiras nos hospitais para pobres. No inicio Margarete colocava as irmãs na sua própria casa, mas logo uma senhora chamada Diabella forneceu uma casa e deu dinheiro para elas fundarem um hospital chamado Spedale di Santa Maria de Misericórdia dedicado aos pobres e que existe até hoje.
           Em 1289 ela passou a curar dos doentes apenas com sua benção e oração e ela passou a ser o centro das atenções de toda a cristandade.
           Tanto mais avança a sua espiritualidade mais Margarete vivia ascética. Dormia no chão, comia pão, água e vegetais, e vestia velhos e ásperos trapos.
           É dito que ela teria visto uma procissão de almas escoltando-a para o paraíso após a sua morte, com 50 anos de a idade. Quando ela veio a falecer com 50 anos de idade os servos, irmãs e amigos que estavam por perto viram uma luz brilhante a envolver e ela voltou da morte por alguns segundos e relatou a eles a sua visão do Paraíso e morreu santamente e numa paz que não podiam deixar de acreditar no que havia contado. Os cidadãos de Cortona construíram um igreja no local de sua tumba. O seu corpo foi embalsamando e solenemente enterrado, mas as pessoas queriam ver o seu corpo mais de perto e foi exumada e o colocaram em um lugar onde poderia ser visto e exposto a veneração. Seu corpo está ainda incorrupto e preservado debaixo do altar da Igreja de Santa Margarete em Cortona e o prédio contem ainda a sua estátua com o seu cão.
           Na arte litúrgica da Igreja ele é mostrada com um cão puxando o seu vestido ou com a caveira aos seus pés, ou com o hábito de véu negro ou em êxtase com Cristo aparecendo para ela, ou com anjos levando-a para o paraíso.
          Ela morreu em Cortona em 22 de fevereiro de 1297. Foi canonizada pelo Papa Benedito VIII em 1728. Ela e a padroeira da mulheres penitentes.

Santo Abílio



Viveu no primeiro século e foi o terceiro bispo de Alexandria, Egito.Ele sucedeu São Marcos (o apóstolo) e Anianus. Euzébio historiador da época reporta que Abilius foi indicado bispo em torno de 84 DC. Mais tarde foi feito prisioneiro e martirizado para renunciar a sua fé e como não o fizesse foi finalmente decapitado em 98 DC.


Tortura e martírio

A tortura era feita para que o cristão concordasse em renegar publicamente a sua fé e a oferecer sacrifícios aos deuses romanos e as vezes eram feitas as escondidas em calabouços. Em geral as torturas eram suplícios terríveis, mas feitas de modo a não matar o torturado, e se ele cedesse era libertado e retornava para casa. 
O martírio era um castigo, uma condenação, com sentença proferida pelo magistrado encarregado do julgamento, e era as claras, em público,brutal, feito para matar e em geral terminava com os condenados sendo queimados, ou esquartejados, desmembrados ou atirados as feras.
Mas antes, o condenado sofria açoites com vários tipos de varas e chicotes, alguns feitos com finos galhos de arbustos com espinhos, que cortavam a carne sem sangrar, arrancavam pedaços dos seios e a pele da planta dos pés, prolongando o sofrimento, tudo isto para deleite da multidão.
Em alguns casos, quando o condenado era figura importante ou soldado, tinham o privilégio de morrer degolado pela espada ou machado. O martírio era documentado nos chamado “Atos de Martírio” e eram publicados na cidade onde ele ocorria, e arquivados na biblioteca  em Roma.

Conforme historiadores da época, os condenados comuns esperneavam, gritavam, berravam, prometendo tudo para parar o sofrimento, mas os santos, com uma fé inabalável, apenas oravam ou cantavam hinos de louvor a Deus, piedosamente aguardando seu encontro com Jesus.

Segundo os martirologistas, somente uma pessoa santa e fé inabalável, poderia resistir ao martírio. Por isto os mártires da época com “Atos de Martírio” autênticos, são considerados santos sem passar todo o longo processo de beatificação e canonização.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

São Leão da Catânia, bispo

            
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             São Leão viveu entre os anos 703 e 787. Era natural da região de Ravena, na Itália. Seus pais buscavam lhe dar uma educação enciclopédica, em que fosse possível conciliar vários conhecimentos. Acreditavam que tanto a criança quanto sua educação só eram frutuosas se estivessem baseadas no que a Palavra de Deus dizia: «Criem vossos filhos, educando-os e aconselhando-os segundo os preceitos de Nosso Senhor Jesus Cristo».
             Assim Leão foi educado. Estudou ciências com esmero e dedicação e nelas sempre se destacava. Sua formação cristã o ajudou a conservar sua humildade, protegendo-o da vaidade e do orgulho. Tinha forte desejo de servir a Deus e a Igreja, decidindo-se, por isso ser ordenado sacerdote.
            Serviu a Igreja nos três graus do sacerdócio, e em cada etapa cumpriu perfeitamente suas obrigações religiosas. Suas preciosas virtudes o elevaram ao grau do episcopado, tornando-se bispo de Catânia. Em seu apostolado como bispo, trabalhou incansavelmente, ensinando e preocupando-se não só com as almas, mas acolhendo e alimentando os órfãos.
             Deus lhe deu a graças de operar milagres. Deixou serenamente este mundo e seu santo corpo foi sepultado na Igreja de Santa Lúcia que foi ele havia edificado.