quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Das Cartas Pastorais de São Carlos Borromeu, bispo, século XVI (Acta Eclesiae Mediolanensis, t.2, Lugduni, 1683, 916-917)

O tempo do Advento

          Caros filhos, eis chegado o tempo tão importante e solene que, conforme diz o Espírito Santo, é o momento favorável, o dia da salvação (cf. 2Cor 6,2), da paz e da reconciliação. É o tempo que outrora os patriarcas e profetas tão ardentemente desejaram com seus anseios e suspiros; o tempo que o justo Simeão finalmente pôde ver cheio de alegria, tempo celebrado sempre com solenidade pela Igreja, e que também deve ser constantemente vivido com fervor, louvando e agradecendo ao Pai eterno pela misericórdia que nos revelou nesse mistério. Em seu imenso amor por nós, pecadores, o Pai enviou seu Filho único a fim de libertar-nos da tirania e do poder do demônio, convidar-nos para o céu, revelar-nos os mistérios do seu reino celeste, mostrar-nos a luz da verdade, ensinar-nos a honestidade dos costumes, comunicar-nos os germes das virtudes, enriquecer-nos com os tesouros da sua graça e, enfim, adotar-nos como seus filhos e herdeiros da vida eterna.
         Celebrando cada ano este mistério, a Igreja nos exorta a renovar continuamente a lembrança de tão grande amor de Deus para conosco. Ensina-nos também que a vinda de Cristo não foi proveitosa apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia é comunicada a todos nós se, mediante a fé e os sacramentos, quisermos receber a graça que ele nos prometeu, e orientar nossa vida de acordo com os seus ensinamentos.
         A Igreja deseja ainda ardentemente fazer-nos compreender que o Cristo, assim como veio uma só vez a este mundo, revestido da nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não opusermos resistência.
         Por isso, a Igreja, como mãe amantíssima e cheia de zelo pela nossa salvação, nos ensina durante este tempo, com diversas celebrações, com hinos, cânticos e outras palavras do Espírito Santo, como receber convenientemente e de coração agradecido este imenso benefício e a enriquecer-nos com seus frutos, de modo que nos preparemos para a chegada de Cristo nosso Senhor com tanta solicitude como se ele estivesse para vir novamente ao mundo. É com esta diligência e esperança que os patriarcas do Antigo Testamento nos ensinaram, tanto em palavras como em exemplos, a preparar a sua vinda.

Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, bispo (Cat. 15, 1-3; PG 33 870-874)

As Duas Vindas de Cristo




         Anunciamos a vinda de Cristo; não a primeira apenas, mas também a segunda, muito mais deslumbrante. Pois a primeira foi marcada com o signo da paciência, mas a outra ostentará a coroa da realeza divina.
         Aliás, tudo que concerne a Nosso Senhor Jesus Cristo tem quase sempre uma dupla dimensão. Houve um duplo nascimento; primeiro Ele nasceu de Deus, antes dos séculos, depois nasceu da Virgem, na plenitude dos tempos. Dupla descida: uma discreta como a chuva sobre o velo, outra no esplendor, a que vai se realizar.
         Na primeira vinda Ele foi envolto em faixas e reclinado no presépio; na segunda, será revestido de luz como de um manto. Na primeira Ele suportou a cruz e desprezou a ignomínia; na Segunda virá cheio de glória, cercado de uma multidão de anjos. Não nos detemos, portanto, somente na primeira vinda, mas esperamos, ainda, ansiosamente, a Segunda. E assim como dissemos na primeira: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor”, clamaremos de novo, no momento da segunda vinda, quando formos com os anjos ao encontro do Senhor para adorá-lo: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor”.
         Virá o Salvador, não para ser de novo julgado, mas para chamar a juízo aqueles que se constituíram seus juízes. Ele, que ao ser julgado guardara silêncio, dirá aos que ousaram insultá-lO quando pendia da cruz: “Eis o que fizeste e calei-me”.
        Ele viera então realizar um desígnio de amor, ensinando aos homens com persuasão e doçura; mas naquele dia, queiram ou não, ver-se-ão obrigado a submeter-se à sua realeza.
       O profeta Malaquias fala dessas duas vindas: “Virá repentinamente ao seu templo santo o Senhor que buscais”. Eis uma vinda.
        E prossegue, a respeito de outra: “E o Anjo da aliança que desejais, ei-lo que vem, o Senhor Todo Poderoso! Quem poderá suportar o dia de sua vinda? Quem poderá resistir quando ele aparecer? Porque Ele é como fogo do fundidor e como a barrela dos lavadeiros: sentar-se-á para fundir e purificar”.
       Paulo alude a essas duas vindas quando escreve a Tito: “Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio ensinar-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver neste mundo com sobriedade, justiça e piedade, aguardando a realização da feliz esperança e manifestação da glória de nosso grande Deus e salvador Jesus Cristo”, Vês como ele fala da primeira vinda, pela qual dá graça, e da Segunda, que esperamos?

        Por isso o símbolo da fé que professamos nos é agora transmitido, convidando-nos a crer naquele que “subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim”. Nosso Senhor Jesus Cristo virá portanto do céu, virá glorioso no fim do mundo, no último dia. Dar-se-á a consumação do mundo e este mundo que foi feito será inteiramente renovado.
 

Santo André apóstolo e mártir, século I

 

            Foi um dos primeiros discípulos de Nosso Senhor. Era irmão de São Pedro, que apresentou ao Mestre. Segundo antiga tradição, pregou na região dos Bálcãs e sofreu o martírio sendo crucificado numa cruz em forma de X (conhecida heraldicamente como Cruz de Santo André).
         Entre os Doze apóstolos de Cristo, André foi o primeiro a ser seu discípulo. Além de ser apontado por eles próprios como o "número dois", depois, somente, de Pedro. Na lista dos apóstolos, pela ordem está entre os quatro primeiros. Morava em Cafarnaum, era discípulo de João Batista, filho de Jonas de Betsaida, irmão de Simão-Pedro e ambos eram pescadores no mar da Galiléia.  
Foi levado por João Batista à verdejante planície de Jericó, juntamente com João Evangelista, para conhecer Jesus. Ele passava. E o visionário profeta indicou-o e disse a célebre frase: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". André, então, começou a segui-lo.
André levou o irmão Simão-Pedro a conhecer Jesus, afirmando: "Encontramos o Messias". Assim, tornou-se, também, o primeiro dos apóstolos a recrutar novos discípulos para o Senhor. Aparece no episódio da multiplicação dos pães: depois da resposta de Filipe, André indica a Jesus um jovem que possuía os únicos alimentos ali presentes: cinco pães e dois peixes.  
Pouco antes da morte do Redentor, aparece o discípulo André ao lado de Filipe, como um de grande autoridade. Pois é a ele que Filipe se dirige quando certos gregos pedem para ver o Senhor, e ambos contaram a Jesus.
André participou da vida pública de Jesus, estava presente na última ceia, viu o Cristo Ressuscitado, testemunhou a Ascensão e recebeu o primeiro Pentecostes. Ajudou a sedimentar a Igreja de Cristo a partir da Palestina nas localidades e regiões dos Bálcãs.
 Alguns historiadores citam que depois de Jerusalém foi evangelizar na Galiléia, Cítia, Etiópia, Trácia e, finalmente, na Grécia. Nessa última, formou um grande rebanho e pôde fundar a comunidade cristã de Patras, na Acaia, um dos modelos de Igreja nos primeiros tempos. Mas foi lá, também, que acabou martirizado nas mãos do inimigo, Egéas, governador e juiz romano local.
André se intimidou à autoridade do governador, convidando-o a reconhecer em Jesus um juiz acima dele. Mais ainda, clamou que os deuses pagãos não passavam de demônios. Egéas não hesitou e condenou-o à crucificação. Para espanto dos carrascos, aceitou com alegria a sentença, afirmando que, se temesse o martírio, não estaria "pregando a grandeza da cruz, onde morreu Jesus".  
Ficou dois dias pregado numa cruz em forma de "X"; antes, porém, despojou-se de suas vestes e bens, doando-os aos algozes. Conta a tradição que, um pouco antes de André morrer, foi possível ver uma grande luz envolvendo-o e apagando-se a seguir. Tudo teria ocorrido sob o império de Nero, em 30 de novembro do ano 60, data que toda a cristandade celebra sua festa.
O imperador Constantino trasladou, em 357, de Patos para Constantinopla, as relíquias mortais de Santo André, Apóstolo. Elas foram levadas para Roma, onde se encontram atualmente na Catedral de Amalfi.
Só no século XIII Santo André, Apóstolo foi celebrado como padroeiro da Rússia e Escócia.


 

Catedral de Amalfi, Itália, onde encontram-se as relíquias de Santo André


Onde encontram-se as relíquias dos Apóstolos?

 

As relíquias dos santos apóstolos




Em Pádua estão as relíquias do apóstolo São Lucas



Em Veneza,  na Itália estão as relíquias do apóstolo São Marcos




Em Salamina,  na Grécia,  estão as relíquias do apóstolo São Barnabé


Em Roma,  na Itália, estão as relíquias do apóstolo São Paulo



Em Roma,  na Itália,  estão as relíquias do apóstolo Santo Estevão



Em Trier,  na Alemanha,  estão as relíquias do apóstolo São Matias



Em Éfeso,  na Grécia,  estão as relíquias do apóstolo São João


 Em Lípari,  na Itália,  estão as relíquias do apóstolo São Bartolomeu





Em Roma,  na Itália,  estão as relíquias do apóstolo São Tiago, o menor




Em Abkhazia,  na Rússia,  estão as relíquias do apóstolo São Simão




Em Roma,  na Itália,  estão as relíquias do apóstolo São Felipe



Em Roma,  na Itália,  estão as relíquias do apóstolo São Judas Tadeu





Em Salerno,  na Itália,  estão as relíquias do apóstolo São Mateus



Em Madras,  na India,  estão as relíquias do apóstolo São Tomé



Em Compostela,  na Espanha,  estão as relíquias do apóstolo São Tiago, o maior



Em Amalfi,  na Itália estão as relíquias do apóstolo Santo André



Em Roma,  na Itália,  estão as relíquias do apóstolo São Pedro

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Beato Frederico de Ratisbona, irmão leigo agostiniano

    
 
 
          O beato Frederico nasceu em Ratisbona, Bavária, Alemanha. Seus pais pertenciam à classe média. Entrou na Ordem como irmão não clérigo no mosteiro agostiniano de São Nicolau em sua cidade natal. O mosteiro era a mais importante comunidade da Província da Bavária naquela época, e acolheu o capítulo geral da Ordem Agostiniana de 1290. Nele, a primeira Constituição dos Agostinianos foi promulgada.
         Frederico serviu a comunidade como carpinteiro e tinha a responsabilidade de prover à casa a lenha necessária para o uso cotidiano, modesto trabalho levado a cabo durante anos unido a uma profunda vida de oração. É lamentável que seja pouco o que se sabe de sua vida. Conhecemos, isso sim, alguns relatos lendários do século 16, como os que aparecem na biblioteca do capítulo metropolitano de Praga.
         Algumas pinturas representando cenas da vida de Frederico e encomendadas por ocasião de sua morte ajudaram a inspirar tais lendas. Entre elas, a mais conhecida narra como um dia, impossibilitado de assistir à missa e estando no mesmo lugar onde se encontrava trabalhando, Frederico recebeu a comunhão das mãos de um anjo.
         A carga de colorido com a que se apresentam os fatos históricos, em conformidade aos gostos do tempo, hoje faz com que tais relatos sejam vistos com fortes reservas, ou inclusive, com rechaço. Porém, há de se ter em conta que interessava ao narrador medieval confirmar o reconhecimento divino da santidade mediante o milagre.
        Mais que escrever propriamente um biografia, a intenção era a de representar exemplos de virtude e ideais religiosos que animassem a segui-los. Episódios como o exposto acima atestam a devoção eucarística de nosso beato e provam o profundo efeito produzido entre seus contemporâneos e a continuidade da piedosa memória de que foi objeto ao longo dos séculos.
       O Prior Geral dos Agostinianos, Clemente Fulh, atesta em uma carta dirigida aos irmãos não clérigos que
"o beato Frederico chegou ao cume da perfeição obedecendo fielmente as normas estabelecidas por Santo Agostinho e soube integrar de maneira admirável a vida perfeitamente contemplativa com a vida perfeitamente ativa".
         Frederico morreu em Ratisbona no dia 29 de novembro de 1329. Logo depois de sua morte muito milagres foram creditados por sua intercessão. Seus restos repousam na igreja agostiniana Santa Cecília em Ratisbona.



Igreja de Santa Cecília

São Cutberto Mayne, sacerdote e mártir

Relic of St. Cuthbert Mayne

relíquia de São Cutberto Mayne


São Cutberto Mayne e os 39 companheiros mártires da Inglaterra



          Pastor anglicano no condado de Devon, suspeitando da autoridade civil e religiosa se converteu ao catolicismo em 1573 e refugiou-se em Douai, na França e em 1576 foi ordenado sacerdote. Ao retornar à Inglaterra desse mesmo ano, exerceu de forma clandestina o seu ministério sacerdotal  na região de Cornualha, como padre em Francis Tregian.
         Descoberto, no dia 18 de junho de 1577 foi preso e acusado de alta traição à nova religião na Inglaterra foi condenado à morte no dia 29 de dezembro de 1577.
         Foi proclamado beato pelo Papa Leão XIII no dia 29 de dezembro de 1886 e proclamado santo pelo Papa Paulo VI em 25  de outubro de 1970, junto com outros 39 mártires do Reino Unido.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

São Saturnino de Toulouse, bispo e mártir


Foi um dos sete bispos enviados por Roma para a evangelização das Gálias, onde fundou a diocese de Toulose sendo seu primeiro bispo.
De origem grega Saturnino, bispo de Toulouse, é um dos santos mais populares na França e na Espanha, onde é considerado o protetor das corridas. A confirmação de sua vida surgiu junto com a descoberta de importantes escritos do cristianismo produzidos entre os anos 430 e 450. Conhecidos como a "Paixão de Saturnino", trouxeram dados enriquecedores sobre a primitiva Igreja de Cristo na Gália, futura França.
Era uma época em que a Igreja, naquela região, contava com poucas comunidades cristãs. Estava desorganizada desde 177, com o grande massacre dos mártires de Lyon. O número de fiéis diminuía sempre mais, ao mesmo tempo nos dos templos pagãos as filas para prestar sacrifícios aos deuses aumentava.  
O relato conta que Saturnino, após uma peregrinação pela Terra Santa, iniciara a sua missão de evangelização no Egito, onde converteu um bom número de pagãos. Foi, então, para Roma e, fazendo uma longa viagem por vales e montanhas, atingiu a Gália.
Por onde andou, pregava com fervor, convertia quase todos os habitantes que encontrava ao cristianismo. Consta que ele ordenou o futuro são Honesto e juntos foram para a Espanha, onde teria, também, batizado o agora São Firmino. Depois, regressou para Toulouse, mas antes consagrou o primeiro como bispo de Pamplona e o segundo para assumir a diocese de Amiens.  
Saturnino fixou-se em Toulouse como seu primeiro bispo. Embora houvesse um decreto do imperador proibindo e punindo com a morte quem participasse de missas ou mesmo de simples reuniões cristãs, Saturnino liderou os que não tinham medo de repressões. Continuou com o santo sacrifício da missa, a comunhão e a leitura do Evangelho.
         Desse modo, ele e outros quarenta e oito cristãos acabaram descobertos reunidos e celebrando a missa num domingo. Foram presos e julgados no Capitólio de Toulouse. O juiz ordenou ao bispo Saturnino, uma autoridade da religião cristã, sacrificasse um touro em honra a Júpiter, deus pagão, para convencer os demais. Como se recusou, foi amarrado pelos pés ao pescoço do animal, que o arrastou pela escadaria do templo. Morreu com os membros esfacelados. Por essa piedosa lembrança, os toureiros o têm, na Espanha, como seu protetor especial.
O seu corpo foi recolhido e sepultado por duas cristãs.
No local, um século mais tarde, são Hilário construiu uma capela de madeira, que foi destruída em seguida. Mas as suas relíquias foram encontradas, no século VI, por um duque francês, que mandou, edificar a belíssima igreja dedicada a ele, chamada, em francês, de Saint Sernin du Taur, que lá está com o nome de Nossa Senhora de Taur.
O culto ao mártir são Saturnino, bispo de Toulouse, foi confirmado e mantido pela Igreja no dia 29 de novembro.

Catedral de São Saturnino em Toulouse, França