quinta-feira, 8 de março de 2012

Beato Faustino Miguez

         

         Etimologicamente significa “afortunado”. Vem da língua latina. A família e, no seu caso, o próprio lugar montanhoso em que vivia, o fizeram um jovem trabalhador, sensível ao olhar de Deus na natureza e nas pessoas. Veio ao mundo num povo de Orense, Espanha, no ano 1831.
          Os pais o enviaram a que estudasse no santuário de Nossa Senhora dos Milagres da capital. Vendo a rectidão e a felicidade daqueles professores, sentiu o desejo de ser sacerdote esculápio com o fim de dedicar-se por inteiro ao trabalho pastoral e educativo nos colégios. Ordenado de sacerdote, foi destinado ao colégio de Getafe, Madrid. Deste centro, como é habitual nos religiosos dedicados à educação, foi passando por muitos outros centros.
           Gostava das ciências naturais. Desde pequeno as apreciava naquelas paragens de sua terra natal. Não gostava de figurar em nada. Seu prazer era a obra a favor dos meninos e jovens. Tratava-os com muita amabilidade, respeito e afeito. Só buscava fazer-lhes o bem humano e espiritual. Era um verdadeiro mestre amigo das pessoas. Seus tempos livres empregava-os escrevendo livros simples sobre ciências naturais. E como sacerdote, gostava muito de estar horas e horas no confessionário.
           Homem com grandes dotes científicas. Não passou de largo ante a dor físico dos homens de seu tempo, sobre eles quis derramar o azeite do amor e da ciência para aligeirar o peso de seu sofrimento. Foi em Guanabacoa onde observa o uso pelos habitantes das plantas com fins terapêuticos, e sente-se atraído por isso. Pôs seus estudos e dotes científicos ao serviço de quem sofre a enfermidade.
           Como o samaritano que percorre os caminhos do mundo, desde seu olhar atento, não passa ao largo ante a dor física dos homens de seu tempo, sobre eles quis derramar o azeite do amor e da ciência para aligeirar o peso de seu sofrimento. Faustino tem a ocasião de conhecer mais de perto e de forma mais continuada a utilidade terapêutica das plantas. Inicia suas experiências com a flora do país que continua no seu regresso à Península.
          Em 1872 o Ayuntamiento de Sanlúcar de Barrameda encarregam-no da análise das propriedades curativas das águas dos mananciais da cidade. Deus concedeu-lhe o dom de curar a enfermos. Muitos outros acudiam a ele para lhe fazer consultas sobre plantas medicinais. Elabora uns preparados medicinais, A Direção Geral de Saúde registou, no ano 1922, doze de seus preparados a que se deu o nome de "Específicos Miguez", dando origem a uns dos legados do P. Faustino, o "Laboratório Miguez". Este surge da conjunção de vários rasgos característicos nele: caminhar próximo das necessidades dos homens, a preocupação pelo que sofre no corpo, o amor à ciência e a convicção que tem que Deus colocou na natureza os meios suficientes para curar a enfermidade, e precisamente nas plantas.
          O Padre Faustino sabe que as meninas de seu tempo são "as esposas e mães de amanhã", descobre nelas "a apóstola da família, a parte mais interessante da sociedade, a portadora de paz, e a alma da família ". Desde sua experiência, descobre a necessidade que tem a meninice feminina de alguém que a guie pelo caminho da promoção humano-cristã. Sua resposta para fazer presente o Reino entre os marginados com um novo projeto de fundação: a Congregação de Filhas da Divina Pastora cujo fim é:" formar o coração e ilustrar a inteligência do belo sexo para fazer culto e civilizado segundo o espírito de Jesus Cristo, a fim de que seja um dia a alma da família e a salvação da sociedade".Já ancião, aos 94 anos morreu em Getafe em 8 de março de 1925. João Paulo II o beatificou em 23 de Outubro de 1998.