terça-feira, 20 de setembro de 2011

Nossa Senhora da Salette


Santuário de Nossa Senhora da Salette, França



Nossa Senhora da Salette




          Em meados de setembro de 1846, um camponês de Ablandins, Pedro Selme, está com o pastor adoentado. Desce a Corbs, até a casa de seu amigo, o carroceiro Giraud:-”Empresta-me teu Maximino por alguns dias…”-”Maximino pastor? Ele é irresponsável demais para tanto !…” Conversa vai, conversa vem…, a 14 de setembro o garoto Maximino vai a Ablandins.
          No dia 17 percebe a presença de Melânia na aldeia. No dia 18 vão pastorear seus rebanhos nos terrenos de Comuna, no monte Planeau.  Conversam então, e decidem voltar a pastorear juntos no dia seguinte e no mesmo lugar.
         No sábado, 19 de setembro de 1846, bem cedo, as duas crianças sobem as ladeiras do monte Planeau. O sol respandecia sobre as pastagens… Ao meio dia, no fundo do vale, o sino da Igreja da aldeia toca a hora do Angelus.
        Maximino e Melânia tornam a subir pelo vale até a “fonte dos homens“. Junto à fonte, comem pão e um pedaço de queijo. Outros meninos pastores, que pastoreiam mais abaixo, juntam-se aos dois e passam a conversar. Depois que eles partiram, Maximino e Melânia atravessam o regato e descem alguns passos até os dois assentos de pedras empilhadas, junto a poça seca de uma fonte sem água: e a “pequena fonte“.

Uma estranha claridade

       Contrariamente a seu costume, as duas crianças se estendem sobre a relva…e adormecem. O clima sob o sol de final de verão, é agradável. Nem uma nuvem no céu. calma e ao silêncio da montanha.
       Bruscamente Melânia acorda e sacode Maximino!-”Maximino, Maximino, vem depressa, vamos ver nossa vacas…Não sei onde andam!”. Rapidamente sobem a ladeira oposta ao Gargas. Voltando-se, têm diante de si toda a pradaria: as vacas lá estão ruminando calmamente. Os dois pastores se tranquilizam. Melânia começa a descer. A meio caminho se detêm imóvel e, de susto, deixa cair o cajado.- “Maximino, olha lá, aquele clarão!
       Junto à pequena fonte, sobre um dos assentos de pedra…um globo de fogo. “É como se o sol tivesse caído lá“. No entanto, o sol continua brilhando num céu sem nuvens.
       Maximino corre gritando:- “Onde está? Onde está?” Melânia estende o dedo para o fundo do vale onde haviam dormido. Maximo para perto dela, cheio de medo e lhe diz:- “Segura o teu cajado, vai! Eu seguro o meu e lhe darei uma paulada se “aquilo” nos fizer qualquer coisa“. O clarão se mexe, se agita, gira sobre si mesmo. As duas crianças faltam palavras para externar a impressão de vida que irradia desse globo de fogo. Uma mulher ali aparece, assentada, a cabeça entre as mãos, os cotovelos sobre os joelhos, numa atitude de profunda beleza. 

As Mensagens da Bela Senhora

        A Bela Senhora põe-se de pé. Os dois não se mexiam. Ela lhe diz, em francês:-
Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade!
        Então, as crianças descem até a Bela Senhora.
       Olham-na. Ela não para de chorar:- “Achávamos que era uma mamãe cujos filhos a tivessem espancado e que se teria refugiado na montanha para chorar“. A Bela Senhora é alta e toda de luz. Veste-se como as mulheres da região: vestido longo, um grande avental, lenço cruzado e amarrado as costas, touca de componesa. Rosas coroam sua cabeça, ladeiam o lenço e ornam seu calçado. Em sua fronte a luz brilha como um diadema. Sobre os ombros carrega uma pesada corrente. Uma corrente mais leve prende sobre o peito um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado, e de outro uma torques. 
nossa-s-salette.gif        “Nós a ouvimos, não pensávamos em mais nada”.  Como Maximino e Melânia, deixemos que ressoe em nós também o que ela falou no alto da montanha. Com eles, ouçamos a Bela Senhora, contemplando o Crucifixo resplandente de glória sobre seu peito.
         Se meu povo não quer submeter-se, sou forçada a deixar cair o braço de meu Filho. É tão forte e tão pesado que não o posso mais suster.
         Há quanto tempo sofro por vós!Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não me querem conceder! É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho.
          E também os carroceiros não sabem jurar sem usar o nome de meu Filho. São essas as duas coisas que tornam tão pesado o braço de meu Filho.Se a colheita se estraga, e só por vossa causa. Eu vo-lo mostrei no ano passado com as batatinhas: e vós nem fizestes caso! Ao contrário, quando encontráveis batatinhas estragadas, juráveis usando o nome de meu Filho. Elas continuarão asssim, e neste ano, para o Natal, não haverá mais.
         A palavra “batatinhas” (em francês: ‘pommes de terre‘), deixa Melania intrigada. No dialeto da região, se diz “la truffa“. E a palavra ‘pommes‘ lembra-lhe o fruto da macieira.
        Ela se volta então para Maximino, para lhe pedir uma explicação. A Senhora porém, adianta-se dizendo:
        Não compreendeis, meus filhos? Vou dizê-lo de outro modo:
       Retomando pois, as últimas frases no dialeto de Corps, língua falada correntemente por Maximino e Melânia, a Bela Senhora prossegue:
        Se tiverdes trigo, não se deve semeá-lo. Todo o que semeardes será devorado pelos insetos, e o que produzir se transformará em pó ao ser malhado.Virá grande fome. Antes que a fome chegue, as crianças menores de sete anos serão acometidas de trevor e morrerão entre as mãos das pessoas que as carregarem, Os outros farão penitência pela fome. As nozes caruncharão, as uvas apodrecerão. 
        De repente, a Bela Senhora continua a falar, mas somente Maximino a entende. Melânia percebe seus lábios se moverem, mas nada entende. Alguns instantes depois, Melânia por sua vez, pode ouvir, enquanto Maximino, que nada mais entende. Assim a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Melânia. E novamente, os dois em conjunto ouvem as seguintes palavras:
        Se se converterem, as pedras e rochedos se transformarão em montões de trigo, e as batatinhas serão semeadas nos roçados...Fazeis bem vossa oração, meus filhos?
       “Não muito Senhora“, respondem as crianças.
        Ah! Meus filhos, é preciso fazê-la bem, à noite e de manhã, dizendo ao menos um Pai Nosso e uma Ave Maria quando não puderdes rezar mais. Quando puderdes rezar mais, dizei mais.
       Durante o verão, só algumas mulheres mais idosas vão à Missa. Os outros trabalham no Domingo, durante todo o verão. Durante o inverno, quanto não sabem o que fazer, vão a Missa zombar da religião. Durante a Quaresma vão ao açougue como cães. 
        Nunca viste trigo estragado, meus filhos?Não Senhora” , responderam eles.
        Então Ela se dirige a Maximo:
       Mas tu, meu filho, tu deves te-lo visto uma vez, perto do Coin, com teu pai. O dono da roça disse a teu pai que fosse ver seu trigo estragado. Ambos fostes até lá. Ele tomou duas ou três espigas entre as mãos, esfregou-as e tudo caiu em pó. Ao voltardes, quando estaveis a meia hora de Corps, teu pai te deu um pedaço de pão dizendo-te: “Toma, meu filho, come pão neste ano ainda, pois não sei quem dele comerá no ano próximo, se o trigo continuar assim”.
       Maximino responde:- “É verdade, Senhora, agora lembro. Há pouco não lembrava mais“. E a Bela Senhora conclui, não mais em dialeto, e sim em francês:
         Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo. 

O Santuário na Montanha
         No dia 1º. de maio de 1852 Dom Felisberto de Bruillard publica novo mandamento, anunciando a construção de um santuário sobre a montanha de La Salette, e a criação de um grupo de missionários diocesanos a quem dá o nome de “Missionários de Nossa Senhora da Salette“. E acrescenta:- “A Santa Virgem apareceu em La Salette para o mundo inteiro, quem disso pode duvidar?“. O futuro irá confirmar e ultrapassar estas expectativas, assegurado o elo de ligação. Pode-se pois dizer que Maximino e Melânia cumpriram sua missão.O SantuárioSe encontra no coração da montanha, a 1800 metros de altitude, nos Alpes franceses. O santuário e a Hospedaria foram confiados pela Diocese de Grenable a Associação dos Peregrinos de La Salette. Os Missionários e as irmãs de Nossa Senhora da Salette asseguram sua animação e funcionamento. O dia-a-dia é tomado pela Eucaristia e os Ofícios da Manhã e da Tarde, vigílias e procissões, terço e via-sacra… sem esquecer a oração silenciosa sempre possível na montanha ou nos oratórios.
          Nossa Senhora da Salette, Reconciliadora dos pecadores, rogai sem cessar por nós que recorremos a vós!